Desporto

Cristiano e Messi em disputa

Anaximandro Magalhães |

Num despique nunca antes testemunhado na história do prémio atribuído ao Melhor Jogador, instituído em 1956, pela FIFA, Cristiano Ronaldo e Lionel Messi continuam imparáveis numa disputa a dois pela conquista do galardão, como se o extenso mundo do futebol gravitasse à volta de ambos.

Filho de Cristiano Ronaldo é fã declarado do argentino Messi, facto que não incomoda o português
Fotografia: Ben Stansall | AFP

Os dois “monstruosos” jogadores suplantaram já a concorrência em termos de conquistas individuais. Segunda-feira, a FIFA, após votação dos seleccionadores, “capitães” das distintas selecções e jornalistas, voltou a atribuir a Ronaldo (com 43,16 por cento), pela segunda vez consecutiva, quinta no geral, 2008, 2013, 2014, 2016 e 2017, a Bola de Ouro. A distinção permitiu ao jogador português, de 32 anos, igualar o argentino Messi (19,25 por cento), 30 anos, cujos troféus foram ganhos em 2009, 2010, 2011, 2012 e 2015.
CR7 e La Pulga, alcunhas pelas quais são conhecidos no mundo do futebol, ficam definitivamente na história do “Desporto Rei”. Numa sã rivalidade, as duas maiores estrelas do futebol, Cristiano, do Real Madrid, e Messi, do FC Barcelona, prometem, ao que tudo indica, continuar a disputa renhida.
A Messi coube, em 2009, ser o último vencedor do prémio atribuído pela FIFA ao Melhor Jogador, a “Bola de Ouro”, e de, em 2010, conquistar o primeiro Ballon d’Or, uma atribuição em parceria com a revista France Football. Nos registos, realce ainda para os quatro troféus consecutivos, feito inédito.
Por sua vez, Ronaldo foi o primeiro a levar para a sua galeria o troféu designado desde 2016 “The Best”. Nas discussões um pouco pelo mundo, certamente que os dois jogadores mais mediáticos dos últimos 10 anos dividem as opiniões.

Peso da idade

O factor idade pode ser decisivo para o desempate. Neste particular, Messi leva vantagem. No imediato, relativamente à La Liga,  campeonato espanhol, soma 11 golos, em nove partidas, contra um, em dois desafios de Cristiano Ronaldo.
A disputa pela conquista dos títulos de campeão da La Liga, Taça dos Clubes Campeões, Taça do Rei e Campeonato do Mundo, no próximo ano na Rússia, será determinante para desfazer a igualdade. É ponto assente que a história terá de esperar muitos anos para certificar um novo recorde.
Com a sua saída do Barcelona para o Paris Saint Germain (PSG), o brasileiro Neymar (6,97 por cento) assume-se como candidato a rivalizar com os dois génios da bola. Juntos somam 10 prémios. Messi deu início à sua carreira aos 7 anos, pelos Newell’s Old Boys da Argentina, e Ronaldo aos 8, pelo Andorinha de Santo António, na Ilha da Madeira. Da lista de vencedores, os mais próximos são, com três troféus, Johan Cruijff (1971, 73 e 74), Michel Platini (1983, 84 e 85) e Marco van Basten (1988, 89 e 92).
Na longa relação de vencedores, destaque para o liberiano George Weah, único africano. Candidato a presidente da Libéria, consta de uma relação dominada por europeus e sul-americanos. Ásia, Oceânia, América Central, do Norte e Caribe, membros da FIFA, não têm  galardoados.
Stanley Matthews, Blackpool (1956), Raymond Kopa, Real Madrid (1958), Alfredo Di Stéfano, Real Madrid (1957 e 59), Luis Suárez, Barcelona (1960), Omar Sivori,  Juventus (1961), Josef Masopust Dukla, Praga (1962), Lev Yashin, Dinamo Moscovo (1963), Denis Law, Manchester United (1964), Eusébio, Benfica (1965), Bobby Charlton, M. United (1966), Flórián Albert, Ferencvaros (1967), George Best, Man. United (1968), Gianni Rivera, AC Milan (1969), Gerd Müller, Bayern  Munique (1970), Johan Cruijff, Ajax (1971, 73 e 74), Franz Beckenbauer, ganhou pelo Real Madrid (1972) e Bayern Munique (1976), Oleg Blokhin, Dinamo Kiev (1975), Allan Simonsen, Borussia G”ladbach (1977), Kevin Keegan, Hamburgo (1978 e 79), Rummenigge, B. Munique (1980 e 81), Paolo Rossi, Juventus (1982), Michel Platini, Juventus (1983, 84 e 85), Igor Belanov, D. Kiev (1986), Ruud Gullit, AC Milan (1987), Marco van Basten, AC Milan (1988, 89 e 92), Lothar Matthäus, Inter Milão (1990), Jean-Pierre Papin, Marselha (1991), Roberto Baggio, Juventus (1993), Hristo Stoichkov, Barcelona (1994), George Weah, Milan (1995), Matthias Sammer, B. Dortmund (1996), Ronaldo, conquistou o troféu pelo Inter Milão (1997) e Real Madrid (2002), Zidane, Juventus (1998), Rivaldo, Barcelona (1999), Luís Figo, Real Madrid (2000), Michael Owen, Liverpool (2001), Pavel Nedved, Juventus (2003), Andriy Shevchenko, Milan (2004), Ronaldinho Gaucho, Barcelona ( 2005), Fabio Cannavaro, Real Madrid (2006), Kaká, AC Milan (2007), Cristiano Ronaldo, Manchester United (2008), Real Madrid (2013, 2014, 2016 e 2017), Lionel Messi, Barcelona (2009, 2010, 2011, 2012 e 2015).    
*Com FIFA

Diego Maradona revela preferência na premiação

Diego Maradona
foi uma das duas lendas do futebol mundial encarregado de entregar o prémio “The Best da FIFA”. Ao lado de Ronaldo “Fenómeno”, o craque argentino entregou o troféu a Cristiano Ronaldo. Mas garante que lhe custou um pouco ter de fazê-lo.
“Dar o troféu a Ronaldo e não o poder dar a Messi fez-me doer a alma”, afirmou Maradona, em declarações à estação TyCSports. Maradona orientou Messi na selecção argentina e admitiu ter vivido um dos melhores momentos dos últimos anos, quando se reencontrou com o compatriota. “O encontro com Messi foi fantástico. Falei com ele, com o mesmo amor e o mesmo afecto de sempre”, admitiu.
Ronaldo esmagou a concorrência, vencendo claramente nos votos dos seleccionadores, dos “capitães” das selecções, dos jornalistas e dos adeptos.
Onde Ronaldo conseguiu menor diferença para Messi (e que, ainda assim, foi muito grande) foi na votação dos seleccionadores. Por outro lado, os jornalistas foram o grupo que deu a vitória mais clara ao português. Há também a curiosidade de os jornalistas terem sido o único grupo a colocar Buffon à frente de Neymar, no terceiro lugar.
Se toda a gente, sem excepção, tivesse colocado Ronaldo em primeiro, o português teria 55,56 dos votos. À luz deste facto, os 43,16 que o português recolheu tornam-se um número impressionante. Ronaldo obteve 82,3 do máximo de votos que um jogador pode ter, contra os 35,9 de Messi. O grupo dos jornalistas foi o que deu a vitória mais retunbante a Ronaldo. Dos 156, de 156 países diferentes, 82 por cento colocaram o portugês em primeiro lugar e apenas 9,6 por cento escolheram Messi como melhor.

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