Desporto

JGM do Huambo acusa Governo local de prejudicar o futebol

Fernando Cunha | Huambo

O presidente do Clube Desportivo JGM, Jorge Gomes Magrinha, acusou o Governo Provincial do Huambo, de estar a matar o desenvolvimento do futebol na província e de nada fazer para persuadir o Ferrovia a ceder o campo dos Kuricutelas, propriedade daquele clube, para que a sua equipa dispute os seus jogos, na condição de visitada, durante a edição 2018 do Campeonato Nacional de futebol da I divisão, vulgo Girabola.

JGM do Huambo reclama falta de apoio institucional mas João Calão “Joca” refuta as declarações do dono do clube
Fotografia: António Soares | Edições Novembro

Em declarações à Radio Mais, Jorge Magrinha foi incisivo nas suas palavras, ao afirmar que irá retirar a equipa da cidade do Huambo e colocá-la a disputar os jogos - quando na qualidade de anfitriã - na cidade do Kuito, porque naquela circunscrição administrativa do Bié encontrou o apoio que precisa e que não sente da parte das autoridades da província do Huambo.
“Vamos tirar a nossa equipa do Huambo, por não temos qualquer apoio para realizar os nossos jogos na nossa ci­dade e vamos passar a jogar na cidade do Kuito. Tudo porque o nosso parceiro, Ferrovia, fechou-nos as portas, devido à dívida de 585 mil kwanzas. O Governo não toma a situação a peito, na pressão que deve fazer ao Ferrovia, porque aquele recinto é público. Temos um acordo com o Sporting do Bié, que nos recebeu bem, e, por isso, vamos disputar os nossos jogos no seu campo”, avança o dirigente desportivo.
O presidente do JGM vai mais longe nas suas afirmações, quando aponta o Go­verno da província de não ter honrado o compromisso que assumiu em Abril do ano passado, com o seu clube, para apoiá-lo no pagamento das despesas durante a edição passada do Girabola. No entender de Jorge Magrinha, o governo, no âmbito das suas políticas sociais, tem o dever moral de dar a mão ao desporto, que tem o futebol como o seu principal baluarte.
“Apesar da boa vontade demonstrada, o Governo Provincial e o senhor governador, em particular, esquecem-se que o futebol e o desporto concorrem para o sucesso da governação, mas não sentimos da sua parte qualquer vontade em apoiar o futebol. Achando nós ser o campo do Ferrovia pertença de uma entidade pública, o Governo deveria persuadir a direcção daquele clube a permitir a realização dos nossos jogos no campo dos Kuricutelas, proporcionando à nossa mas-sa associativa e aos adeptos do futebol a possibilidade de nos apoiar com o seu carinho”, disse.
O presidente do JGM disse ainda que o clube necessita de 221 milhões de Kwanzas para disputar o Girabola 2018 sem sobressalto e que pretende,  no final da prova, estar entre os oitos primeiros lugares.

Reacção
O Governo Provincial do Huambo, por intermédio do director provincial da Juventude e Desporto, João Calão “Joca” Figueiredo, considerou as de infundadas e irresponsáveis, vinda de alguém que pretende incendiar o clima de acalmia que se vive no desporto do planalto central.
Joca Figueiredo disse, ao Jornal de Angola, que o Go­verno Provincial, das rubricas que dispõe no seu orça-
mento, não possui nenhuma direcionada ao apoio aos clubes que disputam provas na­cionais, sejam elas de que âmbito forem.

                                 Província sem dinheiro para apoiar clubes em provas oficiais
O governo não dispõe de nenhuma rubrica que faça apoio directo a clubes que participam nas competições desportivas. Possui, isso sim, rubricas irrisórias, que caiem no âmbito das despesas de apoio ao desenvolvimento, que são aplicadas em apoio institucional para todo o movimento desportivo na província".
De acordo ainda com o responsável, o Huambo tem um movimento desportivo bastante alto e o JGM é apenas um clube. "Quando o patrono deste clube decide participar em competições, seja de que âmbito for, entende o Governo que ele deve fazê-lo com uma estratégia sustentável. E tal estratégia falha, o que o patrono do JGM deve fazer é identificar culpados. E a culpa da falha da sua estratégia não é, seguramente, do Governo do Huambo”, disse.
Quanto ao desentendimento que existe entre o JGM e o clube Ferroviário, no que tange à utilização do recinto dos Kuricutelas, Joca Figueiredo aponta, primeiramente, que o clube Ferroviário é uma instituição de utilidade pública, fundada por antigos operário dos Caminhos de Ferro de Benguela (CFB), na época colonial. Acrescenta que a agremiação não pertence ao CBF e que o estádio não é propriedade desta empresa pública.
“É necessário que a direcção do JGM, particularmente o seu patrono, entenda que o estádio dos Kuricutelas é propriedade do Ferrovia e que eles devem respeitar este direito privado. O Ferrovia tem uma direcção, tem os seus associados e cabe ao JGM negociar com aquele clube e honrar o acordo firmado anteriormente e pagar o que deve, e não deixar a ideia de que o governo pretende matar o desporto e acabar com os clubes da província. Isso não é verdade”, disse.
O Governo do Huambo, na pessoa de Joca Figueiredo, aconselha a direcção do JGM à mudança de postura e ao respeito às instituições, evitando apontar a governação como culpada pelas suas falhas de gestão.
Por outro lado, o Governo do Huambo mostra-se receptivo a ajudar a conciliação entre as partes divergentes, na busca da prossecução de um objectivo que considera ser comum, a manutenção da equipa na cidade Huambo , por altura da realização das suas partidas, na qualidade de anfitriã, durante a época 2018 do Girabola ZAP.

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