Desporto

Jogadores pedem apoio para deixar o Huambo

Honorato Silva

Um grupo de 15 jogadores do JGM, oriundos de Cabinda, Luanda, Huíla, Zaire e Cunene, pede apoio para deixar a cidade do Huambo, por estar a passar por necessidades que chegam a roçar a indigência, segundo relataram.

Atletas estão descontentes
Fotografia: Vigas da Purificação | Edições Novembro

Em entrevista telefónica ao Jornal de Angola, sob o anonimato, dois dos atletas descreveram o quadro de dificuldades que têm atravessado, com o assento tónico colocado no incumprimento do presidente do clube, Jorge Mangrinha, quanto aos prazos dados para saldar a dívida.“Assinámos por dois anos, mas o presidente sentou connosco e disse que, por dificuldades financeiras, teve de  desistir do Girabola e encerrar o clube. Nós, atletas, propusemos o pagamento de três meses de salários e depois seguirmos cada um o seu caminho. Infelizmente não temos passado de promessas não concretizadas”, desabafou o atleta.As condições criadas na sede do clube e a falha registada na alimentação também são contestadas pelo jogador: “Quando estávamos no Girabola, éramos tratados de outra forma. Às vezes não temos jantar e ontem (segunda-feira), desligaram o gerador às 18h00. Depois de reclamarmos, o presidente mandou os seguranças, que só não nos agrediram por terem ficado sensibilizados com a nossa explicação, daí terem dito que o dirigente também os deve”.O outro atleta que aceitou falar, questionou o facto do proprietário do JGM alegar falta de condições financeiras, quando no início do ano “recebeu dinheiro da Zap e todos os meses tem uma dotação dada pela Cuca”. Foram denunciadas ameaças, supostamente proferidas por Jorge Mangrinha. “Queremos sair daqui. O presidente não pode nos prometer matar, por estarmos apenas a pedir o que é nosso. Tivemos o triste caso de um colega camaronês, que teve de arrancar o gesso, porque o presidente nem apoio para ir ao hospital deu”.

Aviso de desistência
Em reacção, o proprietário do clube do Huambo, que abandonou o Girabola há duas semanas, contrariou a ideia de ter sido movido por um espírito aventureiro, ao inscrever a equipa. “Tivemos promessas do Governo do Huambo, depois de termos informado a nossa indisponibilidade, no dia 30 de Novembro, antes do sorteio da prova. Se falarem com o presidente da FAF, ele dirá, porque recebeu a documentação.”
O dirigente reconhece a dívida com os atletas e garante estar a envidar esforços no sentido de normalizar a situação, no mais curto período. “De momento só posso pedir paciência, porque, de outro modo, terão de levar o caso para os tribunais. Entendemos a preocupação dos atletas, pois têm pessoas a seu cargo, noutros pontos do país”, lamentou.

 


Tempo

Multimédia