Desporto

Novo seleccionador com espírito ganhador

António de Brito

O sérvio Srdjan Vasiljevic foi apresentado ontem, como novo treinador dos Palancas Negras, em conferência de imprensa, no Centro de Imprensa Aníbal de Melo (CIAM), em substituição de Roberto Bianchi, que passou a cuidar apenas do Petro de Luanda, depois de ter perdido o título do Girabola Zap para o rival 1º de Agosto.

Srdjan Vasiljevic é o novo técnico dos Palancas Negras
Fotografia: Mota Ambrósio | Edições Novembro

De 44 anos, Srdjan Vasiljevic vai trabalhar com três adjuntos, designadamente Miroslav Maksimovic (antigo treinador do Petro de Luanda) e Silvestre Pelé (ex-técnico da Académica do Lobito). O terceiro elemento, cujo nome não foi avançado  está em negociações com o elenco liderado por Artur Almeida.
Com a direcção da FAF, Srdjan Vasiljevic assinou um contratado válido por dois anos, com a possibilidade de renovação, a julgar pelos objectivos a serem alcançados pela Selecção Nacional, nas competições internacionais.
A atravessar uma situação financeira de grande aperto, a FAF assumiu honrar os compromissos com o treinador e seus adjuntos, rejeitando como sempre avançar os valores do contratado com o novo seleccionador.
Angola é a primeira aventura internacional de Vasiljevic, tendo como ponto mais alto da sua carreira à conquista do Campeonato do Mundo Sub-20, disputado há dois anos na Nova Zelândia, como treinador-adjunto.
De 2014 a 2016, Srdjan Vasiljevic orientou a Selecção Nacional de Honras da Sérvia, exercendo há 13 anos o cargo de treinador de futebol. Como jogador,Vasiljevic notabilizou-se no Estrela Vermelha de Belgrado e no Dínamo de Bucareste da Roménia.
Depois de ter analisado ao pormenor o currículo do técnico sérvio, a direcção presidida por Artur Almeida e Silva aprofundou ainda mais o interesse, pelo que Srdjan Vasiljevic foi convidado a visitar Angola no passado mês de Outubro.
Na concorrida conferência de imprensa, o substituto do hispano-brasileiro assumisse como um treinador ambicioso, prometendo recolocar os Palancas Negras nos grandes palcos desportivos.”Gosto de desafio e não hesitei o convite que me foi formulado. Farei de tudo para fazer desta selecção ganhadora, bem como elevar o nível de Angola no ranking da FIFA”.
Abordado sobre a realidade do futebol angolano, Srdjan Vasiljevic referiu que através do Jornal de Angola e da Internet, acompanha o trabalho que tem vindo a ser realizado no país. “Os dados recolhidos me permitiu tomar contacto com a vossa realidade. Penso que com ajuda de todos, vamos superar vários obstáculos”, garantiu o treinador.
Quando faltam 36 dias para o arranque da Taça CHAN, a decorrer no Reino de Marrocos, o técnico Srdjan Vasiljevic tem o primeiro teste de fogo, que passa por qualificar a Selecção Nacional na segunda fase da prova.
Angola figura no Grupo D, com as congéneres dos Camarões, Burkina Faso e Congo Brazzaville. A estreia acontece no dia16, diante dos Cavalos burquinabes, no Estádio Adrar, na cidade de Agadir. Depois enfrenta os Camarões, no dia 20, e fecha a fase preliminar a 24, frente ao Congo Brazzaville.
“Vamos nos documentar sobre os nossos adversários. Os objectivos são claros, fazer uma boa participação no CHAN e transitar para a eliminatória seguinte. Nesta fase, vamos procurar chegar o mais longe possível. Estou convencido de que vou efectuar um bom trabalho”, assumiu o técnico, esperando ter uma relação de cordialidade com a média angolana. “Sempre serei aberto e sincero para com os jornalistas. Espero a colaboração da classe angolana, porque temos de trabalhar em equipe. Os interesses da nação estão acima de tudo”.
Depois de ter assumido o compromisso de manter a Académica na I Divisão, Silvestre Pelé preferiu abraçar um novo projecto. Além de treinador-adjunto das Honras, o ex-técnico dos estudantes lobitangas vai coordenar os Sub-20. “Na vida, temos de ter opções. Pretendo atingir outros patamares, depois de muitos anos a treinar a Académica. Agradeço o convite da FAF e darei o melhor de mim”, disse o técnico ao nosso Jornal.
Na segunda-feira, a FAF torna público a convocatória dos Palancas Negras deixada por Roberto Bianchi, para no dia 17 ou 18 do corrente iniciar a preparação, em Luanda.
Em declarações ao Jornal de Angola, Adão Costa,vice-presidente da Federação Angolana de Futebol, assegurou estarem criadas as condições para começar os trabalhos. “Temos tudo alinhavado. Penso que a nova equipa técnica nacional não terá razões de queixas. Trabalhámos sempre na antecipação”.
Ao reagir a contratação, Agostinho Neves António, presidente da Associação de Futebol do Uíge, espera que o novo treinador recupere a mística do futebol angolano.

Cargo repartido por angolanos e estrangeiros

Em actividade desde 8 de Fevereiro de 1976, data do primeiro jogo internacional de Angola, que terminou em derrota por 1-3, frente ao Congo Brazzaville, no Estádio da Revolução, os Palancas Negras já tiveram 31 técnicos, dos quais 16 angolanos e 15 estrangeiros.
Amílcar Silva abriu o caminho feito depois pelos compatriotas  Domingos Inguila, Carlos Silva, Carlos Queirós, Arlindo Leitão, Oliveira Gonçalves, Mário Calado, Zeca Amaral, Mabi de Almeida, José Kilamba, Romeu Filemon, Carlos Alves, Lito Vidigal, Rui Clington, Chico Ventura e Joaquim Dinis.
Do estrangeiro, a aposta recaiu em Skoric Vidic e Petar Knerzevic (jugoslavos), António Clemente (brasileiro), Ruben Garcia (argentino), Jesualdo Ferreira (português), Dusan Kondic (sérvio), Carlos Alhinho (cabo-verdiano), Manuel Gomes “Necas” (português), Vesselin Vesco (sérvio), Djalma Cavalcanti (brasileiro), Ismael Kurtz (brasileiro), Manuel José (Português), Hervé Renard (francês), Gustavo Ferrín (uruguaio) e Roberto Bianchi (hispano-brasileiro).
No CHAN, Angola figura no grupo D, ao lado dos Camarões, Burkina Faso e Congo Brazzaville. A estreia acontece no dia 16,  diante dos Cavalos burquinabes, no Estádio Adrar, na cidade de Agadir. Depois, enfrenta os Camarões no dia 20 e fecha a fase preliminar a  24, com o Congo.
Na sua terceira presença na prova, a Selecção Nacional procura melhorar a sua prestação da edição anterior, em 2016 no Ruanda, na qual não passou da primeira fase, sob o comando de José Kilamba, depois de na estreia em 2011, com Lito Vidigal à frente da equipa técnica, ter disputado a final no Sudão, com a Tunísia.

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