Desporto

Palancas Negras domam Cavalos na rota do CAN

Honorato Silva

Uma vitória da raça, do querer e do saber sofrer deixou, ontem, Angola a três pontos do apuramento para o CAN’2019, nos Camarões, depois de ter falhado a presença nas duas últimas edições da maior montra do futebol africano.

Fotografia: Kindala Manuel | Edições Novembro

A arte e capacidade inventiva de Gelson Dala, que assistiu Mateus Galiano em três ocasiões, valeram aos Palancas Negras a vantagem de 2-1 sobre os Cavalos do Burkina Faso, actuais 54º do Ranking da FIFA, vergados pelo espírito de entreajuda dos jogadores angolanos, unidos numa verdadeira “equipa família”.
Apesar do desacerto inicial, marcado por um certo nervosismo, fruto da pressão imposta pela obrigatoriedade de vencer, pois só assim continuariam a ter hipóteses de apuramento, os pupilos do sérvio Srdjan Vasiljevic abraçaram os adeptos, que da bancada souberam empurrar a Selecção à vitória.
Três momentos marcaram o primeiro tempo de uma partida dirigida por Jean Jacques Ngombo, árbitro do Congo Democrático, cuja actuação foi proteccionista em relação aos visitantes.
Bertrand Traore colocou Landu em sentido, com uma cabeçada fez a bola bater com estrondo na base do travessão, quando na resposta Gelson trocou as voltas a Issoufou Dayo, antes de assistir Mateus, que chegou atrasado.
Como perspectivado, a equipa angolana abriu mão da beleza estética do jogo, para apostar na segurança defensiva, mobilidade do meio campo e poder de fogo do ataque. Os influentes Jonathan Pitroipa, Ibrahim Toure e Bayala Barros acabaram controlados pelo quinteto formado por Herenillson, Show, Mateus, Freddy e Djalma.

Golpe de mestre

O ajuste de contas dos Palancas Negras com os Cavalos, adversário que em 2014 gelou o Estádio 11 de Novembro, ao triunfar por 3-0, parecia marcado para o empate. Mas, no último acto do jogo, antes do árbitro assinalar o intervalo, Gelson brilhou e Mateus fez o primeiro golo.
No reatamento, os anfitriões puxaram dos galões e assumiram o controlo do desafio. Com apenas três jogadores da equipa que em Junho do ano passado perdeu em Ouagadougou, designadamente Paizo, Herenillson e Gelson, a Selecção Nacional impôs domínio à similar do Burkina Faso.
Estava desatado o nó táctico armado pelo português Paulo Duarte, que no final reconheceu a qualidade futebolística dos angolanos, mesmo com uma base formada por atletas do Girabola.
Os desacertos pontuais foram ultrapassados com a entrega de todos, na disputa de cada lance. A desvantagem levou os burquinabes a avançar no terreno, postura que abriu espaço nas costas da defesa. Foi assim que Gelson voltou a fazer de ilusionista para, numa jogada a papel químico dos dois anteriores, voltar assistir o “capitão” Mateus Galiano, o marcador de serviço.
Num momento de desatenção, a defesa angolana permitiu aos Cavalos o golo apontado por Bakari Koné, que relançou o jogo. Criou-se uma incerteza no resultado, razão pela qual Vasiljevic efectuou algumas alterações tácticas, de modo a parar o crescimento do adversário.
Com a surpreendente Mauritânia apurada de forma inédita, após atingir os 12 pontos, mercê do triunfo (2-1), alcançado ontem diante do Botswana, em casa, Angola depende apenas de si para disputar o CAN dos Camarões.
A vitória em Gaberone, reduto dos Zebras tswaneses, no dia 21 de Março do próximo ano, carimba o passaporte da Selecção Nacional, que não contou com os préstimos do avançado Wilson Eduardo, por falta de autorização da FIFA.

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