Desporto

Girabola levado a sorteio com dúvidas no começo

Honorato Silva

Em fase de contagem do tempo para o regresso aos treinos, desde que estejam reunidas as condições de biossegurança, com testagem incluída, no quadro do controlo da propagação da pandemia da Covid-19, a 43ª edição do Girabola vai ser sorteada hoje, às 11h00, na sede da Federação Angolana de Futebol (FAF), sita na Urbanização Nova Vida, em Luanda.

1º de Agosto-Petro de Luanda tem sido o desafio mais aguardado da prova futebolística
Fotografia: Vigas da Purificaçâo | Edições Novembro

Depois de uma época sem campeão, a primeira na história da prova, devido à interrupção definitiva forçada pelo alastramento do novo Coronavírus à escala mundial, a modalidade mais popular do desporto nacional define o calendário das 30 jornadas, apesar das dúvidas quanto ao início previsto para 3 de Outubro.
De forma presencial, no auditório da instituição federativa, e por videoconferência, delegados das 16 equipas consideradas aptas a disputar o campeonato vão acompanhar o sorteio que deve, à partida, ser condicionado, nomeadamente para evitar a realização de dois jogos numa jornada por equipas da mesma cidade, além de Luanda.

A limitação técnica visa fazer com que nas províncias do Huambo e de Benguela o Ferrovia, o Recreativo da Caála, a Académica do Lobito e o Wiliete alternem os seus desafios na condição de visitantes. O ajuste técnico pode incidir igualmente sobre o emparceiramento do clássico dos clássicos entre o Petro de Luanda e o 1º de Agosto, normalmente aguardado na recta final de cada uma das duas voltas, por altura da 11ª e 26ª jornadas.

Sem certezas em relação ao início do campeonato, face à indefinição da testagem regular dos integrantes das equipas, o futebol nacional arrisca-se a entrar para a janela das provas continentais, quer de clubes quer de selecções, com falta de ritmo competitivo.

Silêncio dos clubes

O Jornal de Angola tentou ontem, sem sucesso, contactar a liderança do núcleo dos clubes, que em duas ocasiões inviabilizou a realização do sorteio do campeonato, por defender a passagem do direito de assumir a máquina organizativa, numa espécie de ensaio da desejada Liga de Futebol de Angola, travada por imperativos legais.

O silêncio leva a concluir que o impasse, que afastava o elenco cessante da Federação, encabeçado por Artur de Almeida e Silva, dos líderes das agremiações, foi ultrapassado. O ambiente eleitoral tem permitido a aproximação das partes em muitos aspectos.

A FAF habilitou para a época 2020/21 o 1º de Agosto, Petro, Interclube e Progresso Sambizanga (Luanda), Sagrada Esperança (Lunda-Norte), FC Bravos do Maquis (Moxico), Desportivo (Huíla), Recreativo Libolo (Cuanza-Sul), Recreativo da Caála e Ferrovia (Huambo), Académica do Lobito e Wiliete (Benguela), Sporting (Cabinda), Santa Rita de Cássia (Uíge), Cuando Cubango FC (Cuando Cubango) e Baixa de Cassanje (Malanje).

Encerramento atípico

O Girabola 2019/20 entrou para os registos históricos como o único sem campeão nem equipas despromovidas, excepto o 1º de Maio de Benguela por ter averbado duas faltas de comparência, caso que pode continuar a ser discutido nos tribunais, dada a acção intentada pelos proletários, cuja saída permitiu a entrada da Baixa de Cassanje de Malanje.

Quando se deu a interrupção do campeonato, o Petro liderava a tabela classificativa com 54 pontos, seguido pelo 1º de Agosto, 51, e menos um jogo. A jornada seguinte, 26ª, reservava a disputa dos rivais, na qual os militares estavam obrigados a vencer, ao contrário dos petrolíferos que precisavam apenas de empatar para continuarem a depender apenas de si nas contas do título.

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