Desporto

Girabola regressa em alta velocidade

Amândio Clemente

A festa do futebol regressa ao convívio dos adeptos ávidos de espectáculo, com a bola a começar a girar a partir de amanhã, envolvendo 16 equipas que até finais de Agosto disputam o Campeonato Nacional de Futebol da Primeira Divisão, Girabola Zap, numa edição que excepcionalmente vai decorrer à velocidade de cruzeiro, com jogos às quartas-feiras e aos fins-de-semana.

Saúde débil não permite que o treinador Dragan Jovic defenda o título
Fotografia: JAImagens| Fotógrafo

Entre as dezasseis concorrentes nesta edição, há várias equipas assumidamente candidatas e outras que ambicionam o título, mas não têm a coragem de propalar as suas pretensões, preferindo mantê-las em segredo. Os assumidos e crónicos candidatos dispensam apresentações. Ambos somam 26 títulos, distribuídos pelos dois.
O Petro de Luanda, com 15 títulos, e o 1º de Agosto, com 11, não precisam de fazer conferências de imprensa para anunciar as candidaturas. É algo natural. Mas, a disputa deste ano não se vai cingir a estes dois colossos do nosso Girabola. A eles juntam-se o Interclube, que ambiciona erguer o terceiro “caneco”, o Kabuscorp do Palanca e o Sagrada Esperança, que depois do terceiro lugar da edição passada sobe a fasquia e persegue o segun-do título para a sua galeria. A este quinteto de candidatos assumidos pode juntar-se o Recreativo do Libolo. Apesar de a sua direcção já ter afirmado que não tinha a intenção de disputar o título, é uma equipa a ser tida em conta pelos adversários, principalmente os integrantes do “quinteto”, para não serem surpreendidos no final.

Despique renhido
A luta pelo título promete ser bastante renhida. O campeão, 1º de Agosto, aparentemente entra para o Girabola Zap 2018 algo fragilizado, por conta da suspensão aplicada a sete jogadores da espinha dorsal da equipa, que não podem dar o seu contributo à equipa nas primeiras jornadas da competição.
Mas, a direcção do clube, que aposta na revalidação e consequente conquista do “tri”, reforçou a equipa com jogadores estrangeiros e da prata da casa, e principalmente da sua “cantera”, para contrapor as ausências e  dar consistência competitiva à equipa, no sentido de manter a ambição pelo título no Girabola.
Muito forte, e com alguma vantagem teórica, está o Petro de Luanda que pelo terceiro ano consecutivo persegue o título. Esta época, com o técnico Roberto Bianchi já no terceiro ano no comando da equipa, tem de ser de vez. Daí a aposta na manutenção do esqueleto base da equipa e nas contratações pontuais, para sectores que o hispano-brasileiro considera com necessidades de melhorar para atacar em definitivo o título, que lhe escapa há duas épocas.
Os dois colossos da competição sabem que não estarão sós neste embate, pelo que deverão estar atentos à concorrência do Sagrada Esperança, que promete aparecer mais forte e com a clara pretensão de roubar-lhes o protagonismo. Além dos “diamantíferos” há também o interesse manifesto do Interclube em intrometer-se, depois de um modesto quinto lugar na edição anterior.
No segundo ano de Paulo Torres no comando dos “polícias”, a direcção liderada por Alves Simões sente-se no direito de exigir o troféu mais cobiçado do futebol nacional.
Metido nesta luta está também o  Kabuscorp do Palanca, que na edição passada desistiu cedo da luta. Embora tenha perdido algum “poder de fogo”, com as saídas de alguns dos esteios da equipa, a agremiação do Bairro Palanca parece apostada em regressar aos tempos de glória, voltando a investir no mercado congolês democrático. 

Luta para permanecer
O Recreativo do Libolo, com quatro campeonatos conquistados, depois de anunciar a desistência da luta pelo título, pelo menos este ano, vai liderar a lista das equipas com pretensões mais modestas na competição, ou seja, ficar entre os dez primeiros da classificação e, eventualmente, intrometer-se na luta dos candidatos. Neste grupo entram o Progresso do Sambizanga, Recreativo da Caála, 1º de Maio de Benguela, Académica do Lobito e FC Bravos do Maquis, estes últimos mais propensos a lutar para evitar a despromoção, como já nos habituaram nas edições mais recentes.
O grupo de equipas constituído pelo JGM, Sporting de Cabinda e o novato Cuando Cubango FC deve ser, à priori, o que vai fazer da luta para evitar a despromoção a sua bandeira.

Ameaças de desistência
Com a competição a ser disputada em “contra-relógio”, as ameaças de desistência por razões financeiras podem voltar a ensombrar a sua disputa, pois são conhecidas as dificuldades que a maioria das equipas vivem para dar suporte às necessidades e exigências logísticas dela decorrentes.
A procissão ainda nem do adro saiu, mas já há quem “chore” da falta de dinheiro.  Com jogos às quartas-feiras e fins-de-semana, vai ser certamente mais difícil para aqueles que já vivem em constante aperto financeiro, pelo que não será surpreendente uma (ou mais) desistência a meio do percurso.
A qualidade dos estádios que vão acolher os jogos continua a ser a mesma ou é ainda pior, apesar de a Federação Angolana de Futebol (FAF) aprová-los, mesmo sem respeitarem a totalidade dos requisitos exigidos pela FIFA, pelo que continuaremos a ver o futebol a ser prejudicado pela má qualidade dos relvados.

Saídas e entradas
Saída notável é a do técnico Gragan Jovic, que não pode defender o título por força de problemas de saúde, ao passo que o regresso de Jorge Traguil, agora no Kabuscorp, é de realçar. Destaque igualmente para as entradas em cena dos técnicos Francisco Andrè “Kito” (Domant FC) e Abel da Conceição (Cuando Cubango FC).
A  competição vai deixar de contar com os préstimos dos árbitros  Romualdo Baltazar, a seu pedido, Inácio Rangel, Miguel Luvumbo e Luís Sá Miranda, por limite de idade. Vão também estar ausentes Conceição Matias e Irene Pinto, por doença, e Osvaldo Félix. Chitano Francisco, do Namibe, estreia no Girabola, ao passo que Sa-bino de Carvalho, Yuri de Melo, Evandro da Rocha e João António regressam à competição.

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