Desporto

Imprensa sem culpa da falta de humildade

“Chegar à final é resultado dos valores do legado que nos foi passado, e aprendemos bem”, as palavras foram proferidas por Marc Gasol, um dos principais artífices da Espanha, tal como ele, bicampeã do Mundo de basquetebol sénior masculino.

Fotografia: Francisco Bernardo | Edições Novembro

A chamada da citação do poste de 2,16 metros, é propositada e vem na senda do que defino como manto sagrado do jogador: o balneário. Se calhar muitos dos actuais desportistas angolanos não sabem o simbolismo desta expressão, nem tão pouco a ligação umbilical com o sucesso, embora a isso tenha de ser acrescentada competência.
Mas a coesão, espírito de entreajuda, saber lidar e suportar, o todos por um, um por todos começa aí, no local onde tive conhecimento, já não é o mesmo na Selecção Nacional de basquetebol.
O “santuário”, ao qual muitos chegam em bicos de pé, mesmo sem nada terem conquistado ainda em prol do país, está infestado de expressões sem lugar no léxico desportivo, mas teimosamente usado por supostas (auto intituladas) vedetas.
O EU sou, EU fiz, Eu posso, é linguagem pejorativa no desporto. Gasol é campeão pelos Toronto Raptors da NBA, a liga mais mediática de basquetebol do Mundo, e com a renovação de contrato passa a auferir 25 milhões e 600 mil dólares norte-americanos, mas no entanto, não o vimos, tal como os colegas, pelo menos publicamente, a exteriorizar comportamentos reprováveis.
E na nossa tivemos registos disso, e não foi somente um caso, por sinal por atletas com menos anos de balneário. No final do jogo frente à Tunísia, um dos vários “monstros” da bola ao cesto confidenciou-me que “o nosso basquetebol não está acabado, mas infelizmente vocês imprensa promovem alguns miúdos, que se acham estrelas e enquanto as coisas continuarem assim...”.
Na altura não consegui ripostar por interferência de uma terceira pessoa, mas hoje digo-lhe que os culpados são eles próprios, e não a imprensa. Em toda parte do Mundo a notícia é um facto novo de interesse geral.
Michael Jordan, Kareem Abdul Jabbar, Magic Jonhoson, Kobe Bryant, só para citar estes, souberam lidar com os holofotes. Portanto, quem tem dificuldades deve praticar uma actividade com menos visibilidade.
A conciliação de gerações no “santuário” nunca foi tão nefasta como agora, porque houve, como sublinhou o craque espanhol, recepção do legado e consigo nasceu o resultado: o ouro. É importante que as ditas “estrelas” percebam que o chavão do desporto dá pelo nome de HUMILDADE.

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