Desporto

Masunguna motiva jovens pelo exemplo no trabalho

Honorato Silva

À espera do regresso aos treinos e à competição, Dani Masunguna, “capitão” do 1º de Agosto, trabalha em casa para manter a condição física e continuar a motivar os futebolistas mais novos pelo exemplo, ao mesmo tempo que equaciona o final da carreira, dentro de três épocas.

Defesa-central inspirou-se no ex-jogador Miúdo Neto referência do clube rubro e negro
Fotografia: Miquéias Machangongo | Edições Novembro

O confinamento imposto pela pandemia da Covid-19, com dois meses de Estado de Emergência, seguido da Situação de Calamidade Pública, há mais de 45 dias, não alterou as rotinas de treino do líder do sector defensivo dos tetra-campeões do Girabola.

“Mantenho o peso. Felizmente consegui evitar que a falta de actividade, por causa da pandemia, me fizesse engordar. Com o avançar da idade, trabalho mais ainda. Quero acompanhar os mais novos. Tenho de motivar os meus colegas pelo exemplo. Sei que não vou jogar até aos 40 anos. Mais três épocas serão suficientes. Quando sentir que o corpo já não responde com a mesma rapidez, vou sair. Quero acabar bem. Sou exemplo para muitos colegas. Não posso exigir dos mais novos, sem mostrar como se faz”, assumiu o “patrão” do balneário militar.

Miúdo Neto inspirou
Aos 34 anos, Masunguna olha para as fundações da carreira e aponta o caminho percorrido até chegar ao topo.

“Quem acompanha o meu trajecto sabe que sou o mesmo Dani de ontem. O sucesso não mudou a minha cabeça, nem a forma de estar na vida e no desporto. Quando mais novo, o meu sonho era chegar ao nível do Neto, no clube e na Selecção Nacional. Foi o ídolo que escolhi como inspiração. Graças a Deus, com trabalho e muita humildade, sempre à espera da vez da minha vez, consegui. Hoje passo isso aos mais novos, que se inspiram em mim”.

Parceria com Bastos
O desempenho de Bastos na Lazio de Itália é seguido com atenção.

“Tenho acompanhado os jogos e envio mensagens. Temos uma boa relação, forjada na Selecção Nacional. Lembro-me que quando chegou aos Palancas tínhamos o Kali e o Zwela. Estava determinado a jogar. Pedi para ter paciência, porque chegaria a sua vez. Aprendi com o técnico Jorge Humberto Chaves que a humildade nos leva além”.

O técnico uruguaio Gustavo Ferrin promoveu a renovação do centro da defesa da equipa nacional.

“De forma natural acabou por chegar a nossa vez. Tivemos um bom entendimento no CAN da África do Sul, em 2013, e agora no Egipto, em 2019. Por exemplo, num dos dias de folga, na África do Sul, fomos passear a um centro comercial e cruzámos com o professor Oliveira Gonçalves, que não escondeu a satisfação por nos ver. Deu-nos os parabéns pela dupla que fizemos. Recordou o período em que eu era convocado, quando estava no Desportivo da Huíla”, partilhou.

Com a mesma destreza evidenciada na abordagem dos lances, antecipação ao adversário e saída para o ataque em segurança, Dani Masunguna fez um passe lateralizado e explicou a química existente entre colegas de selecção, que replica no 1º de Agosto.

“O meu entendimento com o Bastos resulta das nossas conversas. Normalmente partilhamos o quarto na concentração. Ouvimos a chamada de atenção do outro, sem hesitar. Acontece o mesmo na minha relação com o Bobó, no clube. Estamos sempre em comunicação, nos jogos e nos treinos, para definir quem vai disputar a bola e quem fica na dobra. Ele chegou na sexta-feira do Congo, onde acompanhou o óbito da mulher. Estamos todos solidários, desejosos que aos poucos supere essa fase difícil”, rematou.


Militares estudam calendário dos exames médicos

Praticamente inactiva no espaço mediático, quanto à preparação da época futebolística, a direcção dos rubro-negros analisa o calendário, de modo a definir uma janela para a realização dos exames médicos, que vão marcar a abertura das oficinas no Estádio França Ndalu. No actual contexto, o teste da Covid-19 ganha carácter obrigatório.

O Jornal de Angola sabe que o elenco encabeçado por Carlos Hendrick da Silva está preocupado em encontrar formas de equilibrar a condição financeira do clube. A transferência de alguns jogadores, dossier controlado pelo presidente, é uma das saídas encontradas para reforçar a tesouraria.

O processo de Zito Luvumbo merece maior atenção do dirigente, que tem ainda por decidir o substituto do bósnio Dragan Jovic, no comando técnico. Nas entradas, fala-se nos bastidores na chegada de vários reforços do estrangeiro, com o foco no meio campo e no ataque, tão logo as condições sanitárias permitirem.

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