Desporto

Militares abordam África com postura de campeão

Honorato Silva

No regresso à maior montra do futebol africano de clubes, 21 anos depois de ter testemunhado a estreia da Liga dos Clubes Campeões, no formato de grupos, em 1997, o 1º de Agosto acaba de escrever um capítulo feliz da sua história competitiva, no continente, com a presença nos quartos-de-final.

Técnico Zoran Macki e pupilos querem repetir os festejos na próxima fase da competição
Fotografia: Santos Pedro|Edições Novembro

A longa espera, proporcionou o amadurecimento do clube, em vários aspectos, nomeadamente, na abordagem aos jogos e no capítulo organizativo, do qual se destaca o desempenho do elenco directivo encabeçado por Carlos Hendrick da Silva, presidente que ambiciona colocar a agremiação ao nível das melhores de África.
Há duas décadas, a realidade era pintada por um quadro de dificuldades de vária ordem, desde a falta de condições de trabalho, treinavam em campo de terra batida, e de estabilidade do plantel, pois, era frequente o corrupio de técnicos e jogadores, no início de cada temporada.
O cenário mudou, precisamente, com Carlos Hendrick, a quem se deve elogiar pelo bom-senso e paciência para com o angolano Romeu Filemon e o luso-moçambicano Daúto Faquirá, treinadores que viram os destinos sentenciados por falta de resultados desportivos. A seguir foi o trilhar do caminho das veredas, após à chegada do sérvio Dragan Jovic, apesar de falhar a entrada na fase de grupos.
A viagem ao passado, do 1º de Agosto, na prova milionária africana, traz o filme da única presença que teve tudo para terminar em festa, visto ter falhado o acesso às meias-finais por um escasso ponto, numa campanha com comando partilhado do angolano Mário Calado, campeão do Girabola de 1996 e do sérvio Dusan Kondic, na altura muito familiarizado com o clube. Foi em 1991, o obreiro do fim do jejum de dez anos, no campeonato.
Com 11 pontos somados, Raja  de Casablanca  (Marrocos), vencedor da prova nesse ano, e USM Alger (Argélia) foram as equipas apuradas no Grupo A. Os militares do Rio Seco ficaram com o consolo de exibirem um futebol de prato cheio, superaram na classificação os sul-africanos do Orlando Pirates, incapazes de fazer melhor que um empate e cinco derrotas.
Na primeira eliminatória, os agostinos, na altura defendidos por talentos como Neto, Pedro, Assis, Filipe Nzanza, Muanza Teca e Dê, afastaram o Notwane FC (Botswana) com um empate (1-1) e vitória (2-1). No duelo decisivo, deixaram pelo caminho o respeitado África Sport Abidjan, num agregado de 6-1, em função da igualdade  (1-1) e retumbante triunfo (5-0), na Cidadela.
O Raja de Casablanca conquistou o título aos penalties  (5-4), para desfazer o duplo empate (1-1) frente ao Obuasi Goldfields (Ghana), vencedor do Grupo B, integrado ainda pelo Zamalek (Egipto), Club Africain (Tunísia) e Ferroviário de Maputo (Moçambique).
Campeões do Girabola em 1998, 1999, 2006 e 2016, so-mente este ano, os rubro- ne-gros que têm no currículo a disputa de uma final da Taça dos Vencedores das Taças,  chegaram à fase de grupos. Contestado, no início do trabalho, Zoran Macki vai agora atacar a presença nas meias-finais.

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