Desporto

Ministra pede apoios para o desporto adaptado

António Cristóvão

A ministra da Juventude e Desportos, Ana Paula do Sacramento Neto, apelou ontem aos empresários para apoiarem o desporto no país, com realce para o de reintegração social de pessoas com deficiência.

A solicitação, sem especificação do tipo de ajuda, foi feita durante os cumprimentos de boas-vindas dados à Selecção Nacional de Futebol para Amputados, campeã africana.
Fotografia: Dombele Bernardo| Edições Novembro

A solicitação, sem especificação do tipo de ajuda, foi feita durante os cumprimentos de boas-vindas dados à Selecção Nacional de Futebol para Amputados, campeã africana. 

“Ao sector empresarial, embora saibamos que não está a viver bons momentos, mas um pouco de cada um juntando-se com outros tantos do Ministério da Juventude e Desportos que tem estado a fazer será muito para muitos”, disse.
Ana Paula do Sacramento Neto reconheceu que, apesar de muitos troféus conquistados, o desporto adaptado precisa de mais apoios.
“Algumas modalidades precisam de ser alavancadas. Devemos acreditar e trabalhar para que os troféus e mais campeões surjam”, sublinhou a antiga andebolista.
A ministra apelou também aos pais e encarregados de educação, com filhos com deficiência, para se juntarem ao Comité Paralímpico Angolano (CPA), para a descoberta de talentos.
“Aquelas mães que têm pessoas com deficiência em casa devem pô-las a praticar desporto, para aumentar o grupo, porque a Selecção Nacional vai ser renovada e precisamos de encontrar os novos campeões anónimos”, destacou a dirigente.
A dirigente mostrou-se satisfeita com a taça conquistada pela Selecção Nacional na quinta edição do Campeonato Africano de Futebol para Amputados, realizada de 4 a 11 do corrente, no Estádio São Filipe, em Benguela.
“É um troféu que faltava na nossa galeria. Portanto, vai ficar mais embelezada com esta taça”, finalizou.
O capitão dos campeões africanos, Sabino António, agradeceu o gesto da ministra e, na ocasião, ofereceu um kit de material desportivo idêntico ao usado pelos integrantes da Selecção Nacional no campeonato.
“Muito obrigado, senhora ministra, continue a trabalhar e a apostar em nós para darmos alegria ao nosso povo que bem precisa. O ministério ajudou-nos a cumpriu o objectivo de realizar e conquistar o troféu de campeão africano”, declarou.
Na sexta-feira passada, a Selecção Nacional venceu a sua similar da Nigéria, por 2-0, no Estádio São Filipe, com dois golos de Sabino António, em jogo da final. Angola teve o melhor ataque e defesa da prova, com 20 golos marcados e três sofridos. A Serra Leoa foi a menos produtiva com apenas três tentos marcados.
Além de Angola e Nigéria, disputaram o campeonato as selecções da Libéria, Tanzânia, Camarões e Serra Leoa.

Leonel Pinto quer abandonar Comité Paralímpico

O presidente do Comité Paralímpico Angolano (CPA), Leonel da Rocha Pinto, disse ontem que quer abandonar a liderança daquela instituição devido à falta de apoios para a construção de um centro de alto rendimento no país.
“Há um problema grande de falta de infra-estruturas no país para a prática do desporto, sobretudo destinados a pessoas com deficiência. É um problema nacional. Temos estado a trabalhar em campos alheios”, disse agastado.
Prosseguindo, Da Rocha Pinto confessou: “estamos a apelar para a construção deste centro, porque com estas instalações podemos resolver a situação que se vive actualmente. Nas outras províncias, é difícil ter os atletas a treinarem”, explicou, insatisfeito com a situação que se arrasta há 25 anos. Para Leonel da Rocha Pinto, um centro de alto rendimento no país resolveria parte das carências.
“Estamos com problemas para levar os atletas para os Jogos Paralímpicos, no próximo ano, na cidade de Tóquio, devido à ausência deste centro. Se nos derem as condições, vamos continuar a trabalhar e a produzir resultados, porque há outras modalidades também que clamam pela mesma atenção”, desabafou, preocupado com o futuro do desporto adaptado.
A intenção do presidente do CPA é desenvolver outras modalidades: “temos vindo a trabalhar no processo de inclusão ao nível do desporto. Não podemos deixar de realizar o sonho de muitos atletas de outras modalidades que também querem atingir patamares como estes, mas, no entanto, precisamos de condições”, destacou.
A construção do centro faz parte do programa de acção do desporto para pessoas com deficiência em África, apresentado e ratificado durante uma reunião de periodicidade bianual do Conselho Regional do Comité Paralímpico Internacional (IPC), realizada a 31 de Outubro de 2010, em Bona, Alemanha.

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