Desporto

Nova fornalha de quadros para enriquecer a Nação

Neste mês de Junho que está a testemunhar a disputa da 21ª edição do Campeonato do Mundo da FIFA, muitos cidadãos provenientes de várias partes do planeta vivem dias que vão ficar marcados indelevelmente nas suas memórias.

 

É neste mês que os estudantes finalistas, bolseiros alguns e outros às suas expensas ou de familiares, defendem os seus trabalhos de fim de curso e recebem os diplomas, que os qualificam como técnicos superiores.
Desde os tempos do comunismo, a Rússia recebe anualmente  milhares de jovens e não só, provenientes de todas as latitudes do planeta, que desembarcam neste grande país em busca de conhecimento e formação académica. Entre eles, estão muitos angolanos.
Nesta segunda semana de competição, as minhas atenções ficaram viradas para esta franja de habitantes de Moscovo.
Levado pela excelente culinária, tenho frequentado um restaurante localizado bem perto do campus de uma universidade de Moscovo, destinada a estudantes estrangeiros, principalmente africanos e latino-americanos. Por isso, o convívio com estes habitantes temporários de Moscovo é quase diário.
Um facto chamou-me atenção. Esta semana foi de graduações dos finalistas de cursos de várias especialidades e entre eles estão muitos angolanos que colocam fim a esta fase da sua formação académica. Uns terminaram a licenciatura e outros mestrados.
É com muita satisfação que diariamente vejo jovens africanos a saírem sorridentes da universidade, empunhando os seus diplomas e entrarem para o Dionis restaurante acompanhados de colegas de curso e outros que ainda não terminaram, para tomarem umas cervejas e comemorarem.
Entre eles, estão jovens angolanos que me têm sido muito úteis, ajudando-me a resolver situações que sem eles seria um Deus nos acuda, particularmente o Varanda, um "pau para todas as obras." Desde que desembarquei aqui em Moscovo, tem sido o meu guia e o meu suporte. Na quinta-feira, recebeu o seu diploma de mestre em Direito do Petróleo. Como ele, há outros jovens angolanos que se formaram e terminaram.
Esta semana tem sido assim todos os dias. O país passa a contar com uma nova fornalha de quadros necessários para o esforço nacional de desenvolvimento e que estão dispostos a entrar já para o mercado de trabalho. Hoje, eu e o Sílvio Capuepue vamos testemunhar a graduação de um destes jovens, a seu convite. Muitas outras cerimónias de graduação de jovens angolanos vão acontecer durante os próximos dias e no mês de Julho que se avizinha, muitos deles estão de regresso ao país, esperando conseguir rapidamente um emprego para colocarem em prática o que aprenderam durante cinco a seis anos de formação.
São médicos, engenheiros, juristas, militares, enfim, jovens de várias profissões, que vão certamente dar o seu contributo para a  diversificação da economia nacional e ao desenvolvimento do país, desde que sejam bem encaminhados para as áreas em que receberam formação académica.
Nem mesmo a estrondosa derrota da Argentina, de Lionel Messi, aos pés da Croácia, de Modric e Rakitic, pode fazer-me esquecer este momento de particular importância para a vida destes futuros quadros do país, embora não seja um adepto da alvi-celeste e da sua estrela maior, muito ofuscada neste Mundial e muito perto de regressar a casa mais cedo.

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