Desporto

Adeptos querem maior despique

Altino Vieira Dias |

Só faltam cerca de dois meses para o início do campeonato do mundo de Fórmula 1, mas as guerras  nos bastidores já estão a florescer,  tanto a nível de pilotos como de equipas.

Corredores da Red Bull podem voltar a estar entre os candidatos ao título de campeão
Fotografia: Andrej Isakovic | AFP

Muitos amantes estão a rezar para que o título de campeão não  seja disputado apenas entre dois pilotos ou duas equipas, pois seria mais espectacular vermos uma disputa de três  ou quatro pilotos e equipas diferentes. Seria bom dar certo em 2018, para termos um campeonato bem mais competitivo do que o de 2017, onde assistimos dois tetracampeões a disputarem nas últimas corridas por vitórias, coisa jamais vista na Fórmula 1, embora já tivéssemos tido lutas entre tri-campeões.
O inglês Lewis Hamilton, o alemão Sebasttian Vettel, o holandês Max Verstappen, o australiano Daniel Ricciardo, o espanhol Fernando Alonso  e o finlandês Valtteri Bottas, assim como as escuderias Mercedes, Ferrari e Red Rull  são os principais candidatos à conquista do campeonato, isto se não forem surpreendidos por um equipa sem grandes referências.
Tal já aconteceu em 2009, quando  a Ferrari e a McLaren  e os seus pilotos Lewis Hamilton e Felipe Massa, que na altura ostentavam os títulos de campeão e vice-campeão, foram batidos pelos velozes carros Brown Gp, Red Bull e seus pilotos Jason Button, Sebasttian Vettel, Rubens Barrichello e Mark Webber. Apenas Lewis Hamilton conseguiu intrometer-se  obtendo  duas vitórias.
Mas será que as constantes mudanças de regulamentos e tecnologias nas outras equipas conseguirão surpreender as favoritas, que continuam a ser as mais bem sucedidas (equipas) em termos monetários e de patrocínio? Para chegarem às três  primeiras, ainda terão que passar pelas “equipas  top 2”: Williams (que ainda não oficializou a sua dupla de pilotos para 2018), McLaren, Force e Renault.
Lewis Hamilton da Mercedes e Sebasttian Vettel da Ferrari, campeão e vice-campeão, pretendem levar esta batalha até o fim da época'2018. Vettel chegou a afirmar que tudo será diferente em relação a 2017,  que gosta de correr contra Hamilton e vai evitar que ele conquiste o 5.º título mundial. Em 2017, os erros da Ferrari, que  esteve ao mesmo nível que a Mercedes, e os de Vettel facilitaram ainda mais o mérito de Hamilton e de Bottas, bem como da Mercedes na luta pelo título.
Apesar de terem um estilo diferente de condução, Daniel Ricciardo e Max Verstappen constituem  a dupla mais equilibrada nas equipas de "top line".  Ricciardo tem um estilo de condução e inteligência, no limite,  mais velozes. Verstappen é arriscado, agressivo e muito  veloz, e um autêntico campeão em potência. Esta dupla pode dar uma luta sem precedentes aos principais favoritos ao título, ou mesmo serem eles a disputá-lo.
Bottas, Raikkonen e Alonso também são candidatos, mas relegados a um segundo plano. Os dois  primeiros já afirmaram que não desejam ser ‘segundo piloto’ de equipa  e almejam alcançar o título de campeão, mas ambos parecem estar numa condição muito complexa. Ao contrário de Nico Rosberg em 2014, 2015 e 2016; em 2017, Bottas não conseguiu ter o ritmo de Hamilton, seu colega na Mercedes, e quase sempre deixava-se  bater por Vettel, da Ferrari. Raikkonen não conseguia aproximar-se de Vettel, seu colega na Ferrari, nem sequer foi ameaça para Hamilton da Mercedes. Será que este quadro se pode alterar esta temporada? Muitos fãs acreditam que Bottas e Raikkonen irão correr à sombra de Hamilton e de Vettel, seus colegas esta temporada. Por outro lado, Fernando Alonso não teve motor para dar luta aos Mercedes, Ferraris e Red Bulls, mas  este ano terá um motor Renault e pode lutar também pelo título, pois qualidades para ser tri-campeão não lhe faltam.
Acredita-se que este ano não haverá grande diferença em relação a 2017, pois poderemos apenas ver mudanças de pilotos na luta pelo título, visto que Hamilton poderá disputar apenas com um destes cinco: Vettel, Verstappen, Bottas, Ricciardo e Alonso. Há quem ainda acredite que a disputa poderá ser entre Ricciardo e Verstappen. Seria bom que os finlandeses Bottas e Raikkonen correspondam à oferta de 2018, senão poderemos ver mudanças de cockpits já em 2019, mesmo para quem tem contrato até 2020. Seria bom vermos Max ou Vettel no lugar de Bottas, na Mercedes, ou Hamilton no lugar de Raikkonen, na Ferrari. Maurizio Arribabene já disse que gostaria de contar com um piloto como  Hamilton na Ferrari. Ricciardo e Max parecem interessar à Ferrari num curto espaço de anos.  

                                                         Responsável da Pireli prevê queda nos tempos

Mario Isola,  responsável pela Pirelli, empresa que fornece os pneus às equipas de Fórmula1, prevê uma queda nos tempos em 2018 de 1.5s, em relação aos registos de 2017.
Isola baseia a sua previsão nos resultados obtidos nos testes em Abu Dhabi, em que os híper-macios foram em média um segundo mais rápidos por volta em relação aos ultra-macios, o composto mais rápido de 2017.
Tendo em conta que o maior nível de aderência irá implicar mais degradação do pneu, poderá haver a tentação de chamar os híper-macios de pneus de qualificação, mas o italiano quer ver o novo composto a ser usado em pistas com asfalto menos abrasivo ou em citadinos, como o caso do Mónaco.
Isso implica também que os níveis de degradação vão aumentar em relação ao ano passado para os outros compostos.
A Pirelli vai disponibilizar pneus mais macios logo nas primeiras corridas do ano, em relação a 2017 (aproveitando o conhecimento adquirido na época passada) e com o natural desenvolvimento dos carros, os recordes de pista deverão continuar a cair nesta temporada.
Foram 11 os recordes de pista que caíram o ano passado, o que mostra bem da evolução e da velocidade das novas máquinas do Grande Circo.
Os carros eram em média 20km/h mais rápidos em curva que os seus  antecessores. Os novos monolugares tornaram-se mais rápidos em 0.83 segeundos por Km percorrido, o que colocou a fasquia bem perto do planeado, que era uma diminuição de 5 segundos por volta e a única excepção foi o GP do Bahrein que viu apenas um ganho de 0.724 seg, devido à especificidade da pista e das condições atmosféricas.
 Com mais um passo na evolução dos carros e dos pneus podemos contar com tempos ainda mais espantosos.

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