Desporto

Angola tem a pior defesa da prova

Vivaldo Eduardo |

A Selecção Nacional sénior masculina de andebol sofreu 115 golos, nos três primeiros jogos do Campeonato do Mundo, que decorre até ao próximo dia 30 de Janeiro em França.

Fraca produção ofensiva e coordenação defensiva voltaram a ser muito evidentes na partida contra os espanhóis na segunda-feira à noite
Fotografia: Patrick Hertzog | AFP

Em média, os comandados de Alexandre Machado “Careca” consentiram 38,3 golos por partida e marcaram 23, perfazendo um saldo negativo de 46 golos, o pior de todas as equipas em prova, ao cabo de cento e oitenta minutos de jogo.
O meia-distância direito de Angola, Sérgio Avelino Lopes, com 2 horas e 46 minutos, é a unidade mais utilizada pela equipa técnica, seguido do guarda -redes Giovany Ranel Muachissengue (2 horas, 26 minutos e 37 segundos) e do central Rome António Hebo, com menos 27 segundos.
Embora os percentuais estatísticos destas três unidades não se destaquem, comparativamente às equipas de topo, o trio de andebolistas do 1º de Agosto é claramente mais valia para a equipa nacional. Sérgio Lopes apontou 18 golos, num total de 35 remates efectuados, nas partidas contra a Eslovénia (42-25), Macedónia (22-31) e Espanha (22-42), sendo o melhor marcador do combinado nacional, depois de cumprida mais de metade da fase preliminar.
Embora menos concretizador (10 golos em 28 remates), Rome Hebo destaca-se nas acções ofensivas de Angola, sendo o jogador com maior número de assistências que resultaram em golo (seis, no total). Na baliza, Muachissengue acumula percentuais que não fazem jus à sua qualidade técnica, sobretudo porque a defesa angolana foi excessivamente permissiva, deixando ao guarda-redes a ingrata missão de defender muitos remates sem apoio do jogadores de campo. Dos 140 remates dirigidos à baliza angolana, em 180 minutos, Giovany Muachissengue teve 22 defesas e sofreu 104 golos. Trinta e quatro remates foram desferidos a partir da linha dos 6 metros, 24 a partir das pontas, 21 de contra-ataque, 14 da linha de sete metros e outros tantos dos 9 metros, onde o guarda-redes principal do “sete” nacional teve a melhor percentagem (6 defesas em 14 remates), equivalentes a 43 por cento de eficácia.
Para lá das derrotas por números expressivos, os indicadores estatísticos sugerem trajectórias claras a seguir, para a progressão da modalidade, no que à classe masculina diz respeito. Angola apresenta-se com grande qualidade técnica ofensiva e defensiva nos minutos iniciais de todas as partidas, enquanto o trio de meia-distâncias (Edvaldo Ferreira, Sérgio Lopes e Rome Hebo) tem frescura física para equilibrar com os oponentes. Todas alternativas a esses jogadores, até aqui ensaiadas, resultam numa clara redução da qualidade de jogo, sobretudo no capítulo ofensivo. Ou seja, além da melhoria da prestação individual dos jogadores da primeira linha, urge promover, igualmente, o aumento de unidades aptas a acrescentar qualidade e criatividade.
Em relação à segunda linha de ataque, o pivô Gabriel Massuca Teca, com 2 horas e 20 minutos de jogo, apontou 5 golos, em oito remates e é, claramente, o expoente máximo de rendimento, nos três postos específicos que correspondem à segunda linha. Nas pontas, a selecção nacional tem um registo de apenas 6 golos, num total de nove remates. O flagrante contraste com os indicadores das demais selecções, onde face à dinâmica defensiva da zona central, a finalização nas pontas tem peso acentuado na performance global das equipas, é um dado digno de estudo para o futuro da modalidade em Angola.
Alexandre Machado “Careca” e Marcelino Nascimento “Manucho” entram para o derradeiro jogo, amanhã frente à Tunísia, com a difícil missão de manter e aumentar os índices motivacionais do grupo, preparando-o para a Taça Presidente, onde há possibilidade de melhorar a classificação obtida há dez anos, na Alemanha.

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