Desporto

Ciclistas de Luanda abraçam luta contra o cancro da mama

Armindo Pereira |

Mais de 80 ciclistas, entre profissionais e amadores, saíram ontem às ruas de Luanda, percorrendo cerca de 110 quilómetros, para abraçar a causa da Liga Angolana Contra o Cancro (LACC), no combate à enfermidade, numa campanha enquadrada no “Outubro Rosa”.

Passeio velocipédico serviu para lançar o apelo para a necessidade das mulheres fazerem o controlo preventivo da doença
Fotografia: Contreiras Pipa | Edições Novembro

Apoiada pela Associação Provincial da modalidade (APCIL), Polícia Nacional, a passeata sem carácter competitivo, partiu da Centralidade do Kilamba, imediações do Bloco A, em direcção à Avenida Fidel Castro (Via Expresso), numa média de 30 km/h, velocidade que alguns ciclistas mais experimentados tiveram dificuldade em cumprir. Entre os ciclistas amadores, o destaque recaiu para o presidente de Direcção do Petro de Luanda, Tomás Faria, que também tem tido presenças regulares em provas pedestres. Cumpriu parte do itinerário, ladeado dos atletas da sua agremiação, um exemplo que prometeu repetir em próximas ocasiões.
Todos os participantes da passeata, incluindo o pessoal de apoio, colocaram na lapela um lacinho cor-de-rosa, simbolizando a campanha de luta contra o cancro da mama. De acordo com Jair Guerreiro, presidente da APCIL, o objectivo da caravana seguir num compasso mais lento foi justamente para chamar atenção dos transeuntes e automobilistas sobre a necessidade de fazer exames de prevenção. Já em direcção à Centralidade do Sequele, começaram a destacar-se alguns ciclistas, num andamento que por vezes saía da velocidade estipulada, mas sem provocar constrangimentos.
Num gesto de “fair play”, ao longo do percurso os mais experientes davam suporte aos colegas, com um “empurrãozinho” nas costas, sobretudo nas subidas que exigiam alguma resistência física.

Força feminina

Entre os mais de 80 ciclistas, o destaque foi Aurelina Amaro, a única presença feminina, atleta do Centro de Ciclismo Cidade do Kilamba (CCCK), que tem participado com alguma regularidade em provas oficiais. A diversidade de cores na indumentária dos ciclistas chamava a atenção das pessoas à berma da estrada, que aplaudiram a passagem dos principais protagonistas da pedalada filantrópica.
Já depois de passar por Cacuaco, a caravana fez a primeira paragem na estrada principal da Petrangol, defronte ao supermercado Nosso Super. Os atletas aproveitaram para se refrescar e tirar as primeira impressões. O veículo de apoio da equipa BAI/Sicasal-Petro acabou por servir de reabastecimento para boa parte dos ciclistas, com água, frutas e bebidas energéticas.
Volvidos 10 minutos o batedor da Polícia Nacional deu sinal de partida. Atrás do último pelotão, duas ambulâncias davam garantias de assistência a qualquer um, a par de outros quatro veículos de apoio para assistência técnica.  
A organização experimentou algumas dificuldades, por causa dos automobilistas que violavam o perímetro de segurança estabelecido, sobretudo nas vias com maior fluxo rodoviário.
Depois da Boavista e Porto de Luanda, o grupo já mais compacto seguiu pela Avenida 4 de Fevereiro, virando de seguida para o Largo do Baleizão, Rua Raínha Ginga e contorno no edifício sede da Sonangol.
O destino era o Centro Nacional de Oncologia e Instituto Angolano de Luta Contra o Cancro (localizados no mesmo perímetro ), antes da subida da Avenida Revolução de Outubro. A caravana foi recebida por uma equipa de médicos chefiada por André Panzo, presidente da LACC. Na ocasião, em declarações ao Jornal de Angola, agradeceu e louvou a iniciativa dos distintos clubes e núcleos afectos ao ciclismo na capital, por chamarem atenção da sociedade para a prevenção deste mal.
“A adesão da sociedade faz com que a doença saia do anonimato. Com isso, as pessoas passam a estar conscientes sobre a necessidade de se prevenirem. É algo melhor que o tratamento. Estas campanhas ajudam a aumentar significativamente o número de voluntários para testagem do cancro da mama”, salientou.
Antes da conclusão do roteiro no Kilamba, os ciclistas passaram ainda pela Avenida 21 de Janeiro, estrada do Benfica e Avenida Fidel Castro. Num ambiente de camaradagem, comemoraram êxito da iniciativa que decorreu sem sobressaltos. A próxima actividade filantrópica vai apoiar a campanha de prevenção contra o cancro da próstata, denominada Novembro Azul.

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