Desporto

Luta pode voltar a ser a dois

Altino Viera Dias |

O campeonato de 2017 chegou ao fim, e agora resta apenas fazer os prognósticos para o de 2018, que terá como primeiro Grande Prémio o da Austrália, em Melbourne, no dia 25 de Março, e o úl­timo, o de Abu Dhabi, em Yas Marina, no dia 25 de Novembro.

Mercedes e Ferrari podem polarizar outra vez a luta pela conquista do primeiro lugar
Fotografia: AFP |

Muitos amantes da modalidade estão a apostar as suas fichas numa disputa pelo título entre o inglês Lewis Hamilton e o alemão Sebastian Vettel, para outros as apostas recaem entre Lewis Hamilton e o holandês Max Verstappen. 
A Mercedes e a Ferrari tiveram um campeonato muito equilibrado na primeira parte, mas na segunda, parecia que o cavalo (Ferrari) se afogava numa maré baixa a cada Grande Prémio que se disputava, pois tudo o que poderia correr mal correu ainda pior. Sebastian Vettel e a própria Ferrari contribuíram, e muito, para a sua auto-destruição.
No final de contas, muitos ficaram sem saber se a Ferrari perdeu o título pelas suas falhas, ou se a Mercedes conseguiu vencer o título pelo esforço dos seus pilotos, Lewis Hamilton e Valtteri Bottas,  já que em muitos Grandes Prémios pareciam ter um carro muito inferior ao da Ferrari.  Em termos de pilotos, apenas Vettel conseguia superar Lewis e Valtteri, pois o finlandês Kimi Raikkonen parecia não conseguir acompanhar o ritmo do trio da frente: Lewis, Sebastian e Valtteri.
 Kimi chegou mesmo a ser superado por Daniel Ricciar­do da Red Bull, que parecia ser uma galinha que bago-a-bago enchia o papo. Quer dizer, pontuava em quase todos os Grandes Prémios. Entretanto, Kimi só conseguiu superar Ricciardo na última corrida, devido a desistência deste.
Por outro lado, tivemos um Max Verstappen que teve um estreia espectacular na sua primeira corrida, ao volante de um Red Bull, pois conseguiu a primeira vitória da carreira, tornando-se no mais novo piloto a obter uma vitória. Daí para diante, só se via um piloto endiabrado. Chegou mesmo a superar Valtteri, Kimi e Daniel, em termos de dar luta a Lewis e Sebasttian. Portanto, todos os pilotos terão que estar muito preocupados com Max Verstappen, pois é um autêntico campeão em potência máxima. Se Max tiver um carro como o McLaren Honda de Senna de 1988 a 1991, ou o Ferrari de Schumacher de 2000 a 2004, o Red Bull de Vettel de 2010 a 2013 e o Mercedes de Hamilton de 2014 a 2015, poderemos ter, em menos de 10 anos, o recordista dos recordistas em termos de títulos mundiais.
Em 2017, Lewis Hamilton sagrou-se campeão do mundo, antes mesmo do fim do campeonato e teve como maior opositor Sebasttian Vettel na luta pelo título, já que Valtteri Bottas apenas conseguia segui-lo, mas nunca foi uma grande ameaça. Em 2018, o quadro na luta pelo título poderá alterar-se.
O campeão de 2018 é ainda uma incógnita, mas vários candidatos já podem ser citados como Hamilton, Vettel, Valtteri, Verstappen, Ricciardo e Alonso.  Este último, apesar de não trocar de escuderia, fê-lo  de propulsor, de Honda para Renault,  pois o motor deste terá algo a dizer por intermédio dos seus pilotos, como Daniel Ricciardo, Max Verstappen, Fernando Alonso, Stoffel Vandoorne, Nico Hulkenberg e Carlos Sainz, que terão como missão travar a pesada “artilharia” da Mercedes e da Ferrari, e neutralizar o  quarteto composto por Hamilton, Bottas, Vettel e Raikkonen. Este último parece ser o menos competitivo, e poderá ser um alvo fácil para Verstappen, Ricciardo e Alonso. Serão os Red Bulls Renault, McLaren Renalut, Williams Mercedes e a própria Renault,  que foram batidos em 2017 pelos  Mercedes e Ferraris,  capazes  de superar ou dar luta aos  velozes Mercedes e Ferraris? Olha que em 2018, tanto a Mercedes como a Ferrari terão desafios como a desforra de Sebastian Vettel, e a ambição de recordes de Lewis Hamilton, pois ambos estão com quatro títulos cada e pretendem atingir o quinto, tal como Hamilton que venceu em 2008, 2014, 2015 e 2017 e Vettel em 2010, 2011, 2012 e 2013.
Em 2018, poderemos voltar a assistir acesas disputas entre Lewis e Sebastian, como as protagonizadas em 2017, que para muitos amantes farão recordar a mítica rivalidade entre o francês Alain Prost e o brasileiro Ayrton Senna nos  anos 80 e 90.
Em 2018, a luta não será apenas entre a Mercedes, a Ferrari e a Red Bull, pelo que seria uma loucura descartar  a McLaren Renault, a Williams Mercedes e a Toro Rosso,  que terá  motor  Honda. Esta deseja voltar em grande para apagar a imagem negativa que teve nos três últimos anos, ao serviço da McLaren, cujo motor mais parecia de teste do que para competição, e voltar ao tipo de motor dominante, como os de 1988, 1989, 1990 e 1991. 

                                                               Alguns recordes mais difíceis de bater

A Fórmula 1, e o desporto em geral, são feitos de recordes e objectivos a serem batidos. Aqui ficam alguns recordes que muito dificilmente serão batidos nos próximos tempos.
Terminar mais vezes no pódio numa temporada:  Michael Schumacher, 2002: 100 por cento (17 em 17).
Schumacher e a Ferrar  dominaram a temporada de 2002. O piloto alemão conseguiu vencer 11 vezes, terminar em segundo seis vezes e no lugar mais baixo do pódio no Grande Prémio em falta. Uma demonstração de força e fiabilidade da Ferrari,provada pelo facto de Rubens Barrichelo ter ganho quatro dos seis GP que não foram para o alemão. Schumacher apenas pode perder este recorde se alguém conseguir terminar uma época mais longa sempre no pódio-2018 vai contar com 21 GPs  mas os 100 por cento são impossíveis de bater.
Início da temporada mais cedo: 1965 e 1968: 1 de Janeiro . Os GPs da África do Sul de 65 e 68 foram disputados a 1 de Janeiro. Algo impensável hoje (em 2018, começa a 25 de Março na Austrália). Um recorde que nunca vai ser batido e muito provavelmente também não vai ser igualado. Melhor média de pódios da carreira: Dorino Serafini (100 por cento). O piloto italiano fez uma única participação na Fórmula 1 na carreira e terminou em segundo. Ele participou com um Ferrari da equipa oficial, ao lado de Alberto Ascari, fazendo cada piloto apenas metade da corrida. Isto aconteceu no GP de Itália de 1950, ou seja, na primeira temporada da F1.
Mais pilotos no arranque de um Grande Prémio : Grande Prémio da Alemanha 1953: 34.Numa altura em que corriam monolugares da Fórmula 1 e da Fórmula 2 lado a lado, o GP da Alemanha de 1953, corrido em Nürburgring, teve 34 pilotos à partida. Hoje em dia, este recorde é impossível de ser batido, já que a FIA limita a 26 o número de pilotos que podem começar um Grande Prémio.

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