Desporto

S. Silvestre corre hoje em Luanda

Teresa Luís |

O título da 62.ª edição da corrida São Silvestre é disputado hoje, a partir das 17h00, por 1.700 atletas de ambos os sexos, numa distância de dez quilómetros, com partida no Largo da Mutamba e chega­da no Estádio Municipal dos Coqueiros.

 

 

Atletas nacionais podem aproveitar a ausência dos “papões” da Etiópia e do Quénia para a conquista dos primeiros lugares da prova
Fotografia: José Cola | Edições Novembro

Iniciada há mais de seis décadas, a corrida já se tornou tradicional nas ruas de Luanda e a população local tem a oportunidade de ver correr os me­lhores fundistas da nossa praça e estrangeiros, que por esta via vêm dar outra competiti­vidade à prova.
Distante dos tempos áureos, em que grandes nomes do atletismo internacional abrilhantavam a São Silvestre, destaque para o eritreu Zersenay Tadese, com o melhor registo (27minutos e 44 se­gundos) e os etíopes Atsedu Tesfaye (27:47), Tilahun Re­gassa (27:50), Asmeraw Bekele (27:53) e Haile Grebelassie (28:53).
A presente edição confirma o actual momento económico do país, resultante da queda do preço do barril de petróleo, o que levou os agentes dos atletas mais conceituados a  movimentarem as principais peças para outras provas de estrada.
Em 2015, ainda sob liderança de Carlos Rosa, os vencedores arrebataram 15 mil dólares. A ausência dos atletas estrangeiros de elite pode ser um elemento motivador para os nacionais, que pretendem a todo custo integrar a restrita lista dos vencedores da São Silvestre.
Na presente edição, o elenco federativo encabeçado por Bernardo João vai atribuir ao  vencedor cinco mil dólares, ou seja cerca de 800 mil kwanzas. Um total de 90 profissionais do ramo da saúde vão apoiar a prova, entre os quais 65 técnicos e 25 médicos.
Um total de 20 ambulâncias vão garantir a transportação dos sinistrados. Ainda no capítulo da segurança, os efectivos da Polícia Nacional, Serviço de Bombeiros e Inema também vão trabalhar no asseguramento da competição.
Ontem, na reunião técnica realizada na sede da Federação, os juízes e cronometristas abordaram aquilo que será a sua actuação antes, durante e depois da corrida. A última vistoria, realizada quinta-feira, validou o percurso.
O agrimensor João Antunes, credenciado pela IAAF, também vai testemunhar a disputa da prova. A subida do túnel do Prenda é o ponto crucial da competição, onde os pulmões dos fundistas são postos à prova e começam a ser constituídos os distintos pelotões. A partir da rua da Missão, no sentido descendente, a lufada de ar fresco permite aos corredores absorver mais oxigénio e imprimir outra velocidade.
A São Silvestre começa no Largo da Mutamba, passando pelas avenidas Amílcar Cabral, Revolução de Outubro, Ho-Chi Min, Alameda Manuel Van-Dúnem, Largo do Kinaxixi, Rua da Missão, Avenida 4 de Fevereiro, Largo do Baleizão, Rua Francisco das Necessidades e termina no Estádio Municipal dos Coqueiros.
O “meeting” internacional “Demósthenes de Almeida” é disputado no dia 2 de Janeiro, no Estádio Municipal dos Coqueiros.

História da corrida

A São Silvestre começou a ser disputada em 1954, apenas com carácter nacional, às 2h00. O primeiro triunfo coube a Isidro Louro, em representação do Clube Atlético de Luanda.
Posteriormente, António Esperança triunfou nas edições de 1957 a 1960. Na edição de 1964, figuras de destaque do atletismo mundial foram convidadas a participar, dando início à internacionalização da corrida.
Nesta nova fase, o moçambicano António Repinga foi o primeiro estrangeiro a vencer a São Silvestre de Luanda. A partir de 1985 a corrida passou a designar-se Demósthenes de Almeida, em memória de um dos maiores impulsionadores do atletismo nacional. Em 2002, a prova voltou a de­nominar-se São Silvestre.
O recorde da conquista de títulos é repartido entre o angolano António Esperança e o etíope Berhanu Giurma, com quatro troféus cada. Na lista estão também Isidoro Louro e Fanye Vanzyl, com três cada. João Ntyamba e Aurélio Mity e Ana Isabel são os únicos angolanos vencedores da corrida no pós-Independência. A Etiópia é o país com mais títulos conquistados, no total de 20. Angola somou 15, Portugal com seis, África do Sul, Zimbabwe e Quénia, cada com quatro, estão nos lugares imediatos.
A participação feminina teve início na década de 80. Com dez títulos, a Etiópia lidera o "ranking", seguida pelo Quénia com menos um. Portugal (oito), Zimbabwe (três) e Angola (um) ocupam os lugares seguintes.
No seu historial a corrida já teve vários percursos. Uns mais curtos outros mais longos. O percurso das primeiras edições foi na baixa de Luanda. Depois da Independência Nacional a corrida saiu das ruas da baixa luandense e foi-se aproximando da periferia.
Nos finais dos anos 90 do século passado e princípios de 2000, a corrida chegou ainda mais perto dos bairros periféricos, quando passou a terminar no Estádio Nacional da Cidadela, passando pelas ruas Lueji a Nkonda, Ngola Kiluange, Soba Mandume e da Brigada.

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