Desporto

Visitantes dominam no Brasil

Altino Vieira Dias |

Das terras da tequila às do carnaval e do Samba, o Grande Prémio do Brasil é sem sombra de dúvida um dos melhores e mais espectaculares da grelha do calendário, pois foi por duas vezes considerado o com melhor organização, pela Federação Internacional de Automobilismo.

Dupla forasteira exerceu domínio sobre os pilotos brasileiros num circuito com história
Fotografia: Jeff Haynes | AFP

A prova inaugural do Grande Prémio do Brasil teve como vencedor o brasileiro Emerson Fittipaldi, em 1973. Os pilotos brasileiros são os detentores do maior número de vitórias (9) e a seguir os alemães com 8. Os maiores vencedores individuais do Grande Prémio do Brasil são o francês Alain Prost, com 6, e o alemão Michael Schumacher, com 4.
Alain Prost era o grande carrasco dos campeões brasileiros Nelson Piquet e Ayrton Senna, no seu grande prémio caseiro, pois, com o francês em campeonato, os brasileiros não conseguiram vencer mais de duas corridas, mesmo não sendo tão popular em terras brasileiras devido aos incidentes com Ayrton Senna em 1989 e 1990.
O francês Alain Prost foi um dos maiores, se não mesmo o maior adversário que qualquer um dos pilotos brasileiros já teve. Na Fórmula 1, bateu os dois pilotos no Brasil e superou-os em termos de campeonatos mundiais: os brasileiros tinham cada três e o francês quatro.
Prost tinha um estilo de pilotagem muito peculiar, era leve, seguro, calculista, elegante e pensador, atributos que o levaram a ser chamado “O Professor”. Foi, é e continuará a ser um mito, principalmente no que diz respeito a Senna, na Fórmula 1.  
No Grande Prémio do Brasil já foram decididos vários campeonatos, como os de 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 e 2012.
O mais marcante para os brasileiros foi o de 2008, pois, além de ter sido espectacular, emocionante e difícil devido à chuva, foi um dos com maior audiência, mas “triste”, porque estava em causa o título mundial que poderia ser conquistado por um brasileiro na sua terra natal. Felipe Massa, na altura piloto da Ferrari, venceu a corrida e, por uns segundos, pensou ter ganhado o campeonato. Mas a alegria do piloto brasileiro durou pouco tempo. Deram-lhe a conhecer que Hamilton, da McLaren Mercedes, tinha ultrapassado Timo Glock, batendo assim o recorde de Alonso, como campeão mais novo do mundo, e destituindo o finlandêsRaikkonen, como campeão, o que fez surgir  comentários negativos contra Timo Glock e Lewis Hamilton. 

Queda do pódio
Depois de 2009, os brasileiros nunca mais viram um piloto brasileiro subir ao lugar mais alto do pódio e, pelo andar da carruagem, não será este ano. O último piloto brasileiro, ao volante de um Williams, com possibilidade de subir ao lugar mais alto do pódio foi o lendário Ayrton Senna em 1994, mas tal não aconteceu porque encontrou a morte no terceiro Grande Prémio do campeonato.
Felipe Massa é a grande esperança dos brasileiros, mas podem tirar o cavalinho da chuva, pois os “deuses” da Fórmula 1 não vão operar neste sentido. Um pódio para Massa já seria uma surpresa em condições normais, visto que na última corrida foi engolido por Lewis Hamilton, quando ocupava o 10º, o mesmo Hamilton que não ficou nada contente pelo furo no seu pneu no Grande Prémio do México, provocado por Sebasttian Vettel.
Mesmo assim, Hamilton conseguiu entrar na célebre lista dos tetra campeões, encabeçada pelo francês Alain Prost (1985, 1986, 1989 e 1993), Sebasttian Vettel (2010, 2011, 2012 e 2013), já que foi campeão em 2008, 2014 e 2015. Com a Mercedes e Lewis Hamilton já campeões, o Grande Prémio do Brasil não vai servir apenas para cumprir calendário.
Ainda teremos desafios empolgantes como a luta de Vettel e Bottas pelo vice-campeonato, a vontade de Hamilton ajudar Bottas ou continuar a vencer corridas para terminar em grande, a luta de Raikkonen para terminar o jejum de vitórias, as lutas intensas entre os colegas de equipa Ricciardo e Verstappen, da Red Bull, e de Sergio Pérez e Esteban Ocon, da Force Índia. Os dois últimos terão agora um forte opositor de nome Carlos Sainz da Renault.
Vesrtappen foi o vencedor do Grande Prémio do México e deu uma volta de avanço ao actual campeão do mundo, um acto que ficará gravado na história da Fórmula 1 e no curriculum do jovem piloto holandês que, para muitos analistas, é um campeão em potência.
Com 71 voltas, mais de 13 curvas, rectas longas e zona de DRH, os amantes da “auto-velocidade” ainda terão muitas oportunidade de ver lutas acirradas entre os 20 pilotos da grelha e mudanças de lugares no campeonato no fecho do Grande Prémio do Brasil, que se disputará no dia 12 de Novembro de 2017. Existem perspectivas de uma prova renhida.

  Liberty Media contestada pelas construtoras

Já se sabia
que se fosse esta a decisão da Liberty Media, quanto às novas motorizações da Fórmula 1 pós 2020, que haveria quem não ficasse feliz com a decisão, mas o que não se pensava é que tanto a Ferrari, Mercedes como a Renault se opusessem. Pelo menos é o que diz a Auto Bild. Ao que parece, pelo menos a Red Bull está contente com o que ouviu.
Sendo verdade que esta não é uma decisão vinculativa, Toto Wolff já disse que é apenas um ponto de partida para o início das discussões, mas disse mais: “É um conceito similar ao que temos agora, mas significa novo desenvolvimento, e significa também que iremos estar a trabalhar em dois motores ao mesmo tempo entre 2018 e 2020” disse Wolff.
Independentemente das razões que cada um tenha, o processo que agora começa é o mesmo sempre que grandes mudanças se afiguram para uma qualquer competição motorizada. Cada um tem os seus interesses e gerir todas estas vontades dá sempre uma enormíssima carga de trabalhos, sendo que para já a única vantagem que vemos no meio disto tudo é o facto da Liberty Media ser uma empresa norte-americana, que vem dum contexto em que prefere privilegiar o espectáculo ao invés dos interesses de cada um, o que significa que todos podem tê-los, mas desta feita a maioria dos adeptos pensa que está bem defendida pela Liberty, que “quer” uma F1 diferente dos últimos anos em termos de competição e isso significa mudar o ponto que está – ainda – a fazer a diferença, o motor.
Como todos sabem, os europeus não gostam de “castigar” quem é competente, ganha o que trabalhou, ou trabalha, melhor, mas os americanos estão longe de pensar da mesma forma. Por isso, não foi por acaso que se ouviu Toto Wolff dizer que “é uma visão mais que um regulamento.

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