Desporto

Palancas Negras enfrentam selecções acessíveis no CAN

Honorato Silva

No regresso à fase final da Taça de África das Nações (CAN) em futebol, depois da ausência nas edições de 2015 e 2017, os Palancas Negras têm legítimas aspirações de alcançar o apuramento para os oitavos-de-final, no Grupo “E” integrado pela Tunísia, Mali e Mauritânia, prova que vai decorrer de 21 de Junho a 19 de Julho, no Egipto.

Mauritânia é teoricamente o combinado mais acessível do grupo da Selecção Nacional
Fotografia: Vigas da purificação| Edições Novembro

Apesar de apresentar o pior registo no “ranking” da FIFA entre os adversários na série, o distante lugar 122, com 1142 pontos, superada inclusive pela estreante similar mauritaniana, 1210 pontos, na posição 103, a Selecção Nacional pode, em campo, contrariar a ditadura da vantagem teórica dos números.
O desfecho do Grupo “I” de qualificação, que deixou de fora o favorito Burkina Faso, 58º da classificação mundial, com 1380 pontos, é prova bastante de que o valor e competência futebolística dos países são medidos dentro das quatro linhas. Deste modo, os robustos 1491 pontos, que sustentam a 28º posição dos tunisinos, nem os 1365 dos malianos, no 65º lugar, fazem dos pupilos do sérvio Srdjan Vasiljevic derrotados de véspera, sem precisar entrar em campo.
Angola reencontra opositores que defrontou num passado recente. A Tunísia cruzou o caminho da equipa nacional em 2008, no Ghana, empate (0-0) na muito elogiada campanha de Tamale, cidade talismã, que testemunhou o melhor registo do país na grande montra do futebol africano, a disputa dos quartos-de-final, sob a batuta de Oliveira Gonçalves.
O Mali traz a triste memória do “apagão” dos Palancas Negras, orientados pelo português Manuel José, que no CAN'2010, em casa, consentiram o empate (4-4), quando até aos 79 minutos venciam por 4-0. A queda às portas das meias-finais, aos pés dos jovens Black Stars ganenses, esteve longe de causar impacto junto dos adeptos, desmobilizados logo no jogo de estreia.
A Mauritânia conhece a força dos angolanos. Na corrida às terras faraónicas acabou goleada (4-1), numa tarde de gala de Gelson Dala e o “capitão” Mateus Galiano, único sobrevivente da geração mundialista de 2006. A derrota (0-1) em Nouakchott, reduto inexpugnável dos Mourabitones, acabou por ser consequência lógica do ambiente hostil montado já à chegada, com a espera de 10 horas no aeroporto.
A Tunísia chega ao CAN com o melhor desempenho, entre as quatro selecções. Venceu o Grupo J, com 15 pontos, à frente do anfitrião Egipto, 13. O Mali, 14, terminou de forma invicta na primeira posição do C, seguido pelo estreante Burundi, 10, enquanto Angola e Mauritânia totalizaram 12, no I.
O Senegal, 23º com 1515 pontos, tem o melhor registo dos 24 países apurados para a 32ª edição da Taça das Nações. As restantes posições do “Top 5” são ocupados pela Tunísia, Nigéria (42º/1435), Marrocos (45º/1429) e Ghana (49º/1423). Os Camarões, detentores do título continental estão no 54º posto, 1399, o Egipto é 57º, 1384, e a gigante Costa do Marfim 65ª, 1365 pontos.

Líder cauteloso

Presente no Cairo, para assistir ao sorteio, seguindo-se a visita à cidade de Suez, com vista ao levantamento das condições de hospedagem e treino, Vasiljevic pediu calma aos adeptos, quanto aos prognósticos: “Temos de ser realistas. A Nação tem de ser realista. As expectativas não podem ser muito grandes, porque, das 24 selecções apuradas, somos os terceiros de baixo, isso com base no “ranking” da FIFA.”
A preparação é a grande preocupação do seleccionador nacional, que entrevistado sexta-feira pela TV Zimbo, auxiliou o elenco de Artur Almeida e Silva. “Neste momento as condições ainda não estão criadas. Como sabemos, a FAF está a viver dificuldades financeiras. Peço ao público, entidades privadas e governamentais para se unirem em torno da Selecção Nacional. Para providenciarem a realização de um bom estágio e termos uma participação condigna na prova”.

 

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