Desporto

Palancas Negras treinam pela primeira vez no Cairo

Honorato Silva

A recuperar do desgaste das mais de oito horas de viagem, durante a última madrugada, na ligação Lisboa /Atenas /Cairo, os Palancas Negras realizam, hoje à tarde, o primeiro treino no Egipto, palco da 32ª edição da Taça de África das Nações em futebol, de 21 de Junho a 19 de Julho.

Os Jogadores voltam a aprimorar hoje sob orientação de Srdjan Vasiljevic pormenores tácticos
Fotografia: Mota Ambrosio | Edições Novembro

De regresso à maior montra da modalidade no continente, depois das ausências em 2015 e 2017, hiato que interrompeu um ciclo de cinco presenças consecutivas (2006, 2008, 2010, 2012 e 2013), a Selecção Nacional, orientada pelo sérvio Srdjan Vasiljevic, coloca agora o foco no ensaio do amistoso de quarta-feira, frente à similar da África do Sul, na capital egípcia.
Ultrapassado o ambiente pesado resultante da recusa do presidente da Federação em ouvir os atletas, que pretendiam abordar com o dirigente a distribuição do prémio de apuramento dado pela CAF e o pagamento do primeiro acumulado semanal das diárias, o grupo de convocados ambiciona uma boa estreia no Grupo E, dia 24, diante da Tunísia, na cidade de Suez.
Composta maioritariamente por “marinheiros de primeira viagem”, jogadores que fazem o baptismo na prova, a equipa nacional persegue a elevação dos níveis competitivos exibidos ao longo da qualificação, sobretudo no consulado de Vasiljevic, após render o hispano-brasileiro Roberto Bianchi, partilhado pelos Palancas Negras e Petro de Luanda.
Conhecedores das exigências do CAN, os repetentes Mateus Galiano, Djalma Campos, Dany Masunguna e Landu têm a missão de passar a experiência aos colegas. Igualmente importante é a presença de Pedro Quifucussa “Mampelas”, técnico de equipamentos que disputou todas as competições desde que o país marcou o regresso em 2006, sob a batuta de Oliveira Gonçalves, obreiro da qualificação inédita para o Mundial da Alemanha, no mesmo ano.
Ontem de manhã, a Selecção fez um treino na região portuguesa de Aveiro, no encerramento do estágio iniciado no Algarve, com passagem por Penafiel, para o amistoso diante da Guiné-Bissau, saldado num triunfo por 2-0, com golos de Evandro Brandão e Mabululu. A coesão defensiva, sustentada pelo bloqueio das linhas de passe ao adversário, no momento da perda da bola em balanço ofensivo, também foi ensaiada.
O seleccionador pede solidariedade à equipa, na defesa da baliza. Evitar a surpresa, com o lançamento de bolas pelas costas, é uma das recomendações feitas aos atletas, que têm ensaiado também antigos sistemas para contrapor às acções dos opositores no espaço entre linhas, de modo a evitar a exposição do guarda-redes a cenários de inferioridade numérica.
A chamada de Show, Herenilson, Macaia e Stélvio, como os únicos médios, deixa claro que os Palancas Negras vão privilegiar um corredor central combativo. Assim, a saída para o ataque deve ser feita, preferencialmente, pelos flancos, com o envolvimento dos laterais e extremos. Os flanqueadores Mateus, Wilson Eduardo, Djalma e Geraldo terão a incumbência de levar jogo aos finalizadores Gelson Dala, Mabululu e Evandro, em função das escolhas de Vasiljevic.
A qualidade da posse e circulação da bola são argumentos sublinhados na agenda do seleccionador, muito a pensar no afastamento dos atletas da Tunísia, Mauritânia e Mali das zonas de concretização. Antecipar o corte de passes é outra exigência feita ao grupo de trabalho.
A comitiva segue para Suez, por estrada, na quinta-feira, primeiro dia sob a responsabilidade do Comité Organizador do CAN, integrado pelo antigo internacional Raul Chipenda. O país conta ainda com Miller Gomes na Comissão de Análise Técnica.

Gelson e Geraldo pregam susto a Vasiljevic

A ausência do goleador Gelson Dala e do desequilibrador Geraldo, no treino matinal de sábado, sessão única, deixou a equipa médica da Selecção Nacional em estado de alerta.
Os jogadores tiveram de ir a um hospital em Aveiro, de modo a apurar a gravidade e extensão das lesões. Distinguido como a grande referência do Rio Ave, na Liga NOS de Portugal, o avançado do Sporting é o abono de família dos Palancas Negras, daí a preocupação redobrada quanto ao seu estado clínico.
O extremo, contratado no início da época finda pelo Al Ahly do Egipto ao 1º de Agosto, pode ser um trunfo lançado do banco, em situações de aperto ou aposta na consolidação de um eventual quadro de vantagem no marcador. As últimas informações chegadas ontem da concentração da equipa angolana apontam para um cenário de baixa gravidade das mazelas dos atletas, submetidos a massagens e toma de analgésicos, com vista a superar as limitações físicas.

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