Desporto

Palancas Negras confiantes

António de Brito |

A Selecção Nacional de Futebol de Honras realiza, hoje às 16h00, o treino de adaptação à relva do Estádio Municipal de Toamasina, palco do jogo de amanhã frente à similar do Madagáscar, referente à primeira “mão” da terceira e última eliminatória de apuramento para o CHAN do próximo ano, no Quénia.

Semana de trabalho no recinto do Interclube permitiu ensaiar as acções a utilizar diante dos malgaxes
Fotografia: José Soares|Edições Novembro

Antes do início do treino, o técnico Roberto Bianchi mantém a habitual conversa de 20 minutos com os jogadores, para abordar a preparação. Com os processos de jogos consolidados, o seleccionador deve optar por uma sessão ligeira virada para a melhoria dos fundamentos físicos, como os exercícios de alongamento, abdominais, coordenação motora, flexibilidade, força e resistência.
Em Antananarivo, os jogadores vão ter pouco tempo de repouso, depois da viagem de quatro horas, visto que a equipa nacional saiu ontem de Luanda às 20h00, num voo fretado da Sonair.
Se fizesse a viagem em carreira normal, com escala na cidade de Joanesburgo, a Selecção Nacional iria desembarcar no dia do jogo em Antananarivo, colocando em risco o desempenho dos atletas, em função dos objectivos definidos pela equipa técnica liderada por Bianchi.
Ontem, no Estádio 22 de Junho, o treinador dos Palancas Negras privilegiou o trabalho com bola, depois de os jogadores efectuarem corridas ligeiras à volta do campo, com Flávio Amado na frente do pelotão.
Durante a preparação, o seleccionador ensaiou a marcação de cantos, com o propósito de avaliar o desempenho defensivo e ofensivo dos jogadores. Dany Massunguna, Wilson, Natael, Mira, Nari e Tó Carneiro não defraudaram no sector defensivo, ao passo que Yano, Job, Nandinho, Bugos, Nelson da Luz e Vá se destacaram no ataque.
O técnico Roberto Bianchi foi muito interventivo, chegando a interromper a sessão de treino sempre que os jogadores errassem os exercícios.
A seguir, o técnico improvisou um jogo em campo reduzido, com a finalidade de corrigir imperfeições e definir o modelo táctico a utilizar frente aos malgaxes.
Em 80 minutos, os jogadores demonstraram grande carácter, para constarem da equipa base. No ensaio táctico, Herenilson foi a ausência notória. O médio petrolífero continua a ser poupado, por causa das queixas no tornozelo.
Frente à selecção malgaxe, a equipa angolana deve jogar ao ataque, com Roberto Bianchi a apostar em Gerson na baliza, Natael, Mira, Wilson e Dani Massunguna, Herenilson ou Dudu Leite, Manguxi, Paty e Job, Nelson da Luz e Yano.

Domínio do Petro
O Petro de Luanda lidera a convocatória com seis jogadores (Gerson, Mira, Wilson, Herenilson, Manguxi e Job). O detentor do título do Girabola Zap, 1º de Agosto, vem logo a seguir com três, Dani Massunguna, Natael e Nelson da Luz. Dos convocados de Bianchi, Gerson e Wilson são os recordistas. Participaram em todos os jogos da Selecção Nacional, como primeira opção.
Nas provas sob a égide da Confederação Africana de Futebol (CAF), Angola e Madagáscar disputam o quinto jogo oficial, com uma vitória para cada lado. Os restantes desafios terminaram empatados. Em Antananarivo, o combinado nacional persegue o primeiro triunfo.
Angola detém a maior vitória sobre o Madagáscar (2-0), contra (1-0) da equipa adversária. Os empates não passaram  do (0-0 e 1-1), respectivamente. Do lado do Madagáscar, o técnico francês Auguste Raux montou uma equipa capaz de surpreender em casa os Palancas Negras, contando com os melhores atletas que actuam no campeonato local, onde se destacam o médio Joalombo e o avançado Fanomezena.
Os malgaxes pretendem resolver a eliminatória, pois consideram complicado o jogo da segunda "mão", em Luanda. Na penúltima eliminatória, o Madagáscar derrotou Moçambique por 4-2 no agregado, depois da vitória por 2-0, em Maputo. Angola venceu por 3-2 as Ilhas Maurícias.
À frente do combinado nacional, Roberto Bianchi tem um registo de cinco vitórias, três empates e duas derrotas. Dos jogos disputados, entre amistosos e oficiais, Angola  venceu às Ilhas Maurícias por três ocasiões, FC Mealhada da II Liga Portuguesa por duas vezes, empatou com a África do Sul, Tanzânia e Malawi, perdeu diante do Burkina Faso e Moçambique.
Depois da estreia no Sudão (2011), onde foi finalista vencido, Angola procura a terceira presença na prova africana, depois de já ter participado no ano passado no CHAN disputado no Ruanda, ficando na primeira fase da prova, ao perder diante dos Camarões e Congo Democrático, vencendo apenas a Etiópia.

                                                                Roberto Bianchi expressa desejo de vitória

O técnico Roberto Bianchi não esconde o desejo de vitória, apesar de reconhecer o valor dos malgaxes, ao sublinhar que os Palancas Negras encaram todos os jogos com a ambição de vencer, seja qual o adversário.

Bem humorado e disponível aos jornalistas,  Bianchi garantiu no final do treino que a Selecção Nacional é favorita. “Vamos fazer de tudo para vencermos o jogo ou, na pior das hipóteses, empatar. Não me passa pela cabeça perder na deslocação a Antananarivo.”
 Do ponto de vista anímico, o timoneiro angolano referiu que a convicção é forte e todos estão unidos à volta do grande objectivo: “A equipa treinou bem e confiante. Esperamos trazer um excelente resultado de Antananarivo. O onze inicial não vai fugir muito do que temos vindo a apresentar. Conheço a equipa. Os jogadores estão compenetrados no alcance do principal objectivo”.
A Selecção Nacional não viajou às escuras para Madagáscar. O seleccionador preparou a equipa com base nas imagens do jogo que  os malgaxes realizaram diante dos Mambas."Este vídeo ajudou-nos bastante para trabalharmos neste desafio. Conheço os pontos fortes e fracos do Madagáscar. Vamos procurar retirar maior partido, para regressarmos a Luanda com um resultado positivo", assegurou. Quanto à selecção malgaxe, o treinador hispano-brasileiro sublinhou que não é pêra doce. “Temos de jogar com a máxima cautela, porque surpreendeu a selecção moçambicana, em Maputo. Penso que será um jogo difícil, porque o adversário joga em casa e tem o apoio dos seus adeptos. Mas isso não nos intimida. Temos os nossos trunfos", afirmou, para a seguir lamentar a lesão de Herenilson: “Esperamos que recupere a tempo de jogar . É um jogador preponderante na manobra do conjunto. Estou convencido de que vai recuperar do problema que o apoquenta”.

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