Desporto

Petro resiste uma ronda no comando do Girabola

Honorato Silva

A presença do Petro de Luanda na liderança do Campeonato Nacional de Futebol da I Divisão, Girabola, durou apenas uma jornada, face ao empate sem golos na recepção ao estreante Wiliete de Benguela, que repetiu o gracejo da tarde de baptismo.

Festa dos jogadores petrolíferos do Eixo Viário, às ordens de Cosano, durou pouco tempo
Fotografia: Dombele Bernardo| Edições Novembro

O novo enguiço diante dos pupilos de Agostinho Tramagal, depois do 2-2 consentido na abertura da competição, custou a perda do conforto do topo da tabela classificativa à equipa petrolífera, treinada pelo espanhol Antonio Cosano, agora no segundo lugar, 36 pontos, superado pelo 1º de Agosto, tetra-campeão, líder com mais um ponto somado.
A queda do comando da competição pode fazer esmorecer o objectivo de conquista do título, proeza que escapa do clube petrolífero há uma década. Por arrasto, é posto em causa o plano gizado para frustrar o penta perseguido pelos militares do Rio Seco, de modo a manter a exclusividade enquanto detentor de cinco troféus consecutivos no palmarés do Girabola.
O triunfo (1-0) alcançado pelos tricolores na 14ª jornada, na visita à Académica do Lobito, combinado com o empate (1-1) dos rubro e negros, no reduto do Sporting de Cabinda, confirmou o assalto do primeiro lugar, como corolário da campanha regular marcada por uma série de dez vitórias e apenas uma igualdade, em 11 jogos realizados.

Perda de embalo
A conquista dos três pontos diante do Sporting, no encerramento da primeira volta, esteve longe de produzir o efeito multiplicador. A regularidade doméstica acabou por sucumbir à rotina de resultados menos conseguidos na fase de grupos da Liga dos Clubes Campeões Africanos.
Os vice-campeões das últimas quatro épocas viram interrompido o ciclo de oito triunfos consecutivos (cinco em casa e três fora), numa trajectória aberta após o empate (1-1), no terreno do Recreativo da Caála, na sétima jornada. A equipa de Cosano marcou 19 golos, média de 2,37 por partida, e está há oito desafios (720 minutos) sem qualquer tento sofrido.
Os tricolores foram causticados pelos sócios e adeptos, no início da temporada, por causa das exibições, saldadas em igualdade na visita ao Wiliete, vitória (2-1), diante do Progresso Sambizanga, e derrota (0-1), no sempre difícil reduto do Desportivo da Huíla, sem perder de vista as dificuldades sentidas na derradeira eliminatória de acesso à principal prova continental de clubes, frente ao Kampala City do Uganda.
O ponto de viragem dos petrolíferos foi marcado na oitava jornada, com o triunfo (3-1) sobre o Cuando Cubango FC, no Estado Nacional 11 de Novembro. A seguir, todos os adversários que cruzaram o caminho dos homens do Catetão foram derrubados, inclusive o 1º de Agosto, vergado por 0-2, no clássico dos clássicos disputado na ronda 11, feito que reduziu a vantagem dos rubro e negros para um ponto, quando era expectável a chegada aos sete, fosso que retiraria interesse à discussão do título.
A retoma competitiva sossegou o coro de descontentamento, mudança que fez brotar um capital de confiança nas valências da equipa técnica e no projecto definido pelo elenco de Tomás Faria, com vista a interromper o longo jejum na competição. A reacção de Job, que atirou a braçadeira de capitão à relva, ao ser substituído, pode indiciar um certo mal-estar no balneário, individual ou colectivo.

Equipa tricolor tem seis saídas de Luanda

A segunda volta do Girabola vai retirar os tricolores do conforto de Luanda em seis ocasiões. A sétima deslocação, que seria ao reduto do 1º de Maio de Benguela, foi transformada em interregno, face à desclassificação dos proletários, por terem atingido a segunda falta de comparência.
Fora da capital, o Petro vai defrontar o Sagrada Esperança (19ª jornada), Santa Rita de Cássia (21ª), Cuando Cubango FC (23ª), FC Bravos do Maquis (25ª), Recreativo do Libolo (28ª) e Sporting de Cabinda (30ª), além do jogo com o Progresso Sambizanga (17ª), no Estádio Municipal dos Coqueiros, na condição de visitante. Recebe o Desportivo da Huíla (18ª), Ferrovia do Huambo (20ª), Recreativo da Caála (22ª), Interclube (24ª), 1º de Agosto (26ª) e Académica do Lobito (29ª).
Caso os rivais cheguem à derradeira jornada próximos na classificação, o título será decidido fora de Luanda, porque à semelhança dos petrolíferos que fecham a competição em Cabinda, os militares fazem-no em Benguela, frente ao destemido Wiliete, com promessa de lotação do Estádio Nacional de Ombaka.

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