Desporto

Petrolíferas desafiam domínio das militares nas competições

Ao derrotar o 1º de Agosto por 23-19, na final da 34.ª edição da versão feminina da Taça de África dos Clubes Vencedores das Taças de Andebol, o Petro de Luanda desafia a, até então, incontestável superioridade “militar” no continente, depois de, internamente, já ter “roubado” alguns títulos às actuais campeãs nacionais.

Ríssia Oliveira, pivô do conjunto do Eixo Viário, desfalcou, por lesão, a equipa na final da prova de clubes africanos
Fotografia: Paulo Mulaza | Edições Novembro


A nível do andebol, tanto o país como o continente africano ficaram mais fortes depois da competição que a cidade do Cairo acolheu, de 12 a 23 de Abril, pela entrada em cena de um competidor que devolveu à prova a imprevisibilidade na disputa do troféu e ofereceu, sem dúvida, maior qualidade e visibilidade ao sector feminino.
Desde as primeiras jornadas, “militares” e “petrolíferas” revelaram capacidade competitiva visivelmente superior a toda a concorrência, como de resto os resultados dos jogos traduziram, com a vitória menos expressiva das angolanas, diante de equipas de outras nações, a cifrar-se nos 10 golos de diferença (27-17, do Petro sobre o Al Ahly do Egipto, nos quartos-de-final).
As “meninas” do Catetão “carimbaram” o regresso à competição continental com a vitória sobre as marfinenses do Habitat HBC por 30-15, enquanto as suas vizinhas do Quartel-General do Exército “baptizaram” as camaronesas do Dynamique de Bokito, dos Camarões, triunfando por 27-13. Com menos uma equipa, no grupo preliminar B, o Petro teve apenas que vencer em seguida o Fap dos Camarões (30-17) e o Abó Sports do Congo Brazzaville (36-24), para garantir o primeiro lugar.
Na série A, o 1º de Agosto distribuiu goleadas ao Al Ahly do Egipto (31-15), Heritage da RDC (34-16) e Cara do Congo Brazzaville (31-14), fazendo jus à sua condição de detentor do título e principal candidato à conquista da 34.ª edição. Nos quartos-de-final, as rubro e negras tiveram um jogo tranquilo, ultrapassando o Habitat da Costa do Marfim por 33-12. Ao contrário, as “tricolores” foram postas à prova, diante das anfitriãs do Al Ahly, na única partida em que chegaram ao intervalo a perder (9-11), encetando a reviravolta na etapa complementar para os 27-17 finais.
Ambas as representantes angolanas aprovaram com distinção no teste das meias-finais, com triunfo do conjunto do Eixo Viário sobre o Abó Sports do Congo por 31-18 e do Rio Seco sobre o Fap dos Camarões por 26-17, deixando prever uma final renhida. A partida de encerramento da prova não defraudou as expectativas, com as “petrolíferas” a liderarem o marcador desde cedo, sem nunca permitir às “militares” mudar o rumo dos acontecimentos.
A vitória por 23-19 assenta perfeitamente ao Petro que variou mais as iniciativas no seu jogo de ataque, alargando-o praticamente a todas unidades em campo. Do outro lado, Albertina Kassoma e Isabel Guialo estiveram sempre no centro das acções, facilitando de alguma forma as tarefas defensivas das adversárias.

Defesa foi a principal arma
No confronto directo com todas as equipas de outros países, o 1º de Agosto, sob comando técnico do dinamarquês Morten Soubak, consentiu no máximo 16 golos por jogo (31-16, diante do Heritage da RDC). Apenas as novas detentoras da Taça de África dos Vencedores das Taças conseguiram marcar acima de duas dezenas de golos às campeãs nacionais (19-23, na final).
Um pouco menos eficaz nas acções defensivas, o Petro de Luanda vem logo a seguir às “militares”, consentindo 17 ou mais golos ao Fap (30-17), ao Al Ahly (27-17) e ao Abó Sports (36-24 e 31-18). A agressividade do quarteto Albertina Kassoma, Dalva Peres, Liliana Venâncio e Wuta Dombaxe, secundado pelas boas actuações das guarda-redes Cristina Branco e Eliane Mota, foram o principal suporte da defesa do 1º de Agosto.
Do lado do Petro, Edith Bun-ga, Magda Cazanga, Joana Costa e Suzete Cazanga foram as unidades determinantes na eficácia defensiva, com a guarda-redes Teresa Almeida “Bá” a complementar as acções de defesa e a começar o contra-ataque de forma eficaz.
Ao longo da prova, nas partidas em que o Fap dos Camarões, Abó Sports do Congo, ou Heritage da RDC conseguiram equilibrar o desempenho ofensivo, a qualidade defensiva das representantes angolanas foi determinante para a definição do resultado.
 
Poderio “militar” posto à prova
Os números que definem a eficácia das equipas na prova sugerem alguma superioridade do 1º de Agosto. Em sete jogos, as “militares” sofreram apenas 110 golos e marcaram 202. Com menos uma partida, as “petrolíferas” sofreram o mesmo número de golos que as suas oponentes na final (110) e marcaram 177.
No entanto, o historial das últimas cinco partidas entre ambas as formações demonstra a postura cada vez mais desafiante das “petrolíferas”, em relação ao domínio “militar” que imperou até ao último Campeonato Na-cional. Em apenas um dos jogos, as pupilas de Morten Soubak marcaram mais de vinte golos que as de Vival-do Eduardo, desde Julho do ano passado.
De lá para cá, o 1º de Agosto perdeu dois jogos para a Taça de Angola e para o Torneio de Abertura, por 19-16. Seguiu-se novo triunfo “petrolífero” por 21-19, para a Supertaça Francisco de Almeida e outro para o Campeonato Provincial de Luanda, em pleno Quartel-General do Exército (28-24), antes da primeira final angolana na Taça dos Vencedores das Taças, com vitória do Petro por 23-19.    
As ausências de Natália Bernardo, Luísa Kiala, Juliana Machado, Iracelma Silva, Joelma Viegas “Cajó” e Carolina Morais mudaram, seguramente, as ideias de Morten Soubak. No entanto, a equipa “militar” possui um invejável naipe de opções.

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