Desporto

“Picadas” do Escorpião anestesiam os Palancas

António Cristóvão

O golo madrugador de Wilson Eduardo, ontem, foi insuficiente para evitar a derrota dos Palancas Negras diante dos Escorpiões da Gâmbia, por 1-3, no Estádio Nacional 11 de Novembro, em Luanda, em jogo referente à primeira jornada do Grupo D de apuramento para a fase final da 33ª edição da Taça de África das Nações (CAN), a ter lugar em 2021, nos Camarões.

Jogador gambiano festeja vantagem no desafio perante a incredulidade dos angolanos
Fotografia: Contreiras Pipa| Edições Novembro

Um desafio em que a Selecção Nacional de Honras de Futebol apresentou-se com pouco entrosamento no sector intermédio, falta de organização defensiva e de comunicação entre os integrantes desta área de jogo.
Os Escorpiões, por sua vez, com alguma astúcia conseguiram irritar os Palancas Negras com uma forte “picada”, com alguma “mãozinha” do árbitro Osiase Koto, do Lesotho.
Com uma péssima arbitragem, Osiase Koto não assinalou um penálti para ambas as selecções, na etapa complementar, mesmo assim sem ter influência no resultado.
Depois do golo madrugador de Wilson Eduardo, a Selecção Nacional de Honras abrandou o ritmo e fez pouco para conservar a vantagem no marcador , pois permitia o adversário controlar o jogo no meio campo, onde Herenilson e Show evidenciaram falta de comunicação para anular a criatividade dos Escorpiões. Com falta de coordenação e comunicação no sector intermédio dos Palancas Negras, o dianteiro gambiano Assan Cessay aproveitou uma desatenção defensiva para igualar o desafio.
Num ápice, o mesmo Assan Ceesay marcou o segundo tento, tirando proveito de um péssimo atraso de Fredy, que podia ter controlado muito bem a bola, mas preferiu atrasar de longe para Tony Cabaça, que não podia agarrar a bola e a deixou bater, e em consequência não conseguiu controlá-la e evitar que o adversário a introduzisse na baliza, para desespero e estupefacção dos poucos adeptos nas bancadas do Estádio Nacional 11 de Novembro.
Antes, os Escorpiões já tinham dado o aviso, com um forte remate de um dianteiro, que obrigou Tony Cabaça a fazer uma defesa instintiva e ceder canto.
Uma primeira parte marcada pela falta de consistência, comunicação, organização do sector defensivo e a pouca criatividade do sector que municia o ataque dos Palancas Negras, onde Gelson Dala estava “órfão” de assistências para marcar.
À beira do intervalo, Wilson Eduardo e Geraldo remaram contra a maré para tentar igualar o marcador, mas sem sucesso, devido à astúcia dos atletas gambianos que optavam pela “queima” de tempo, para desestabilizar emocionalmente os jogadores angolanos, e conseguiram-no.
Na etapa complementar, os angolanos subiram bastante no terreno, mas faltou discernimento e concentração dos dianteiros para marcar o golo da igualdade.
Nesta fase de jogo, os Escorpiões limitaram-se a privilegiar a circulação da bola para a construção dos contra-ataques rápidos, na tentativa de surpreender o sector mais recuado do conjunto angolano.
Quando se esperava pelo golo do empate, a Selecção da Gâmbia “fechou o caixão”, numa jogada de contra-ataque, aos 88 minutos, com Suleiman Marreh a tirar proveito de mais um desacerto da defesa angolana, que deixou Tony Cabaça desamparado diante de três dianteiros contrários.

Recuperar a equipa

Pedro Gonçalves orienta hoje uma sessão de treino para a recuperação do grupo, visando o desafio com as Panteras do Gabão neste domingo à noite, no Estádio de Franceville, província de Hant-Ogooué, referente à segunda jornada da prova.
Os Palancas Negras devem seguir sábado para a cidade de Franceville, depois do almoço em Luanda. Após a chegada efectuam o habitual e tradicional treino de reconhecimento e adaptação ao piso de jogo. Para a conclusão da primeira ronda do grupo, os Leopardos da República Democrática do Congo (RDC) e Panteras do Gabão defrontam-se hoje, às 20h00, no Estádio dos Mártires, na cidade de Kinshasa.

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