Desporto

Qualidade de Hélder Martins convence cúpula da arbitragem

Honorato Silva | Cairo

A pretensão de Hélder Martins abandonar a actividade no final da 32ª edição da Taça de África das Nações em futebol, no Egipto, foi reprovada pela cúpula da arbitragem da Confederação Africana (CAF), que aconselhou o juiz internacional angolano a preparar a presença no CHAN, já o próximo ano, e no CAN de 2021, nos Camarões.

Juíz está no quadro da Federação Internacional de Futebol Associado (FIFA) há 11 anos
Fotografia: José Soares | Edições Novembro

Segundo apurou o Jornal de Angola, no Cairo, o desempenho do árbitro, que se mostrou indisponível no contacto feito ontem, para confirmar a informação, convenceu os responsáveis pelo sector, que não abrem mão da capacidade física e do seu posicionamento em campo.
O referido comité defende que Angola não está em condições de substituir Hélder Martins, no imediato, de modo que confia ao juiz a responsabilidade de começar a preparar um sucessor, a ser lançado dentro de dois anos. Para os decisores da área da arbitragem, é importante segurar os que mais se têm destacado, nas diferentes federações, isso em defesa da coesão do chamado quadro de elite africano.
O internacional, de 42 anos, que desembarcou na cidade do Cairo convicto de que faria o fecho da carreira, esteve em três jogos do CAN. Estreou-se, auxiliado pelo compatriota Jerson Emiliano (1º assistente), no Nigéria-Guiné Conacri, em Alexandria, referente à segunda jornada do Grupo B.
Voltou a apitar nos oitavos-de-final, o desafio Marrocos-Benin, disputado no Estádio Al Salam, no Cairo, em que, apesar do apuramento dos Esquilos para a etapa seguinte da competição, foi criticado pelos adeptos e dirigentes beninenses, que contestaram a expulsão de Abdou Adenon, aos 97 minutos, por acumulação de cartões amarelos, numa eliminatória decidida aos penalties.
Antes tinha sido quarto árbitro no Uganda-Egipto, partida que encerrou o Grupo A, vencido pelos Faraós, com um pleno de vitórias, nos três jogos disputados, vantagem que esteve longe de representar consistência competitiva dos donos da casa, daí o afastamento logo a seguir, frente aos Bafana Bafana da África do Sul.
Há 11 anos no quadro de juízes da FIFA, Hélder Martins soma a segunda presença no CAN de seniores, depois da estreia em 2010, na prova de Angola. Esteve, há dois anos, no CAN de Sub-17 organizado pela Zâmbia, categoria em que apitou igualmente na Argélia, 2009, Ruanda, 2011 (final), e em 2015, no Níger.
Árbitro angolano mais solicitado a nível internacional, em oposição à competição interna, onde fica longo período sem apitar, dirigiu jogos no CHAN de 2011, no Sudão, e 2018, no Marrocos, bem como no Mundial de Sub-17, em 2011, no México.
Na última época, em que quase não foi visto no Girabola, dirigiu a meia-final da Liga dos Clubes Campeões africanos, entre o Mamelodi Sundows (África do Sul) e o Wydad de Casablanca (Marrocos), estágio da competição que atingiu pela primeira vez, após ter estado, um mês antes, nos quartos-de-final da Taça da Confederação, um marco na carreira e na arbitragem angolana.

À espera da lista

Hoje, primeiro dos dois dias de folga, encontrados que estão os semifinalistas, Hélder Martins e Jerson Emiliano ficam a saber se avançam para as meias-finais, ou regressam a casa.
Até ontem à noite, período previsto para a divulgação dos árbitros que seguiriam até à última etapa da competição, reservada à disputa do acesso à final de dia de 19, no Estádio Internacional do Cairo, ao jogo do terceiro lugar e à decisão do título, o comité do arbitragem da Confederação Africana não tinha feito o anúncio.
Além dos dois árbitros, Angola está na prova com o presidente da FAF, Artur Almeida e Silva, como comissário, Raul Chipenda, na Comissão de Desenvolvimento da CAF, e Miller Gomes, na equipa de avaliação técnica.

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