Desporto

Raposas do Deserto apertam cerco à porta do galinheiro

Honorato Silva | Cairo

À entrada da derradeira semana de prova da 32ª edição da Taça de África da Nações em futebol, cujo campeão será encontrado na próxima sexta-feira, no Estádio Internacional do Cairo, a selecção da Argélia aparece com o registo mais consistente, entre as quatro que chegaram às meias-finais, numa clara demonstração do cerco feito pelas Raposas do Deserto à porta do galinheiro, que esconde o precioso troféu.

Argélia mais próximo ao título africano
Fotografia: DR

Comandada por Djamel Belmadi, a equipa argelina, determinada em chegar à segunda consagração, depois do já distante triunfo conquistado em 1990, aparece no topo, em todos itens de apreciação favorável do desempenho dos 24 países, até à disputa quinta-feira da antepenúltima etapa da prova - os quartos-de-final -, para sermos rigorosos, porque o jogo de atribuição do terceiro lugar é um mero formalismo do calendário.
A consistência competitiva da Argélia assenta no talento de Riyad Mahez, médio ofensivo do Manchester City, bi-campeão inglês, contratado o ano passado ao Leicester, por 67,8 milhões de euros, valor muito acima dos 500 mil euros pagos ao AC Le Havre, pela sua transferência de França.
Rais Mbolhi, experiente guarda-redes de 33 anos, suporta a coesão defensiva das Raposas do Deserto, atrás de um quarteto formado por Youcef Atal, Amir Bensebaini, Aissa Mandi e Djamel Benlamri, cujo desempenho garante o registo de apenas um golo sofrido, em cinco jogos disputados.
A segurança da defesa, com a contribuição significativa dos médios Ismael Bennacer e Sofiane Feghouli, é compensada pela boa safra do ataque, dinamizado por Adlene Guedioura e Mahez, nos flancos, enquanto Youcef Belail e Baghdad Bounedjah pressionam os centrais contrários. Do banco salta Yacine Brahimi, do FC Porto, como suplente de luxo, simbiose que justifica o melhor ataque da prova, 10 golos apontados, média de dois por desafio.

Baptismo de sonho

O surpreendente Madagáscar, que no ano de estreia assaltou os quartos e bateu à porta das meias-finais, deu corpo à boa campanha com o segundo melhor registo ofensivo, 7 golos, números atingidos pelo trio de selecções calejadas, formado pela Nigéria, Senegal e Costa do Marfim.
A supremacia argelina está igualmente expressa nos quesitos Mais Goleadas (duas), Mais Vitórias (quatro), à semelhança da Nigéria e do Senegal; e Menos Derrotas (nenhuma), a par da Tunísia, Ghana e Marrocos. Nos Melhores Marcadores, tem Adam Ounas no topo, com três golos apontados, os mesmos do senegalês Sadio Mané, do nigeriano Odion Ighalo e do congolês democrata Cédric Bakambu.
Pelo que tem apresentado, a Nigéria do alemão Gernot Rohr é o grande obstáculo dos argelinos na caminhada rumo ao título, por isso o jogo de amanhã às 20h00, no Estádio Internacional do Cairo, será uma verdadeira final antecipada, por colocar frente-a-frente as duas selecções mais consistentes do CAN, quando antes, às 17h00, Senegal e Tunísia discutem o outro passe.
Se as Raposas do Deserto sobreviveram, nos penalties, ao peso dos Elefantes da Costa do Marfim, as Super Águias foram obrigadas a colocar o voo em potência máxima, para contornar a ousadia dos Bafana Bafana da África do Sul, os “rapazes do Cairo” liderados por Stuart Baxter, que saem do Egipto com o mérito de terem colocado os Faraós fora de casa, ainda nos oitavos-de-final, fase em que os nigerianos eliminaram os Leões Indomáveis dos Camarões, detentores do título.
Foram disputados 48 dos 52 jogos da Taça das Nações, com um registo de 96 golos, média de 2.00 por partida. O resultado típico é (1-0), assinalado em 9 ocasiões. No capítulo disciplinar, o Benin (13 amarelos e 1 vermelho) apresenta o pior comportamento, seguido muito de perto pela África do Sul (11 amarelos) e Costa do Marfim (10 amarelos).

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