Desporto

Realisticamente afastada umbilicalmente presente

Anaximandro Magalhães

Realisticamente afastada, África continua, umbilicalmente, representada na 21ª edição do Campeonato do Mundo de Futebol, Rússia’2018, por via da França e da Bélgica, selecções que hoje discutem o apuramento para a final do próximo domingo, e integrada por muitos jogadores oriundos do continente berço da humanidade.

Problemas sociais e de instabilidade política, despoletando sucessivas guerras, causaram a desagregação de muitas famílias africanas, propiciando a emigração e fuga de cérebros. Saídos de nações flageladas, boa parte dos pais dos craques, com alguns deles ao colo, tiveram a Europa como destino.
Outros (as), emigrados (as) sem filhos acabaram,  por eleger parceiros (as) e consequentemente formar novas famílias, advindo daí, a procriação. Razão pela qual, alguns dos prodígios do futebol Mundial terem optado pela nacionalidade da mãe, na sua maioria europeia.
À guisa de exemplo, está o basquetebolista da equipa norte-americana dos Houston Rockets, da NBA, a liga mais mediática do Mundo, Clint Kapela, 22anos, descendente de pai angolano e mãe congolesa. Clint nasceu na Suíça e adoptou a referida nacionalidade.
Mais de metade dos intervenientes na partida desta noite é oriunda de diferentes continentes, com África a predominar sobre qualquer outro. Os franceses são os maiores beneficiados, por conta de África e dos seus departamentos ultramarinos, realce para Reunião, Mayotte e Martinica. Dos 23 integrantes da equipa Blues, 15 têm ascendência africana.
Blaise Matuidi, 31 anos, é filho de pai angolano e mãe congolesa. Paul Pogba, a principal referência dos compatriotas de Zinedine Zidane é filho de guineenses.
Kylian Mbappé (19) é filho de camaronês, tal como Samuel Umtiti (24). Steve Mandanda nasceu em Kinshasa, há 33 anos. Steven N’zonzi (29) e Presnel Kimpembe (22) são oriundos de pais congoleses democratas. Benjamin Mendy (23) é senegalês, Djibril Sidibé (25) tem dupla nacionalidade, maliana e francesa.
Alphonse Aréola, 25 anos, é o único com descendência asiática, filipina. N’golo Kanté (27) é de origem maliana, Ousmane Dembelé (21) é franco-mauritano. Adil Rami (32) é marroquino e Corentin Tolisso (23) togolês.
Os belgas têm menos naturalizados em relação ao adversário. Destaque para Vincent Kompany (32 anos), Michy Batshuayi (24), Youri Tielemans (21), Romelu Lukaku (25) todos oriundos de ascendentes congoleses democratas. Yannick Carrasco (24), português, belga e espanhol, Zakari Bakkali (22), marroquino, Nacer Chadli (28) e Marouane Fellaini (30) são os outros marroquinos no plantel dos “Diabos Vermelhos”.
Um dos meus dois sonhos desportivos é assistir uma selecção africana sagrar-se campeã do Mundo de Futebol e de basquetebol. Pensava que a minha fantasia fosse tornar-se realidade na presente edição do campeonato, Rússia’2018. Terminado o sonho, restam-me franceses e belgas para consolo.

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