Desporto

Sonolência do 1º de Agosto ameaça conquista do penta

Honorato Silva

A sonolência registada na disputa dos jogos da segunda volta do Girabola, depois da eliminação da Liga dos Clubes Campeões Africanos, sem qualquer vitória nas seis jornadas cumpridas na fase de grupos, põe em risco a conquista do inédito penta perseguido pelo 1º de Agosto, no futebol angolano.

Militares registam quebra de desempenho desde o início da segunda volta do campeonato
Fotografia: Vigas da Purificação |?Edições Novemvro

O insucesso na competição continental parece afectar o plantel às ordens do bósnio Dragan Jovic. Quando consegue superar as hesitações no processo defensivo, fragilizado pela ausência de Bobó, lesionado, a equipa rubro e negra peca na finalização, muito por força do desacerto de Mabululu e Lionel Yombi, as referências do ataque.
A derrota (0-1) frente ao Recreativo da Caála, domingo no Estádio Mártires da Canhala, no Huambo, marcou a 21ª jornada do Campeonato Nacional, por confirmar a mudança de inquilino no comando da tabela classificativa, agora em posse do Petro de Luanda, com 43 pontos.
Relegados para a segunda posição, os militares do Rio Seco, 42 pontos, podem ficar a quatro da liderança, em caso de máximo aproveitamento dos tricolores, nos jogos em atraso diante do Progresso Sambizanga e do Desportivo da Huíla. Mas o quadro pode ganhar contornos mais complexos, se os detentores do título forem incapazes de contornar, na quarta-feira, o ascendente competitivo do Sagrada Esperança de Rock Sapiri.
O tombo do 1º de Agosto começou a ser desenhado quan-
do do empate (1-1), no terreno do Ferroviário do Huambo, um encontro dos extremos da classificação, o topo e a cauda. A confirmação do enguiço do dominador da prova nos últimos quatro anos surgiu em casa, com a igualdade (0-0) frente ao Santa Rita de Cássia, último classificado, fraqueza mal dissimulada pelo triunfo (1-0), na visita ao Desportivo da Huíla.

Confusão de ideias
A falta de intensidade na disputa da bola e a confusão de ideias no lançamento do ataque, numa postura previsível, anulado com naturalidade pelas defesas contrárias, ex-põem as dificuldades da equipa, hoje órfão da vivacidade e exuberância características do seu futebol.
Para muitos adeptos, Dragan Jovic tem evidenciado imprecisões na escolha dos jogadores. A presença de Paizo, lateral esquerdo, no lado oposto, a suprir a indisponibilidade de Isaac, única opção de raiz, bem como a entrada de Ary Papel no centro, quando o avançado rende mais nos corredores.
No meio campo, Macaia deixou de responder às exigências da posição, à semelhança de Mongo, Kila e Atouba. Mário é utilizado de modo intermitente , enquanto Buá exibe fogachos de criatividade e de competência na organização do jogo.
As limitações do plantel, pelas carências em várias posições, adensam as fragilidades dos tetra-campeões. Ao soar dos alarmes, os militares concentram-se no trabalho, à procura da forma de manter viva a aposta no quinto triunfo consecutivo, feito único em posse dos tricolores.
A saída de Show, emprestado pelo Lille de França ao Belenenses SAD de Portugal, é apontada como uma das razões da quebra exibicional do 1º de Agosto. A direcção do clube atribui o abrandamento à saída das Afrotaças, a julgar pela ambição de repetir a presença nas meias-finais, assinada há duas épocas.
O Girabola regista, neste momento, um cenário a apontar para a possibilidade de ser repetido em Angola a frustração vivida pelo Sport Lisboa e Benfica em Portugal, ao ver o FC Porto impedir o surgimento de um novo penta-campeão. Com nove jornadas por disputar, o Girabola pode seguir animado até ao fim.


Ferrovia do Huambo supera Progresso Sambizanga
A vitória ontem, por 1-0, na recepção ao Recreativo do Libolo, permitiu ao Ferrovia do Huambo superar o Progresso Sambizanga, na ta-bela classificativa, passando o peso do risco de descida ao Santa Rita e ao Cuando Cubango FC.
Os locomotivas orientados por João Pintar da Silva, expulso alegadamente por proferir palavras injuriosas, passam a somar 18 pontos, na 12ª posição, contra os 17 dos sambilas, homenageados ontem no carnaval de Luanda, pelo União Operário Kabocomeu.
O factor casa deu força aos planálticos, apostados em abandonar a zona de despromoção. O golo de My, aos 16 minutos, foi a justa recompensa à entrega do Ferrovia, ante à formação do Cuanza-Sul condicionada pelas dificuldades financeiras.

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