Desporto

Talentos impressionam na África do Sul

Armindo Pereira

Trata-se das campeãs nacionais Mirian Tuluca (sub-12) e Gabriela Martins (sub-14), bem como de Edvirgem Tuluca, Clewson Tipewa e Paulo Binga (estes do escalão de sub-16), no quadro de uma parceria existente entre a agremiação angolana e a referida academia.

Fotografia: DR

Em declarações ao Jornal de Angola, aquele responsável sul-africano não escondeu o quão impressionado ficou com as qualidades técnicas demonstradas pelas crianças. O convite de uma das academias mais prestigiadas da África do Sul foi extensivo a atletas da Nigéria, Zimbabue e Botswana.
Madeba, contactado pelo Jornal de Angola, considerou que o potencial, por ele identificado, poderia ser maior não fosse a falta de competições regulares em Luanda. “Eles precisam é ter mais jogos nas pernas para atingirem níveis mais altos”, analisou.
A caravana chefiada por João Almeida, director técnico do KVC, foi integrada igualmente pelos atletas Marcelo Red, Niria Calunga e Mário Binga, além de José Almeida e Paulo Sérgio, treinador principal e adjunto, respectivamente.
A maior parte dos jovens são provenientes de Viana e Kifica, nos arredores da sede do KVC, todos integrados no projecto social de massificação do ténis há seis anos voltado para as crianças daquela comunidade.
“O Paulo tem um talento natural, tal como o Edvirgem, com ginga de jogador nato. Apesar do seu tamanho movimenta-se muito rápido. Marcelo tem uma boa sacada com a esquerda, além do seu físico, assim como a Gabriela, que percebe o movimento com facilidade e denota muita paixão pelo ténis”, detalhou Prince Madeba.
Várias vezes campeões nas respectivas categorias, as crianças foram a África do Sul num programa traçado durante a pausa pedagógica que tiveram.
“Embora o nosso objectivo seja formar campeões, esta não é a nossa maior satisfação. Temos feito o acompanhamento escolar e fornecemos o material escolar, porque muitos são filhos de pais com parcos recursos. Nós formados atletas, mas não há satisfação maior saber que contribuímos para formar homens para a sociedade”, ressaltou João Almeida.
Para o treinador sul-africano, os jovens de 16 anos já deviam estar a competir em provas sob a égide da Federação Internacional de Ténis (na sigla em inglês ITF). “Certamente que João Almeida vai levar daqui esta preocupação e apresentá-las a quem de direito, para encontrar formas de ajudar estas crianças”, disse.
As crianças, segundo ainda o director da Academia de Alto Rendimento da Universidade de Pretória, foram minuciosamente avaliadas, havendo garantia de possuírem talento de classe mundial, em termos de compreensão da táctica. Isso, de alguma forma, facilita o trabalho de quem as acompanha.
“Elas precisam de melhorar tecnicamente, sobretudo no capítulo da movimentação. Se dependesse de mim já não regressariam para Angola, mas vou deixar essa questão com o director João Almeida, para abordar isso com as autoridades angolanas. Estamos dispostos a fazer preços especiais, abaixo da tabela aqui praticada”, disse Madeba, que se mostrou disposto a negociar.
Dentro do projecto de potenciar atletas, João Almeida revelou que a direcção do KVC vai procurar enviar atletas para aquele centro, durante as férias escolares. Este foi o segundo grupo de atletas angolanos a ir a Pretória, depois do primeiro em 2016.
Actualmente, o KVC possui dez atletas a competir profissionalmente e 20 na formação, num projecto que teve início em 2014.
Além da Academia de Alto Rendimento da Universidade de Pretória, as parcerias do KVC estendem-se aos centros de formação da Ferner, em Caldas da Rainha e Beleuro, ambas em Portugal.
De forma a dar maior rodagem competitiva aos atletas, o KVC tem feito torneios internos, dos quais dois Nacionais e um Master. João Almeida garantiu que esforços estão a ser desenvolvidos para materializar uma prova de cariz internacional.

O projecto social

A direcção do Kikuxi Village Club procura fazer do ténis uma ferramenta de inclusão social para crianças de famílias modestas. A inserção no sistema normal de ensino é uma das condições exigidas, caso queiram fazer parte da formação desportiva.
O desporto é entendido como um dos valores humanos para uma vida plena e para a construção de uma sociedade justa e igualitária. Todo material usado, desde bolas a raquetes, é de inteira responsabilidade da agremiação.
Os treinos são realizados no campo polivalente do Benfica e no Kikuxi Village. De 2014 para cá, os resultados desta aposta reflectiram-se nas conquistas dos mais diferentes torneios, taças e campeonatos nacionais.
Nesta trajectória vitoriosa, o KVC já representou o país nos campeonatos da Zona V, no Botswana, obtendo três títulos. Outros quatro títulos foram alcançados na Namíbia. Na primeira ida a África do Sul, os atletas puderam compartilhar experiências do projecto Social Ténis no Soweto, na periferia de Joanesburgo, além de conhecer novas culturas.
A escola acredita que todas as pessoas são capazes de mudar para melhor através do desporto. César Manaça, que chegou ao clube com apenas 8 anos, é um exemplo disso. Possuía um comportamento agressivo para com os colegas, tinha dificuldade de socialização, era conflituoso mas apresentava um instinto de liderança nato, porém, voltado para práticas menos boas, como nos relata João Almeida.
“O projecto acolheu o César, ele tornou-se num grande desafio para nós e, apesar de todas as dificuldades, valeu a pena. Hoje é um dos nossos campeões e uma promessa para o ténis nacional”.

 

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