Desporto

Transparência das associações domina programa de Infantino

Honorato Silva*

A mais alta entidade da Federação Internacional de Futebol Associado (FIFA), o advogado italo-suíço Gianni Infantino, desembarca hoje às 13h25 em Luanda, para uma visita de dois dias a Angola, na qual será informado do grau de execução dos programas de desenvolvimento da modalidade no país, nomeadamente a formação, em ambos os sexos.

Líder da entidade reitora do futebol mundial deixou verbas para projectos em Moçambique
Fotografia: Fifa.com

A inclusão de Angola no roteiro do périplo africano da comitiva do líder máximo da gestão do “desporto rei” é um sinal de confiança no país, numa fase em que a instituição faz uma aposta clara no desenvolvimento da modalidade no continente, como fez questão de sublinhar hoje Infantino, na cidade de Maputo, à saída do encontro com os dirigentes desportivos moçambicanos.
“Hoje os africanos conhecem mais as ligas europeias que as africanas. Não é normal! Conhecem mais os jogadores europeus que os africanos. Não é normal! Temos de investir como FIFA. Os africanos investem mais no futebol europeu que no africano. Temos de mudar esta mentalidade. Temos de fazer brilhar África. Vamos trabalhar juntos, com a CAF e as federações. Fazer algumas propostas, para que o futebol africano seja um dos maiores no mundo. Não apenas com os jogadores que jogam na Europa, mas também o movimento futebolístico em África. Hoje temos uma nova FIFA. A transparência e a boa gestão financeira são fundamentais”, disse aos jornalistas.
A agenda da visita reservava, para amanhã as 17h00, um encontro com ministra da Juventude Desportos, Ana Paula do Sacramento Neto, que acabou por ser cancelado. Em final de mandato, o elenco directivo da Federação Angolana, encabeçado por Artur Almeida e Silva, bate-se pela criação de um centro de treinos das selecções nacionais, no Campo de S. Paulo, no distrito urbano do Rangel.

Recado para África

A presença de Gianni Infantino na capital moçambicana foi transformada num momento de comunhão, dominado por uma forte mensagem de esperança: “Estamos preocupados com o desenvolvimento do futebol, incluindo o feminino, porque vocês têm tudo em Moçambique. Têm talento, têm coração, têm paixão. Talento enorme, incrível e natural. O trabalho que temos de fazer é assegurar que os investimentos possam beneficiar e fazer brilhar esse talento no mundo”.
Determinado e convicto no discurso, o presidente da FIFA apontou a união como a chave do sucesso. “Podemos fazer brilhar o futebol de Moçambique, o futebol de África, como dizia o presidente (CAF) Ahmad Ahmad, também no mundo inteiro. Necessitamos do trabalho de todos. O futebol é muito mais que um desporto. São valores, integridade, lealdade, transparência. Jogar e ganhar em equipa. Também perder, para levantar-se e ganhar outra vez. Temos de nos projectar para o futuro”.
Ao olhar para o passado, Infantino afirmou que não seria presidente, sem os escândalos de corrupção registados na instituição, que lamentou. “Mas não queremos regressar a este tempo. Queremos olhar para frente, investir no futebol do futuro. A FIFA hoje, graças a esses investimentos, está muito mais sólida e mais forte que nunca. Investimos cinco vezes mais do que se investia anteriormente. Investimos em infra-estruturas, em competições. Investimos em Moçambique e em toda a África. Vamos trabalhar juntos!”
Na primeira pessoa, sublinhou que como presidente da FIFA crê muito no continente. “Talvez mais que os africanos, porque estou, nos últimos anos, a viver uma realidade, a de África, onde o futebol é incrível. Todos jogam. São todos apaixonados. Há um talento natural incrível. Como é possível não podermos transformar esse talento em resultados concretos? É possível. Não trabalhámos bem no passado. A culpa é dos dirigentes. Agora trabalhamos. Investimos. Estou a viajar nesses dias por África, para passar essa mensagem importante. Temos de crer em África. Investir em África”.

Poliglota apaixonado pela organização do futebol

Giovanni Vicenzo Infantino nasceu em Briga-Glis, uma comunidade alemã da Suíça, a 23 de Março de 1970. Tem ascendência italiana. Já na Universidade de Neuchâtel, onde estudou Direito, era secretário-geral do Centro Internacional de Estudos do Desporto (CIES).
Passou pelas áreas jurídicas de Ligas de futebol de Espanha, Itália e Suíça, antes de chegar à União Europeia (UEFA), em 2000. As reuniões com dirigentes de diversas nacionalidades não constituem problema.
Infantino fala italiano, francês, inglês, alemão e espanhol. Um dos projectos de destaque do dirigente italo-suíço na UEFA foi a implementação do “fair play financeiro”, que proíbe os clubes europeus de gastar mais do que arrecadam durante a época, de modo a acabar com a inflação do mercado.
*Com Internet

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