Desporto

Treinadores finalistas do CAN jogaram pelas suas selecções

Honorato Silva| Cairo

Coincidências e semelhanças marcam o percurso desportivo de Aliou Cissé (Senegal) e Djamel Belmadi (Argélia), treinadores finalistas da 32ª edição da Taça de África das Nações em futebol, sexta-feira, no Estádio Internacional do Cairo. O primeiro ponto de contacto, entre os dois, aparece no zodíaco.

Fotografia: DR

Nativos de Áries (Carneiro), Cissé (24 de Março) e Belmadi (27) têm na coragem, determinação, confiança, entusiasmo, optimismo, honestidade e ímpeto passional os pontos fortes do signo, que, no sentido oposto, os descreve como pessoas impacientes, temperamentais, impulsivas, agressivas e de fácil aborrecimento.
Separados por três dias, os treinadores nasceram em 1976. O dos Leões da Teranga em Zinguinchor (Senegal) e o das Raposas do Deserto em Champigny-sur-Marne (França). São ambos cidadãos franceses, por dupla nacionalidade.
Aos 43 anos, os finalistas do CAN partilham igualmente o início da carreira no futebol francês, tendo actuado no Paris Saint-Germain. Jogaram em Inglaterra; Aliou Cissé pelo Portsmouth e o Birmingham, enquanto Djamel Belmadi defendeu as cores do Southampton e Manchester City.
O meio campo é um sector que dominam, por terem jogado como médios, o senegalês com missões defensivas e o argelino mais virado ao ataque. Aliás, o registo de 10 golos em 249 desafios disputados, do seleccionador dos Leões, e 29 tentos marcados em 239 partidas, do líder técnico das Raposas, atesta a vocação de um e de outro nos balanços de jogo.
Com a camisola das selecções, Cissé ficou em branco num total de 28 partidas, mas exibe a presença na equipa do Senegal, que surpreendeu a tribo do futebol, ao chegar aos quartos-de-final no Mundial’2002, realizado no Japão e na Coreia do Sul. A vitória (1-0) na es-treia, sobre a França que de-fendia o título, fez correr rios de tinta, com a imprensa especializada a satirizar, apoiada na ideia de que os B derrotaram os A, dado o facto de o grosso dos atletas senegaleses ter sido chamado do futebol francês.
Belmadi efectuou 20 partidas pela equipa nacional e agitou as redes cinco vezes. No entanto, é no papel de estratega que os “carneiros” têm feito a diferença, a julgar pelo percurso das respectivas equipas na campanha de apuramento, nos grupos preliminares e na fase do “perde fora”, daí ser de todo justa a distin-ção como treinadores das selecções mais competitivas da prova africana, cuja presença na final afasta qualquer contestação. Pelo contrário, merece o aplauso e o reconhecimento dos adversários.

Aposta na diáspora

Para não variar, os técnicos voltam a coincidir nas escolhas feitas para a viagem às terras dos faraós, que está a ser mais do que uma agradável visita às pirâmides de Gizé ou ao Museu do Egipto. A preferência de ambos recai para jogadores a evoluir no exterior, nomeadamente na Europa, por isso, dos 26 jogadores chamados, na junção dos dois planteis, apenas um, o argelino Hichem Boudaoui (Paradou AC da Argélia), compete em África.
Quiçá influenciados pela ligação à França, a segunda pátria, Aliou Cissé e Djamel Belmadi estão no Egipto com 15 jogadores do futebol francês, o que perfaz 57,6 por cento dos convocados. O Senegal, com (8), tem do Rennes (3), Nimes, Amiens, Stade de Reims, Bordeaux e Valenciennes, um cada.
Na Argélia, o Rennes deu dois, seguindo-se Metz, Lems, Nice, Dijon, Brest e Montpellier, todos com um atleta. O encontro entre os países, que estão a privilegiar a posse de bola, com o controlo dos ritmos de jogo, saldou-se numa vitória dos magrebinos, por 1-0, na segunda jornada do Grupo C.
Sadio Mané e Riyad Mahez, rivais em Inglaterra, ao serviço do Liverpool e do Manchester City, respectivamente, comandam os Leões da Teranga e as Raposas do Deserto.

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