Desporto

Vasiljevic guarda no coração força interior dos angolanos

Honorato Silva

Na véspera do regresso à Sérvia, hoje à tarde, via Dubai, Srdjan Vasiljevic, ex seleccionador nacional de Honras de futebol, deixou ontem uma palavra de apreço ao povo angolano, pela forma como foi acolhido durante o período em que esteve no comando dos Palancas Negras.

Treinador leva saudades e deixou palavra de apreço pela forma como foi acolhido em Angola
Fotografia: Contreiras Pipa | Edições Novembro

“Nunca gostei de criar amizades por interesse com os jornalistas. A crítica, com boas intenções, é bem-vinda. Aceito e gosto dessas críticas. Se existe razão e motivo para ser criticado, então devo ser criticado. Nunca fiquei zangado, nem reagi mal, quando as críticas foram negativas, com razão. Aceitei sempre e tentei entendê-las, como advertência, para eu poder também crescer com isso. Mas, fiquei decepcionado, quando voltámos do CAN. Não fui chamado por nenhum dos jornalistas, para falarmos da nossa prestação. Tentar fazer entender à Nação aquilo que foi positivo e negativo. O que faltou para passarmos da fase de grupos, como também falar dos meus erros”, desabafou o treinador contratado em Dezembro de 2017, em substituição do hispano-brasileiro Roberto Bianchi.
Aos atletas, o técnico pediu o reforço da entrega que permitiu Angola subir mais de 20 lugares no “ranking” da FIFA. “O povo angolano tem uma coisa especial. Nunca desiste de lutar. Uma força interior muito forte. Os jogadores sabem que é primeiro pela alegria do povo que deixam tudo em campo. Unidos continuarão a progredir”.
Determinado em resistir à tentação de “lavar a roupa” em público, Vasiljevic preferiu realçar os aspectos positivos: “A minha maior satisfação foi ter tido a oportunidade de trabalhar em An-gola. Agradeço a todos os jornalistas, os adeptos, a população no geral, bem como os presidentes dos clubes e, de certa forma, o presidente da Federação, por me ter dado a oportunidade de vir aqui. A realidade é essa. Foi ele quem me trouxe. Vou agora descansar. Mas estarei aberto a convites. Gosto de Angola e do seu povo.”

Imagem forjada

Depois do ambiente conturbado vivido durante a preparação, em Portugal, e disputa da última Taça de África das Nações, no Egipto, a preliminar do CHAN merece destaque, pela negativa, na avaliação feita por Srdjan Vasiljevic.
“O que me tocou mais foram algumas informações divulgadas nos media, a tentar fazer de mim uma pessoa negativa, que não respeita a Nação. Foi dito que tratei dirigentes da Federação como se fosse lixo. Isso não é verdade. Nunca rejeitei estar à frente da Selecção Nacional, no jogo com eSwatini. Tive antes um encontro individual com o vice-presidente, onde ele me mostrou algumas listas, a propor novos jogadores. Naquele momento não podia aceitar aquilo, porque a equipa nacional de um país tem de ter os seus melhores jogadores do momento. Por isso é que se chama selecção ou representação do país”, explicou.
No encontro da discórdia, disse o treinador, apareceu um grupo de pessoas com a qual nunca tinha abordado a chamada de atletas. “Pedi que mandassem as convocatórias de acordo com a lista que fiz para os clubes e, quando respondessem e justificassem por que é que os jogadores não poderiam comparecer, aí faríamos o plano B. Entretanto, tentaram me convencer com a ideia de que os treinadores desses clubes estavam a propor certos jogadores. Aí perguntei às pessoas que estavam na reunião se sabiam que os jogadores propostos não tinham jogado um único segundo pelo 1º de Agosto. Como é que os levaria para a Selecção?”

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