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Aumento de casos preocupa Tômbwa

Manuel de Sousa | Tômbwa

O baixo índice de captura de pescado, associado a factores climáticos, está na base do aumento do número de casos de tuberculose no Tômbwa, disse, ao Jornal de Angola, o chefe de repartição de saúde do município.

A falta de um bloco operatório e de um banco de sangue no hospital municipal do Tômbwa é a grande preocupação do momento
Fotografia: Afonso Costa | Tômbwa

O baixo índice de captura de pescado, associado aos factores climáticos, está na base do aumento vertiginoso do número de casos de tuberculose no Tômbwa, disse, ao Jornal de Angola, o chefe de repartição de saúde do município.
A tuberculose é uma das patologias mais frequentes nos hospitais do município do Tômbwa, a par da malária e do HIV/sida, e das principais causas do aumento do número de óbitos.
“No nosso município, os casos de tuberculose estão a aumentar significativamente devido ao baixo nível de vida das populações”, frisou António do Rosário
O director do Hospital Municipal do Tômbwa, Hélder Buta, referiu que “a tuberculose ganha mais ênfase entre as epidemias predominantes na região” por ser uma doença provocada pela pobreza.
“Quando não temos emprego para toda a gente, já que esta zona não pode dar muito mais senão a pesca, surgem esses casos”, disse, sublinhando:
“Há muita gente que trabalhou nas pescas e que hoje não encontra emprego devido à paralisação de infra-estruturas em terra”.
Por causa do desemprego nas pescas, declarou, muitos antigos trabalhadores do sector consomem bebidas alcoólicas em excesso e outras drogas, não se alimentando convenientemente e desgastando o organismo, o que reduz os elementos de defesa.
“A falta de imunidades no organismo faz com que as doenças oportunistas entrem no organismo e uma delas é a tuberculose, que chega sempre no organismo pobre de imunidades”, referiu.

Hábitos alimentares

A pobreza, alertou, não é só a falta de recursos financeiros, mas também quando se tem o mínimo para se sustentar e não se os usa devidamente porque se está dependente da bebida e de outras drogas para supostamente esquecer as vicissitudes por que se passa.
“Este é um dos principais factores do aumento do número de casos de tuberculose, já que a nossa população bebe muito e não come em condições”, salientou, avisando:
“É preciso que as pessoas dêem importância à alimentação, saberem o que devem comer, quando e onde o devem fazer”.
“Temos conhecimento de pessoas que têm o mínimo de possibilidades de se alimentarem, mas que não o fazem e preferem bebidas caseiras - bulunga e caporroto – a pensar que se saciam, mas falta-lhes a percepção da importância de uma alimentação segura, que dá proteínas, vitaminas e energia ao organismo”, lamentou.

Mortalidade infantil em baixa

Fruto do programa do Executivo de redução da mortalidade infantil, o município piscatório do Tômbwa tem registado poucos casos de mortes de crianças.
“O Executivo disponibilizou 191 milhões de kwanzas para as repartições municipais, verba que foi distribuída às administrações, e estamos com isso a melhorar os nossos serviços de cuidados primários de saúde”, disse António Rosário, revelando:
“O comité de controlo e prevenção da luta contra a mortalidade materno infantil e perinatal no Tômbwa tem vindo a criar condições e a mostrar às pessoas que é necessário, cada vez mais, ter comportamentos saudáveis”.

Falta de quadros

A falta de profissionais de saúde é uma das grandes preocupações do sector no município, afirmou António do Rosário.
Em termos de recursos humanos, referiu, o sector da saúde vive um autêntico “quebra cabeças”, principalmente nas áreas de farmácia e raio-x e existe um défice de técnicos de diagnóstico e de terapeutas.
No Tômbwa, lembrou, há dois farmacêuticos e nenhum médico nacional, falta que é colmatada por especialistas cubanos.
A falta de um bloco operatório e de um banco de sangue no hospital municipal do Tômbwa é outra preocupação do chefe de repartição de saúde.
“Juntamente com a administração municipal, estamos a tentar resolver, o mais rápido possível, a questão do bloco operatório e depois a da falta de um banco de sangue. Uma transferência do hospital municipal para a sede da província são 93 quilómetros, o que dificulta os tratamentos, principalmente nos casos de partos difíceis”, disse.
A repartição de saúde e a administração municipal, disse, têm realizado um conjunto de acções de reabilitação e apetrechamento das unidades sanitárias, de acordo com as verbas destinadas aos cuidados primários de saúde.
António Rosário garantiu que tem sido dado todo apoio à população, desde a distribuição dos anti-retrovirais, para os doentes com HIV-Sida, aos medicamentos para combater a tuberculose, passando acções de sensibilização para as pessoas terem um comportamento responsável e cumprirem as orientações médicas.
O Hospital Municipal do Tômbwa construído, na década de 1950, para uma população de cinco mil habitantes, 60 anos depois, frisou, requer uma infra-estrutura hospitalar com capacidade para 160 camas, bloco operatório e todos os serviços inerentes a um estabelecimento da dimensão da vila, tendo em conta, também, o Projecto de Reforço do Serviço Municipal de Saúde levado a cabo pelo Executivo. O objectivo global do Projecto de Reforço do Serviço Municipal de Saúde (MHSS) é melhorar o acesso da população aos serviços de cuidados da saúde materna e infantil, bem como a sua qualidade.
O projecto apoia um modelo integrado de prestação de serviços de saúde com um pacote de intervenções destinadas a reduzir a mortalidade infantil e materna, levando os serviços de saúde para junto da população, através de trabalhadores da saúde externos e comunitários.

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