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Captura de peixe no Kwanza-Sul com níveis baixos

Manuel Tomás | Sumbe

O índice de captura do pescado, no primeiro semestre do corrente ano na província do Kwanza-Sul, cifrou-se em 2.981 toneladas, prevendo-se um acréscimo nos níveis de captura com o levantamento parcial da proibição da pesca do carapau.

As capturas sofreram um decréscimo pelo facto de alguns proprietários de embarcações se transferirem para a região de Benguela
Fotografia: Jornal de Angola

O índice de captura do pescado, no primeiro semestre do corrente ano na província do Kwanza-Sul, cifrou-se em 2.981 toneladas, prevendo-se um acréscimo nos níveis de captura com o levantamento parcial da proibição da pesca do carapau.
As capturas sofreram um decréscimo pelo facto de alguns proprietários de embarcações se transferirem para a região de Benguela e Namibe, alegando a existência naquela zona de enormes recursos piscatórios e melhores condições de armazenamento do pescado, com estruturas de frio em funcionamento.
O director provincial das Pescas do Kwanza-Sul, Miguel Joaquim Vicente, que prestou esta informação à reportagem do Jornal de Angola, disse que a pesca artesanal produziu no primeiro semestre 1.622 toneladas, a industrial 1.151 toneladas, enquanto na semi-industrial as capturas atingiram 208 toneladas.
Miguel Vicente disse que o sector conta com uma frota operacional de 603 barcos, distribuídos pela pesca artesanal, com 503 unidades, 97 na industrial e três na pesca semi-industrial, que usam artes de cerco, arrasto, de malhar e de linha.

Reactivação das peixarias
 
Miguel JoaquimVicente reconheceu que há escassez de pescado devido à inexistência de estruturas de frio e de uma rede de distribuição formal do peixe aos consumidores, situação que faz com que a maior parte do produto capturado localmente seja comercializado noutras províncias.
Para colmatar a situação, disse, o sector optou pela execução de um programa de reactivação das peixarias, para o relançamento da cadeia de distribuição formal do pescado. A propósito, disse que “existe pouca adesão da parte dos comerciantes locais na actividade da comercialização do pescado”.
Miguel Joaquim Vicente acrescentou que tem havido “insucessos” na sensibilização dos populares no sentido de não procederem à venda do peixe em mercados informais ou locais impróprios sem as mínimas condições sanitárias, por constituírem focos de doenças que atentam contra a saúde pública.
O director das Pescas sublinhou que o programa de reactivação das peixarias já foi remetido ao Governo Provincial, onde obteve um despacho positivo e estão em curso esforços para a sua execução, começando pelo registo dos agentes comerciais qualificados para o exercício desta actividade nos municípios do Sumbe, Porto Amboim e outras localidades.
Concluída a fase de apuramento dos candidatos, disse, os processos são encaminhados para os bancos financiadores. Um papel relevante nas negociações para o financiamento é atribuído ao Fundo de Desenvolvimento da Pesca, que inclui na sua programação o projecto da reactivação das peixarias do Kwanza-Sul.
Miguel Joaquim Vicente anunciou que vão ser dirigidos ao Fundo de Desenvolvimento da Pesca outros pedidos, para financiar a instalação de estruturas de trânsito munidas de condições de frio.
A criação de locais para o armazenamento do pescado para abastecer as peixarias, a instalação de entrepostos em Porto Amboim, Sumbe e, sobretudo, nos municípios mais longínquos, consta das propostas a serem submetidas ao Fundo de Desenvolvimento da Pesca.
Miguel Joaquim Vicente informou que a área da congelação também precisa de apoios, porque continuam paralisados os sistemas de frio das empresas Frimar, Grupo Kabuta, Organizações Cambongo e o complexo de frio do Kicombo.
“O sistema de frio da Peskwanza, empresa com maior capacidade para absorver enormes quantidade de pescado, está a beneficiar de uma grande intervenção, com a instalação de novos equipamentos para repor o seu funcionamento”, referiu o responsável das Pescas no Kwanza-Sul. 
 
Embarcações de pesca
 
Miguel Vicente disse que o sector das Pescas se debate com várias dificuldades de ordem técnica com as embarcações de pesca, devido à falta de um estaleiro na província, razão que faz com que muitos barcos tenham constantes avarias e os seus proprietários são obrigados a recorrer aos estaleiros do Lobito.
Segundo dados estatísticos divulgados pelo director das Pescas, o sector até ao ano passado tinha o registo de 16 embarcações de arrasto, que operavam com uma empresa chinesa, mas apresentavam deficiências técnicas e problemas operacionais.
Denunciou que esses barcos eram utilizados num tipo de pesca de arrasto em parelha, proibida por lei, por isso dez dessas embarcações foram retiradas da faina.
Miguel Vicente acrescentou que estão seis embarcações de pesca de arrasto a operar em parceria com a Peskwanza, três de pesca semi-industrial, uma das quais a operar provisoriamente em Benguela.
São 12 embarcações operacionais, entre estatais e privadas, e a essas junta-se um número não quantificado de embarcações que se ocupam da pesca artesanal, contribuindo para o abastecimento do pescado ao consumidor.
Nesta área, o Fundo de Desenvolvimento da Pesca colocou à disposição dos pescadores agrupados em cooperativas e associações de pesca 34 embarcações e 165 canoas de pesca continental, dotados com motores fora de bordo e outros artefactos de pesca.O director das Pescas referiu que estão a laborar 222 embarcações na pesca artesanal marítima com artes de cerco, 167 com artes de malha e 117 com artes de linha. Por avaria, estão paralisadas 119 embarcações de cerco, 92 de pesca artesanal com artes de malha e 31 de pesca à linha.
Referiu que a pesca fluvial ou continental tem 87 embarcações, e nesta categoria há dificuldades no controlo estatístico devido à inacessibilidade a certas áreas onde residem comunidades que fazem da pesca o seu ganha-pão.
 
Acções programadas

 
O director provincial das Pescas deu a conhecer que para o próximo ano estão previstas acções na área da gestão dos recursos pesqueiros, melhoria das infra-estruturas de apoio à pesca, recuperação da rede de distribuição do pescado, fomento e apoio à pesca artesanal e continental e o reforço da capacidade de fiscalização pesqueira.
Consta igualmente no programa a satisfação das necessidades alimentares no âmbito do programa da redução da fome e pobreza.
Quanto ao fomento e apoio à aquicultura, disse que esta actividade se encontra estagnada por ter pouca adesão, dai reconhecer a necessidade de sensibilizar as comunidades para incentivá-las a abraçar esta actividade.
 
Indústria salineira
 
A indústria do sal, apesar de contar com quatro unidades, localizadas uma no Kicombo (Sumbe) e três em Porto Amboim, decaiu consideravelmente, por razões técnicas provocadas pelas inundações e a invasão das populações vizinhas que utilizam os terrenos à volta para edificação de habitações.
Miguel Vicente frisou que em Porto Amboim há duas unidades que funcionam com regularidade, produzindo sal com normas de higiene e assegurou que o sal produzido é todo iodizado. A falta de vedetas para o patrulhamento, aparelhos de observação náutica e outros meios de fiscalização, transporte, meios isotérmicos, entrepostos, sistemas de frio e armazenamento de grandes quantidades de pescado, são as grandes dificuldades com que se debate o sector.

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