Dossier

Casas sociais no Buco Zau

Bernardo Capita| Cabinda

Um projecto de construção de 150 casas evolutivas do tipo T3 está a ser desenvolvido pelo governo da província de Cabinda nas localidades de Catabuangas e dos Lites, 13 quilómetros a nordeste da vila de Buco Zau.
O projecto, iniciado em 14 de Julho, prevê a construção de 70 casas na aldeia de Catabuangas e de 80 na de Lites para famílias.

Delegação chefiada pelo governador foi até ao Alto Maiombe verificar a evolução das obras de construção na aldeia de Catabuangas
Fotografia: Rafael Tati| Cabinda

Um projecto de construção de 150 casas evolutivas do tipo T3 está a ser desenvolvido pelo governo da província de Cabinda nas localidades de Catabuangas e dos Lites, 13 quilómetros a nordeste da vila de Buco Zau.
O projecto, iniciado em 14 de Julho, prevê a construção de 70 casas na aldeia de Catabuangas e de 80 na de Lites para famílias que, devido à guerra que atingiu a província e a região do Alto Maiombe em particular, se refugiaram na sede do município de Buco Zau e no Congo Brazzaville.
Na aldeia de Catabuangas já estão edificadas 20 casas, enquanto na de Lites, apenas na sexta-feira foi colocada a primeira pedra, numa cerimónia presidida pelo governador Mawete João Baptista.
O responsável pela fiscalização das obras de construção das 70 casas em Catabuangas, Francisco Massanga, disse, ao Jornal de Angola, que se trata de "um projecto concebido para conferir outra imagem à aldeia e dignidade às populações que, no passado, viviam em cubatas de adobe cobertas de capim".
Ao todo, trabalham nas obras, que ficam concluídas em Maio, 115 operários, entre carpinteiros, pedreiros e electricistas.
O administrador municipal adjunto de Buco Zau afirmou o projecto "é uma mais-valia para o processo de realojamento das populações deslocadas desde 1976, que com as obras concluídas são retiradas do enorme sofrimento por que passam". "A instabilidade política e militar até então reinante nesta circunscrição fez fugir, por três vezes, as populações, mas com a reconstrução da aldeia o regresso às zonas de origem fica mais facilitada", referiu José Macaia salientando que as casas em construção naquela que vai ser a "Catabuanga Novo" são de carácter definitivo.
O projecto não contempla apenas os naturais de Catabuangas, mas também habitantes de três aldeias circunvizinhas que, por razões económicas, o governo congregou numa só localidade para permitir a centralização dos serviços e melhorar o aproveitamento de infra-estruturas sociais, como as de educação, saúde, energia e águas. O também administrador municipal em exercício tranquilizou as famílias que eventualmente não venham a receber, nesta primeira fase, as novas casas, assegurando que cada uma delas vai dispor de 45 chapas de zinco e um lote de terreno para autoconstrução dirigida.
O regedor de Catabuangas, Pedro Baza, e da sede de Buco Zau, Filé Boma, falando em nome dos aldeões das suas áreas de jurisdição, disseram que os dois projectos de construção das 150 casas sociais e o da reabertura da estrada entre Quissamano e Necuto, numa extensão de 30 quilómetros, "são bens que demonstram o desejo e o empenho do Executivo e das autoridades de Cabinda na melhoria das condições sociais das populações do interior".
O director do Gabinete de Estudos e Planeamento (GEP) do governo provincial de Cabinda, Tomás Mabiala, natural de Catabuangas, revelou, ao Jornal de Angola, que as 150 casas em construção estão orçadas em 2,97 milhões de dólares, cerca de 18 mil casa uma delas. A sua aglutinação em dois únicos espaços surge, referiu Tomás Mabiala, no quadro das políticas do governo sobre a modernização e desenvolvimento das comunidades rurais, tendo em vista reduzir as grandes assimetrias sociais entre as zonas urbanas e as do interior.
As medidas tomadas, acrescentou, têm o propósito de facilitar a inserção de infra-estruturas económicas e sociais naquelas comunidades para permitir o crescimento socioeconómico harmonioso das regiões do interior.
O projecto, garantiu, prevê a criação de infra-estruturas, como água potável e luz eléctrica, e contempla áreas reservadas à construção de escolas, postos de saúde, cantinas, praças, zonas de lazer e campos para prática de desporto.
"As aldeias vão ter vários serviços que lhe permitem dispor de estruturas idênticas às das áreas urbanas", disse.

Apelo do governador

O processo de reconstrução das aldeias destruídas pela guerra que o governo da província desenvolve nas localidades de Catabuangas e dos Lites deve ter a comparticipação de todos os seus naturais com capacidade financeira e intelectual que, por vários motivos, abandonaram as zonas de origem, frisou Mawte João Baptsita.
"Depois do governo ter iniciado o processo de reconstrução das aldeias, cabe agora aos filhos ricos destas localidades fazerem também a sua parte", disse o governador, adiantando que "as pessoas abastadas devem construir mansões, palácios, enfim casas lindas, para conferir outra imagem às suas aldeias de origem".
Com estes investimentos, facilmente os turistas são atraídos para momentos de lazer, declarou, sublinhando que estando o país em paz efectiva "já não importa recordar, a toda à hora, o sofrimento vivido pelas populações, mas idealizar projectos para construir a felicidade". Neste momento a grande aposta do Executivo e do governo provincial é combater a fome e a pobreza, lembrou, pedindo aos habitantes de Catabuangas e dos Lites que colaborem no processo de reconstrução das aldeias.

Produção agrícola

O renascimento das aldeias de Catabuangas e dos Lites não se cinge à criação de infra-estruturas habitacionais ou ao melhoramento da rede viária, contempla também a recuperação e o relançamento do sector agrícola, com vista a elevar os indicadores produtivos e, com isso, erradicar a fome e a pobreza da região. É com base nesse desiderato que o governo da província já trabalha na recuperação da fazenda de café de Sítulo, um dos maiores centros de produção agrícola na região do Maiombe, adstrita, no período colonial, à antiga Companhia Agrícola de Cabinda.
A fazenda, há anos abandonada, possui uma extensão de 1.500 hectares de terras cultiváveis, que começava na aldeia de Quissamano e estendia-se até Ciense Lite, com capacidade de produção de mais de 300 toneladas de café mabuba por ano, que proporcionava mais de 300 postos de trabalho.
Além do café, produto de relevo cultivado na fazenda de Sítulo, na unidade também se produziam citrinos, banana, óleo de palma e mandioca.
A região também possui uma invejável reserva de jazigos de ouro, diamante, petróleo e pedra asfáltica.  Mawete João Baptista visitou, na sexta-feira, a fazenda para um levantamento global do seu estado de degradação e estudar possibilidades de uma rápida reabilitação.
Custe o que custar, afiançou, o governo vai investir na recuperação de todas as fazendas abandonadas, sobretudo a de Sítulo.
"Cabinda tem de voltar a produzir muito café. Já existem investidores interessados na exploração do ouro, apenas lhes exigimos que instalem, nas áreas onde vão retirar esse recurso, bens sociais que recompensem as populações", disse, sublinhando que ao lado de uma exploração de ouro ou diamante devem ser construídas casas, escolas, estradas e postos médicos para as populações poderem beneficiar das riquezas do subsolo.
Os caminhos para o desenvolvimento agrícola da região do Maiombe em geral e em particular nas aldeias de Catabuangas já estão a ser estudados, revelou o governador que, há menos de oito dias, visitou aquelas localidades na companhia do ministro da Agricultura, Afonso Canga, com o propósito de avaliar as características ambientais e o tipo de agricultura a ser desenvolvido, com recurso a métodos mais convencionais. Disse que era preciso aproveitar a tecnologia para desenvolver a agricultura.
O administrador adjunto de Buco Zau, que acompanhou o governador na visita à fazenda, disse estar esperançado que o governo recupere aquela unidade agrícola que chegou a empregar centenas não só angolanos, como de "muitos desterrados oriundos de Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, República Centro Africana e dos Congos Democrático e Brazzaville".

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