Dossier

Crédito agrícola de investimento chega ao Chitato

Armando Sapalo| Chitato

Os pequenos e médios agricultores do município do Chitato, província da Lunda-Norte, começam nos próximos dias a receber apoio financeiro, através do Banco de Desenvolvimento de Angola (BDA), no âmbito do crédito agrícola de campanha e investimento, destinado a aumentarem os seus níveis de produção e contribuir para o sucesso dos programas de combate à fome e à pobreza, garantiu na quarta-feira, no Dundo, ao Jornal de Angola, o administrador municipal.

Os pequenos e médios agricultores do município do Chitato, província da Lunda-Norte, começam nos próximos dias a receber apoio financeiro, através do Banco de Desenvolvimento de Angola (BDA), no âmbito do crédito agrícola de campanha e investimento, destinado a aumentarem os seus níveis de produção e contribuir para o sucesso dos programas de combate à fome e à pobreza, garantiu na quarta-feira, no Dundo, ao Jornal de Angola, o administrador municipal.
Marcelino Chissupa explicou que um grupo de consultoria técnica do Banco de Desenvolvimento de Angola se deslocou recentemente ao município, com a finalidade de se acelerar o processo de apresentação da documentação necessária para a normalização do financiamento junto da instituição bancária.
A nível do município do Chitato, 46 agricultores manifestaram interesse em receber o referido financiamento. No entanto, o administrador municipal esclareceu que, numa primeira fase, em função dos estudos de viabilidade económica que foram desencadeados, o BDA vai conceder crédito a 30 agricultores locais num valor equivalente em kwanzas a 500 mil dólares para cada promotor, com taxas de juro de seis por cento ao ano e um prazo de reembolso de oito a 10 anos.
O financiamento, explicou, visa promover uma agricultura comercial e moderna, capaz de gerar rendimentos que contribuam para o fortalecimento do sector agrícola, garantindo a segurança alimentar das populações e ajudar na diversificação das fontes de receitas do Estado. 
O também engenheiro agrónomo Marcelino Chissupa disse que o projecto vai potenciar os agricultores com equipamentos para poderem intensificar a produção e dinamizar o mercado, tendo em vista a melhoria da qualidade de produtos cultivados, além de permitir o aumento de postos de trabalho na região. 
O BDA comprometeu-se a disponibilizar os créditos ainda no decurso deste ano, para que seja investido na presente campanha agrícola, tendo em vista o aumento dos níveis de produtividade.
"O banco deu-nos garantias de que ainda este ano os nossos agricultores vão receber o dinheiro", disse, denunciando a existência de alguns organismos do Estado no município que têm estado a criar embaraços aos agricultores na disponibilização dos documentos indispensáveis à concessão do crédito de investimento.

Ansiedade dos agricultores

Lázaro Manuel, um dos 30 agricultores do município do Chitato que espera pelo financiamento do BDA, considera que o dinheiro a ser disponibilizado vai ajudar na resolução das dificuldades que os agricultores da região enfrentam para o relançamento do sector.
Na sua perspectiva, o apoio financeiro vai permitir aos pequenos e médios agricultores maior produção e a diversificação da economia, tendo em vista o Programa do Executivo de Combate à Fome e à Pobreza no meio rural.
O crédito agrícola aprovado pelo Executivo para os financiamentos bancários, salientou, será um grande incentivo para os pequenos e médios fazendeiros poderem criar projectos agrícolas sustentáveis, para contribuir de forma significativa para o incremento dos níveis de produção, através da diversificação de culturas.
Lázaro Manuel adiantou que pretende, com o financiamento, aumentar a área de cultivo de 40 para mais de dois mil hectares, no sentido de incrementar e diversificar a produtividade e criar mais postos de trabalho.
Até este momento, revelou, possui cultivados nove hectares, nos quais plantou mandioca, cuja colheita augura venha a ser em grande escala, tendo em conta a fertilidade dos solos.
Além disso, referiu, está também reservada uma área de sete hectares destinados ao cultivo de cereais e horto-frutícolas.
O projecto, recordou, é uma iniciativa pessoal em que os trabalhos ligados ao desbravar da terra foram efectuados de forma manual e diante de inúmeras dificuldades, devido à falta de máquinas.
O projecto, que teve início no ano passado, consumiu mais de 150 mil dólares. Além disso, acrescentou Lázaro Manuel, foi igualmente investido algum dinheiro por intermédio de um contrato existente entre a sua fazenda e a Mecanagro, para a aquisição de um tractor, charruas, enxadas, catanas, machados, além de sementes e fertilizantes. A fazenda está também apostada em criar gado bovino e caprino, para aumentar a oferta da carne nacional no mercado.
A fazenda conta com 37 cabeças de gado bovino e 15 de caprino, prevendo aumentar esses números nos próximos tempos.

Degradação das estradas

Lázaro Manuel mostrou-se preocupado com a degradação das estradas que ligam as áreas de cultivo aos centros urbanos, tendo, por isso, defendido a necessidade das autoridades locais imprimirem maior dinamismo na recuperação das vias de acesso, como forma de facilitar o escoamento dos produtos para a sua comercialização, sem grandes prejuízos para os produtores e consumidores.
"Para podermos alcançar os objectivos preconizados pelo Executivo e por nós próprios, como empresários do sector, penso ser imprescindível ver a questão da recuperação das estradas, porque muitos produtos têm estado a deteriorar-se devido às dificuldades de escoamento", alertou.
"Se queremos ver uma agricultura organizada e bem estruturada, é importante que exista uma conjugação de esforços entre a classe empresarial do sector agrário e as autoridades governamentais", acrescentou.

Crédito de campanha

Ainda no quadro dos programas municipais integrados de desenvolvimento rural e combate à pobreza, além do crédito agrícola de investimentos, a administração garante financiar igualmente o crédito agrícola de campanha aos pequenos camponeses organizados em associações e cooperativas.
Abordado pelo Jornal de Angola, o chefe de Repartição Municipal da Agricultura Pescas e Desenvolvimento Rural do Chitato, Paços Tuta, disse que no princípio notou-se uma fraca adesão dos camponeses ao crédito agrícola de campanha, aprovado pelo Executivo para reduzir as dificuldades da classe. A fraca adesão, apontou o responsável, foi motivada pelas dificuldades que os camponeses estavam a enfrentar para tratar os documentos que iam permitir completar os processos de elegibilidade ao financiamento agrícola.
Segundo Paços Tuta, encontram-se nesta altura na secretaria do Banco de Poupança e Crédito 55 processos de associações de camponeses inscritos nesse pacote e que brevemente terão o financiamento que vai permitir encontrar níveis satisfatórios de produtividade.
Esclareceu que o crédito agrícola de campanha consiste em dois pacotes que visam financiar acções de exploração durante uma determinada época agrícola, e serve para, numa primeira fase, custear a aquisição de meios agrícolas, como catanas, enxadas, machados, sementes e adubos.
O valor máximo do crédito é o equivalente em kwanzas a cinco mil dólares por cada beneficiário, com uma taxa de juro estimado em cinco por cento. O empréstimo, segundo adiantou, deve ser reembolsado num período de oito anos.
Salientou que os camponeses estão informados que a segunda tranche do crédito agrícola de campanha se destina à compra de meios fixos de trabalho, como máquinas, motobombas e outros equipamentos indispensáveis ao reforço da actividade agrícola, dos lavradores organizados em associações e cooperativas.
Esse financiamento, considerou, vai incentivar e auxiliar os camponeses do município a incrementarem o rendimento das suas famílias, e a melhorar de forma significativa a qualidade de vida das comunidades rurais, no âmbito dos programas de redução da fome e da pobreza. O município do Chitato tem registadas 76 associações, seis cooperativas e 46 empresas agrícolas familiares, que poderão, nos tempos vindouros, ver melhorada a sua produção com a concessão do crédito agrícola, através do Banco de Poupança e Crédito (BPC). 
Paços Tuta dmitiu existirem muitos camponeses que precisam de ser melhor informados quanto à importância do crédito para o aumento e diversificação dos níveis de produção. Por isso, as autoridades locais vão continuar a desenvolver acções de sensibilização junto das autoridades tradicionais e outros responsáveis das comunidades e famílias, com o objectivo de esclarecer os pequenos e médios agricultores sobre o funcionamento do crédito agrícola.
Por outro lado, reconheceu as dificuldades que os camponeses enfrentam em termos de transportes para o escoamento dos produtos do campo para as áreas de comercialização e anunciou que a administração municipal vai ultrapassar essa carência, com a aquisição de duas camionetas que vão passar a facilitar, de modo organizado, a circulação e escoamento dos produtos a partir das áreas de cultivo.

Feira agropecuária

O chefe de repartição municipal da Agricultura salientou o empenho demonstrado pelos camponeses da região do Chitato para estarem presentes na feira agropecuária do Cacanda, que tem início marcado para o mês de Agosto.
Para o evento estão mobilizadas mais de 50 associações de camponeses, prevendo-se a exposição de mandioca em grande escala, feijão, milho, ginguba, além de batata-doce e hortaliças. Os pequenos e médios criadores de gado vão também leiloar o seu gado.
Paços Tuta considera que a feira vai ajudar os camponeses a encontrarem mecanismos e oportunidades para a valorização dos seus produtos e consequente comercialização, devido à falta de locais na região próprios para a permuta mercantil. Outro dado que salientou foi o facto de este certame poder proporcionar o intercâmbio entre camponeses locais e de outras regiões da província e do país.

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