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Distâncias curtas no Kwanza-Norte

Isidoro Natalício| Ndalatando

Pela primeira vez em mais de 60 anos de existência, os cerca de 56 quilómetros entre Ndalatando, Cabinda e Golungo Alto recebem asfalto. A empresa cubana Imbondex já fez mais de 15 quilómetros entre o desvio da aldeia do Onze e o sector do Zanga. O rio Canaulo, entre Golungo e Cabinda, ganhou nova ponte.

Obras em estradas do Kwanza-Norte melhoram circulação rodoviária entre a cidade de Ndalatando e o município do Golungo Alto
Fotografia: Isidoro Natalício| Ndalatando

Pela primeira vez em mais de 60 anos de existência, os cerca de 56 quilómetros entre Ndalatando, Cabinda e Golungo Alto recebem asfalto. A empresa cubana Imbondex já fez mais de 15 quilómetros entre o desvio da aldeia do Onze e o sector do Zanga. O rio Canaulo, entre Golungo e Cabinda, ganhou nova ponte.
Desde Maio, uma camada de betume foi também aplicada pela Metroeuropa nos 20 quilómetros entre Kiangombe e Lucala na Estrada Nacional que chega às províncias do Uíge e Malange. Segundo o encarregado de obras Aldaisson Pereira, o destino é a vila de Samba Caju, pelo que há mais 42 quilómetros para a conclusão das obras.
Melhorias no pavimento alcatroado registaram-se também nos 36 quilómetros entre Nndalatando e Lucala, na Estrada Nacional Luanda-Malange. Outros dois quilómetros foram asfaltados à entrada de Samba Cajú pela Torez Group. "É apenas um ensaio para a tarefa que pode arrancar a qualquer momento", disse um operário no local.
A empresa Vias XXI começa, no final deste mês, a aplicação do asfalto nos 52 quilómetros no eixo Triângulo-Kandondo-Ndalatando, com média de 700 metros por dia, segundo o seu director de obras, engenheiro Pedro Macedo.
A única obra com asfalto concluído são os 68 quilómetros do troço que vai do Triângulo (Kwanza-Norte) a Maria Teresa (Bengo), a cargo da Manuel Couto e Alves (MCA), estando a terminar a sinalização horizontal e vertical e outros acabamentos.
Comparado com Setembro do ano passado, a província do Kwanza-Norte ganhou este ano 120 quilómetros de estrada asfaltada, mais de cinco pontes e várias passagens hidráulicas. Lucala e Dondo são as únicas sedes municipais, no universo de nove que a província possui, interligadas por itinerário asfaltado com a capital provincial e o resto do país.
Mas o quadro pode vir a alterar. Baseado na média diária das empresas no terreno, cifrada em 350 metros de asfalto, 500 em terraplenagem e, o tapete negro pode chegar a ligar os municípios do Golungo Alto e Samba Caju no final do ano.

Terraplanagem

Colocação da base, sub-base, terraplanagem e drenagem, são as obras que dominam, na ordem dos 85 por cento, os trabalhos de construção e reabilitação de linhas rodoviárias no Kwanza-Norte.
A grande referência são os 14 quilómetros que ligam Golungo Alto à sede comunal de Cambondo, marcados pela construção de perto de três quilómetros de um novo traçado em linha recta, como alternativa a um perímetro de curvas e contracurvas no meio de montanhas. As máquinas ao serviço da Vias XXI rompem elevações  até 10 metros de profundidade e 20 de largura.
O director Pedro de Macedo diz que em Cambondo faltam valetas e lancis, pelo que prevêem terminar a base em Novembro. A empreitada Ndalatando-Cambonbo-Golungo Alto, iniciada em Abril de 2008, está orçada em 47 milhões de dólares, dos quais 40 por cento já foram pagos.
No trajecto Golungo Alto-Ndalatando, passando por Zanga e Cabinda, a Imbondex efectuou quase 97 por cento da sub-base, dos 30 quilómetros da empreitada, enquanto a base é superior a 50 por cento. Realce para as escavações de serranias e novos traçados.
Na estrada que vai do Lucala à povoação da Kilemba (Samba Caju), numa extensão de 53 quilómetros, labora a Terraplenagem de Angola (TEA), que desde Maio já fez mais de 25 quilómetros. O encarregado da obra, Bernardo Antunes Galho, diz que levam um avanço de oito quilómetros em relação ao serviço de asfaltagem, a cargo da subempreiteira Metroeuropa.
Devido à aproximação das chuvas, o operador de motoniveladora Feliciano Chimuco sugere, para celeridade no trabalho, o aumento dos equipamentos, traduzido em quatro pés de carneiro, dois cilindros lisos, quatro niveladoras, duas giratórias, duas grades, 12 camiões basculantes e três para rega. Da Kilemba à Camabatela (Ambaca), cerca de 105 quilómetros, trabalham a Torez Group e a chinesa RCB. Nesta zona chama a atenção o aumento de mais uma faixa de rodagem e, à semelhança das outras obras, a deficiente sinalização, em particular nas passagens de água descobertas, no perímetro das 21 curvas e contracurvas no meio de montanhas.
Em Samba Caju, a Metroeuropa faz uma nova variante com três quilómetros até às proximidades da povoação de Uiangombe, cruzamento de estradas para Banga e Kikulungo, para eliminar o antigo percurso com pontes e muitas curvas. O encarregado de obras de arte da empresa, Sérvio de Oliveira, diz que as outras frentes partem de Quiculungo, onde se terraplenou acima de 13 quilómetros, e em direcção a Banga desmata-se. "Se as chuvas permitirem, dentro de dois meses começa a asfaltagem", acrescenta.
Há três anos na via, a Angolaca realizou a base em perto de 16 quilómetros, asfaltou três, colocou obras de arte como pontes e pontões e tapou buracos nos 50 quilómetros entre o Dondo e Ndalatando. Escavações, transporte, recargas de solos seleccionados, limpeza de bermas, valas e nivelamentos são as tarefas mais afectadas pelas chuvas. Bernardo Galho, 36 anos a trabalhar em estradas, sugere a impregnação imediata das bases ou recursos a outros meios já conhecidos para se evitar infiltrações. "Assim evitamos enormes prejuízos", explica.

Receio do administrador

O regresso das chuvas pode isolar a vila do Quilombo dos Dembos (sede do Ngonguembo) e dificultar a circulação entre Pambos de Sonhe (Samba Caju) e desvio da comuna do Luinga (Ambaca), na Estrada Nacional Ndalatando-Uíge, assim como de Samba Caju a Quiculungo, Bolongongo e Banga. As saídas de Quilombo dos Dembos, a Sul, a caminho do Golungo Alto, e a Norte, para Bula Atumba (Bengo), estão esburacadas, por isso o administrador municipal do Ngonguembo, Mateus André Garcia, teme o pior. Nos 32 quilómetros entre Pambos de Sonhe e o desvio para o Luinga não há trabalho.

Serviços de assistência

A extensão dos serviços de pronto-socorro, emergências médicas, bombeiros, telecomunicações, abastecimento de combustíveis e outros, ainda não acompanha as novas rotas, com relevância para a que vai de Maria Teresa a Ndalatando.
Instado a pronunciar-se sobre o assunto, o supervisor técnico-administrativo do Kwanza-Norte da Sonangol, Manuel Machado, diz que estão projectadas bombas de abastecimento de combustível nas áreas do Triângulo e Serra do Zondo.
A primeira unidade, com os serviços de abastecimento, constrói-se no Morro do Binda, num momento em que o troço já é dos menos frequentados da região, devido às obras feitas na estrada Maria Teresa-Triângulo-Ndalatando, que encurta em 70 quilómetros a distância para Luanda e evita a passagem pelo Morro do Binda.

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