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EDEL investe no fornecimento de energia

Rodrigues Cambala|

A energia continua a faltar em muitos bairros de Luanda, sobretudo da periferia. Alguns bairros sofrem cortes de energia todos os dias, no período nocturno. A energia é tirada às 18 horas e restabelecida durante a manhã do dia seguinte.
Alguns munícipes de Viana, Cazenga e Kilamba Kiaxi disseram à nossa reportagem que vivem esta situação desde o princípio do ano e que ficam geralmente todo o dia de domingo sem energia.

Porta-voz da empresa distribuidora
Fotografia: Eduardo Pedro

A energia continua a faltar em muitos bairros de Luanda, sobretudo da periferia. Alguns bairros sofrem cortes de energia todos os dias, no período nocturno. A energia é tirada às 18 horas e restabelecida durante a manhã do dia seguinte.
Alguns munícipes de Viana, Cazenga e Kilamba Kiaxi disseram à nossa reportagem que vivem esta situação desde o princípio do ano e que ficam geralmente todo o dia de domingo sem energia.
Rosário Adão, morador do Cazenga, disse que a energia vai no princípio da noite, às 18 horas, e é somente restabelecida por volta das cinco. Yolanda Simão, moradora do Golfe II, Kilamba Kiaxi, vive igualmente essa situação há meses. Nos últimos dois meses fica sem energia das 18 horas às 23. Disse estar preocupada com os alunos nocturnos que, por falta de geradores, ficam sem aulas.
O mesmo se passa com dona Maria Nemba, moradora da Estalagem, em Viana, que tem a esperança de ver o problema resolvido só depois da instalação de um novo Posto de Transformação.
"Pagamos sempre energia mesmo sem consumir e vemos que o dono do PT apenas tem preocupação de no final do mês obrigar ao pagamento".
Dona Maria e seus vizinhos pagam dois mil kwanzas por mês, além dos 800 dólares que pagaram na altura do contrato com o proprietário do Posto de Transformação.

As sobrecargas

O porta-voz da EDEL – Empresa de Distribuição de Electricidade de Luanda, Carlos Gil, disse que em algumas áreas ocorrem cortes no período da noite por causa das sobrecargas na rede.
"Existem alguns circuitos que estão sobrecarregados e, normalmente, as grandes sobrecargas surgem no horário das 18 às 23 horas. Neste período as pessoas retornam a casa e fazem o uso verdadeiro da energia", disse, para acrescentar que as linhas, protegidas tecnicamente, são sensíveis a estas subidas de carga e desligam-se naturalmente.
Disse que em algumas situações de sobrecarga, a EDEL faz cortes por uma questão de segurança e evitar a queda das linhas, que podem provocar acidentes. Afirmou que estão a ser feitos investimentos no sentido de alterar a situação.
Ainda para terminar com os constantes cortes de energia, citou as linhas de Catinton, que começam no Kilamba Kiaxi e terminam no Rocha Pinto e da Maianga, que receberam intervenções de vulto.
No Kilamba Kiaxi, a linha da Sapú beneficiou igualmente intervenção. A intenção, segundo o porta-voz, é paulatinamente todas as áreas serem intervencionadas para acabar com as restrições no fornecimento, por saturação das linhas.
Quanto aos cortes nos finais de semana, disse que a EDEL efectua manutenções nas suas subestações e grandes instalações na mesma altura em que o fornecedor programa as suas manutenções, que geralmente são feitas aos domingos.
Justificou que o domingo é o dia com menos transtornos, porque nos outros dias as pessoas precisam mais de energia. "É preferível interromper o fornecimento de energia ao domingo do que nos outros dias da semana, para não interferir directamente na vida laboral e no desenvolvimento do próprio país".

Falta controlo a consumidores

Carlos Gil disse que a EDEL está em constante progressão na montagem de instalações eléctricas, sobretudo em termos de investimento de recuperação de infra-estruturas fora de serviço.
Com 330 mil clientes, disse que a EDEL está num processo dinâmico, a acompanhar o crescimento de Luanda. "É claro que, nestas condições, falta alguma harmonia urbanística, principalmente nas áreas periféricas da cidade.
É natural que existam residências conectadas à nossa rede e que não estão contratadas, inclusive nas áreas onde a EDEL já passou com contratações maciças", lembrou, para sublinhar que essas situações ocorrem por problemas de ordenamento urbanístico.
Admitiu ser difícil, por exemplo, garantir que haja contratação a 100 por cento numa zona como no Cazenga Popular, porque todos os dias surge mais uma casa.Disse que a EDEL é a parte mais interessada em resolver o problema, porque as receitas da empresa ficam directamente afectadas e daí a razão de continuar a fazer investimentos na área.

Mapas para as construtoras

Questionado sobre a quebra de redes subterrâneas por parte das construtoras, Carlos Gil disse que a empresa tem um serviço de cadastro, onde estão mapeadas as redes eléctricas, quer seja a nível de baixa, média e alta tensão.
Para o engenheiro, os cadastros estão disponíveis para qualquer empresa que opera na via pública.
"Disponibilizamos inclusive os nossos técnicos para fazer o acompanhamento e evitar danos nas nossas instalações e cabos na via pública". "Infelizmente nem sempre somos contactados", lamentou, para referir que, às vezes, mesmo em posse deste mapa, as empresas quebram a rede por negligência dos operadores.
Outras vezes a situação acontece porque "muitos dos nossos cadastros acabam por ter alguma informação imprecisa em algumas vias que já tiveram alterações sem que tivéssemos sido contactados para a devida mudança do cadastro".
Carlos Gil sublinhou que as empresas de construção de estradas e limpeza e saneamento têm tido encontros permanentes com a EDEL a nível do Governo Provincial de Luanda, onde são esclarecidas dúvidas e anunciado o mapa da rede eléctrica. "Não há dificuldade em passar informações e quando as empresas não o fazem é uma situação extremamente difícil para respondermos".
Frisou que sempre houve disponibilidade da EDEL em apoiar as construtoras quando solicitada. "Várias vezes, por nos apercebermos da presença de empresas a intervirem na via pública, sobretudo nas áreas sensíveis, vamos ter com estas para adverti-los, para que população não seja penalizada com cortes de energia."
Carlos Gil revelou que as empresas que danificam as redes eléctricas são notificadas no momento para pagar os danos causados.
Nestas situações, a área de segurança vai ao local para elaborar um termo de responsabilidade, que obriga as empresas a pagar os prejuízos causados pelo empreiteiro.
"É claro que a EDEL não pode esperar até que o processo termine, sob pena de os nossos clientes ficarem sem energia. Reparamos os danos e prosseguimos com o processo".

Casas debaixo dos cabos eléctricos

Em muitos bairros da cidade de Luanda vê-se residências debaixo de cabos de baixa, média e alta tensão e até postos no interior de algumas casas. Em alguns bairros novos projectados pelo GPL, como os bairros Kalemba II e Sapú, a nossa reportagem observou casas que foram projectadas debaixo de redes de baixa tensão.
O porta-voz da EDEL disse que "as redes eléctricas não passam por cima dos tectos, mas são os tectos que passam por baixo das redes".
"Nenhum engenheiro deve projectar a construção de uma linha por cima das casas", indicou.

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