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Hospital de campanha assistiu todos os pacientes

Alexa Sonhi|

O hospital de campanha localizado no município do Kilamba Kiaxi registou durante o primeiro semestre do ano em curso a entrada de 17.273 pacientes nas três especialidades que a unidade dispõe, medicina, cirurgia e ortopedia.
O director Mário Cardoso disse ao Jornal de Angola que dos 17.273 pacientes que a unidade sanitária atendeu, 8591 foram assistidos na área de medicina, 4.985 na cirurgia e 3.697 na de ortopedia.

O hospital de campanha localizado no município do Kilamba Kiaxi registou durante o primeiro semestre do ano em curso a entrada de 17.273 pacientes nas três especialidades que a unidade dispõe, medicina, cirurgia e ortopedia.
O director Mário Cardoso disse ao Jornal de Angola que dos 17.273 pacientes que a unidade sanitária atendeu, 8591 foram assistidos na área de medicina, 4.985 na cirurgia e 3.697 na de ortopedia.
Afirmou que apenas 986 casos apresentaram um quadro complexo, tendo sido transferidos para outras unidades hospitalares, Américo Boavida e Josina Machel.
"Muitas pessoas não valorizam esta unidade hospitalar por funcionar em tendas e ser pequena." O médico disse que a unidade foi montada provisoriamente para assistir a população que acorria ao Hospital Geral de Luanda, que foi encerrado para obras de reabilitação desde Julho do ano passado.
"Aqui, o trabalho que realizamos está muito próximo daquilo que o Hospital Geral de Luanda fazia. Só que estamos num espaço pequeno e muita gente prefere andar longas distâncias para cuidarem de coisas básicas da sua saúde, porque se intimidam com o aspecto do hospital", disse o médico.   
Mário Cardoso frisou que durante o primeiro semestre as patologias mais frequentes foram malária, 3.397 casos, hipertensão arterial, 649 casos, doenças respiratórias, 506, doenças diarreicas agudas, 334, e febre tifóide, 230.
A unidade registou no primeiro semestre 34 óbitos, a maior parte deles causados por traumatismo craniano, tendo em conta os constantes acidentes de viação que se verificam na estrada em direcção ao bairro Camama por falta de iluminação pública.
O hospital de campanha funciona 24 horas por dia em regime de urgência, com uma área de SOS com 30 camas onde os doentes, dependendo do caso, podem ficar internados de 48 a 72 horas.
"Em termos de corpo clínico estamos mais ou menos bem. Temos médicos angolanos, cubanos e chineses. É dos poucos hospitais que atende pacientes chineses."
"Em termos de corpo clínico, o hospital não tem razões de queixa porque estamos a trabalhar com 36 médicos, 22 dos quais angolanos, oito cirurgiões de nacionalidade cubana e seis médicos de nacionalidade chinesa. Todos estes profissionais trabalham em regime de turno", disse.
O hospital conta com 110 enfermeiros. A área administrativa, nomeadamente os serviços de lavandaria, esterilização dos materiais, culinária e os serviços de oxigénio, continua a funcionar nas instalações do Hospital Geral de Luanda.
"Quando as obras no Hospital Geral de Luanda abrangerem estas áreas, vamos ter que procurar outro local para transferir estes serviços, porque aqui onde está montado o hospital de campanha o espaço é pequeno para que haja todos estes serviços."
O hospital de campanha tem cinco ambulâncias, duas pertencentes ao hospital e as outras três, que estão no hospital permanentemente, cedidas pelo Instituto Nacional de Emergências Médicas de Angola (INEMA).

Aproximação da chuva preocupa direcção do hospital

O director do hospital de campanha, Mário Cardoso, está preocupado com a aproximação das chuvas porque as actuais condições, desde a estrutura ao espaço em si, não dão muita segurança.
"As tendas usadas para montar o hospital têm um tempo de vida útil de seis a oito meses. Como já vamos a caminho de um ano ou mais, as tendas começaram a perder a sua consistência em termos de biossegurança. Também já começámos a perder alguma qualidade no trabalho que prestamos".
A estrutura do hospital precisa de manutenção de forma rápida. "Precisamos também que se aumente a brita que foi posta em volta. E nós não temos condições financeiras para isto, que envolve muitos gastos". A direcção do hospital já apresentou a preocupação ao Governo Provincial de Luanda.

Obras de reabilitação ficam concluídas em 2014

Mário Cardoso, que também é director do Hospital Geral de Luanda, disse que o processo de reabilitação da referida unidade está em curso, e tudo está a ser feito para que a reabilitação seja feita num curto espaço de tempo. Disse que recentemente, uma equipa do Governo Provincial de Luanda, do Ministério do Urbanismo e Construção e da direcção do Hospital Geral se deslocou à República Popular da China para contactos com o Instituto de Arquitectura e Design de Beijing, para se realizarem novos estudos sobre a estrutura do Hospital Geral de Luanda.
Do encontro resultou a elaboração de uma proposta da Empresa Nacional de Elaboração de Projectos (INEP). A proposta foi enviada a Beijing e depois de várias reuniões foi possível traçar, em conjunto, uma nova estrutura do Hospital Geral de Luanda. 
Mário Cardoso frisou que ficou marcado para Outubro outro encontro com especialistas do Instituto de Beijing para aprovação do projecto. "No próximo mês de Janeiro, vamos ter outra reunião para aprovação do projecto executivo do hospital", explicou.
A reabilitação do Hospital Geral de Luanda deve começar no primeiro trimestre de 2012. "O hospital vai ser destruído em 70 por cento e os outros 30 conservados, para depois se juntar numa estrutura única, prevendo-se a conclusão das obras só em 2014 ou 2015".

Bloco pediátrico no Kilamba Kiaxi

O hospital de campanha, referiu, de forma específica não tem serviços de pediatria, mas mesmo assim, no primeiro semestre atendeu 3.111 crianças. "Às vezes os pais chegam aqui aflitos e não podemos mandá-los embora. Temos que prestar sempre os primeiros socorros", referiu.
Dentro em breve, garantiu, vai-se inaugurar um bloco pediátrico de urgência e salas para atendimento a consultas externas, localizado no lado direito do hospital. "Estamos à espera que se montem os equipamento médicos e o mobiliário, porque as instalações já estão feitas", disse, a concluir.

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