Dossier

Indústria de pesca ganha incentivos

Pedro Bica| Ambriz

As autoridades municipais da vila piscatória do Ambriz estão apostadas em incentivar o surgimento de indústrias ligadas às pescas, petróleos e produção de equipamentos para o seu desenvolvimento.
O administrador municipal, Januário Bernardo, disse ao Jornal de Angola que a reabilitação da estrada entre o Caxito, Nzeto e Soyo e o desvio que liga à vila, "são a chave para o desenvolvimento da região".

O fornecimento permanente de energia eléctrica pode impulsionar o aparecimento de empreendedores na área do turismo
Fotografia: JA

As autoridades municipais da vila piscatória do Ambriz estão apostadas em incentivar o surgimento de indústrias ligadas às pescas, petróleos e produção de equipamentos para o seu desenvolvimento.
O administrador municipal, Januário Bernardo, disse ao Jornal de Angola que a reabilitação da estrada entre o Caxito, Nzeto e Soyo e o desvio que liga à vila, "são a chave para o desenvolvimento da região".
Neste momento máquinas pesadas e técnicos estão empenhados na reconstrução e reabilitação da estrada que vai levar o progresso ao Ambriz. Com uma área de 4.204 quilómetros quadrados e uma população de 17 mil habitantes, que na sua maioria tem como actividade principal a pesca e a agricultura em pequena escala, o município quer dar o grande salto para o progresso, com a atracção de indústrias, sobretudo ligadas à transformação de pescado.
Os solos aráveis para a prática da agricultura, uma zona costeira rica e uma população empenhada no combate à fome e pobreza, são as "armas" para realizar todos os projectos em carteira.
A região é limitada a Norte pelo município do N'zeto, província do Zaire, a Este pelo município de Nambuangongo, a Sul pelo município do Dande e a Oeste é banhada pelo oceano Atlântico.
Actualmente o Ambriz tem uma plataforma de óleo e gás pertencente à Petromar, que tinha sido destruída em 1992 durante a guerra, um pequeno porto e um aeroporto que reabilitado pode ser uma mais-valia.
A presença de balcões dos principais bancos vai dinamizar as actividades económicas e ajudar na atracção de investimentos. O administrador municipal do Ambriz, Januário Bernardo, disse que a estrada em boas condições permite a circulação de pessoas e bens, vai atrair empresários e quadros com competência em várias áreas.
A actividade comercial ainda é incipiente e carece de investimentos no sector. Segundo o responsável municipal, os pedidos de terrenos para implantar projectos e os índices de crescimento em termos de infra-estruturas sociais que a zona tem vindo a registar são sinónimo de que a zona precisa de mais bancos. Januário Bernardo revelou que um melhor conhecimento do Ambriz por parte dos potenciais investidores pode ajudar na criação de pequenos e grandes empreendimentos comerciais, para desenvolver a vila piscatória.
O administrador municipal revelou que existe apoio institucional aos empresários, no que diz respeito à concessão e legalização de espaços para a implantação de empresas.
"Os bancos têm por missão emprestar dinheiro aos clientes, para que estes consigam criar negócios e gerar emprego", afirmou.

Condições para o turismo

O administrador municipal reconheceu que o fornecimento permanente de energia eléctrica pode impulsionar o aparecimento de empreendedores na área do turismo.
Indicou que a zona é um centro turístico por excelência, devido a uma localização geográfica privilegiada e ao potencial da costa marítima. Os turistas podem praticar o turismo de observação, fotográfico, ecológico, cultural, de sol e praia, de caça, rural, agro-turismo e desportivo. />Os locais de interesse turístico que têm atraído os turistas que visitam o Ambriz são a Fortaleza, a Coutada do Ambriz e as belas e paradisíacas praias.
A região tem apenas uma unidade hoteleira o que dificulta o desenvolvimento do turismo. O investimento em unidades hoteleiras permite desenvolver todas as vertentes turísticas e garante mais empregos e receitas ao Estado, porque a vila tem tudo para cumprir o desafio de combate à fome e à pobreza.
Januário Bernardo revelou que existem projectos, com estudos avançados, para que o município piscatório receba energia a partir da barragem das Mabubas quando recomeçar a funcionar.
Disse igualmente que, neste momento, estão em curso acções que visam avaliar as necessidades em termos de infra-estruturas básicas e os níveis de consumo para se estender a energia eléctrica à rede domiciliar. "Pretendemos levar a energia eléctrica aos consumidores, para que daí possamos arrecadar receitas e expandir os serviços", disse. 
Quanto à água potável, Januário Bernardo disse que os munícipes das comunas do Tabi, Bela Vista e a sede municipal beneficiam de sistemas de captação, tratamento e distribuição que estão a ser redimensionadas para atender a elevada procura. "Decorrem obras para que mais pessoas tenham acesso à água potável".

Projectos em execução

Para 2011 e 2012, o programa municipal de combate à fome e à pobreza tem em execução acções de apetrechamento, ampliação e melhoria dos serviços de saúde e água potável.
Quanto à construção dirigida, disse que estão preparados 20 hectares para serem distribuídos às comunidades com necessidades habitacionais. A nova urbanização vai ter habitações de renda elevada em 25 hectares, equipamentos de desporto e lazer vão nascer em 20 hectares, uma área de dez hectares está destinada a centros comerciais, cinco hectares estão destinados à construção de escolas e quatro hectares a unidades sanitárias.
Anunciou que os lotes devem custar 240 mil kwanzas para custear os encargos administrativos e o título de concessão.
As parcelas para as famílias de médios e baixos rendimentos estão localizadas em oito hectares. No projecto estão ainda reservados seis hectares para a construção de centros sociais, desportivos, espaços verdes e estacionamento.
Januário Bernardo garantiu que até 2012 a região vai ter mais 200 fogos habitacionais, da responsabilidade do Executivo.
O Executivo Angolano tem no Programa Nacional de Habitação um dos desafios estratégicos na via da resolução dos problemas habitacionais do país. Um Fundo de Fomento Habitacional foi criado para dar suporte financeiro ao desenvolvimento da habitação, bem como criar condições para o apoio à promoção imobiliária.
O fomento habitacional vai trabalhar com as imobiliárias, associações e cooperativas no sentido de promover novas áreas de desenvolvimento habitacional, identificação destas oportunidades e constituir parcerias público-privadas, para os programas que o Estado tem da habitação social.

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