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Kissama tem condições para o turismo cultural

Pedro Bica| Kissama

O município da Kissama é portador de um potencial de recursos naturais como o petróleo no "on-shore", gás natural, madeira, calcário e uma rica e extensa orla marítima, que bem aproveitados podem ajudar a desenvolver a região de forma sustentada.
A informação foi dada ao Jornal de Angola pelo administrador municipal, João Martins, que realçou a urgente necessidade de, aos poucos, o Executivo e outras entidades públicas e privadas aproveitarem as potencialidades da circunscrição para o progresso e bem-estar das suas populações.

A Muxima é o maior centro angolano do turismo religioso e o município da Kissama tem uma grande reserva natural
Fotografia: Edmundo Eucílio| Kissama

O município da Kissama é portador de um potencial de recursos naturais como o petróleo no "on-shore", gás natural, madeira, calcário e uma rica e extensa orla marítima, que bem aproveitados podem ajudar a desenvolver a região de forma sustentada.
A informação foi dada ao Jornal de Angola pelo administrador municipal, João Martins, que realçou a urgente necessidade de, aos poucos, o Executivo e outras entidades públicas e privadas aproveitarem as potencialidades da circunscrição para o progresso e bem-estar das suas populações.
Com um clima semi-árido, a região apresenta  uma vegetação variada, de grandes formações florestais, sobretudo na sua área oriental, bem como enormes extensões de savanas e estepes.
Com uma extensão territorial de 12.045 quilómetros quadrados, u­ma população estimada em 22.­504 habitantes e uma rica rede hidrográfica, constituída pelos rios Kwanza e Longa e por uma orla marítima invejável, com cerca de 120 quilómetros ainda por explorar, o parque da Kissama é uma regão adormecida, cujas potencialidades podem alavancar o crescimento local.
João Martins lamentou o facto de apenas o Parque Nacional da Kissama e o Santuário da "Mama Muxima" serem os únicos locais merecedores de uma atenção especial.    
O município da Kissama, que passou a pertencer à província de Luanda, depois da divisão administrativa aprovada recentemente, está subdividido em cinco comunas e bairros e povoações, cuja população, na sua maioria, se dedica à agricultura, à pesca e à caça em pequena escala, pois grande parte do território pertence ao parque protegido com o mesmo nome.

Casas de função

Os funcionários da Administração Municipal da Kissama, que anteriormente faziam o trajecto Luanda-­­Muxima, vão a partir do próximo ano habitar casas de serviço na sede municipal.
Quatro casas do tipo T3 estão a ser erguidas na vila, no âmbito do Programa Municipal Integrado de Desenvolvimento Rural e de Com­bate à Pobreza, estruturado pelo Governo Central e que beneficia funcionários públicos de todo o país.
A informação foi dada ao Jornal de Angola pelo administrador municipal, João Martins, que considerou uma mais-valia para o município a criação de condições condignas para a instalação dos funcionários, o que vai facilitar a intervenção social e dinamizar os serviços.
João Martins disse que este programa inclui a construção de uma escola com seis salas de aulas na comuna de Mumbondo, além do edifício da repartição da educação, uma morgue e a reabilitação do hospital municipal.    
O administrador indicou que estão também em curso obras de  reabilitação da casa protocolar para o administrador municipal, do seu adjunto e  infra-estruturas administrativas na comuna de Mumbondo.

Educação clama por intervenção

Actualmente, a zona da Kissama é servida por 22 escolas públicas, 11 das quais de pau-a-pique, sendo 21 do ensino primário e uma do primeiro ciclo, que atende igualmente alunos do segundo ciclo, devido à carência de infra-estruturas.
Deste número, há a resgistar 109 salas de aulas, mas apenas 84 estão em pleno funcionamento e 25 outras estão inoperantes por falta de professores e insuficiência de alunos.
O sector regista um total de 196 professores, 5.127 alunos matriculados no presente ano lectivo, 980 dos quais são adultos,  estando fora do sistema de ensino 479 em idade escolar.
O administrador municipal referiu que as infra-estruturas que constituem a rede escolar do município estão localizadas na sede da Muxima, cinco em Cabo Ledo, duas na Demba Chio, quatro em Mumbondo e outras quatro em Kixinje.
Relativamente ao processo de alfabetização, João Martins disse que 13 técnicos estão distribuídos nas cinco comunas que compreendem a região e garantem a formação de 789 alfabetizandos, na sua maioria homens.

Saúde aos soluços

Apesar de enfrentar dificuldades em infra-estruturas, além de carência de pessoal técnico e serviços, o hospital municipal da Kissama tem capacidade para internar 26 pacientes.
O complexo é composto por um hospital municipal e 14 postos de saúde e conta apenas com um médico, o que demonstra a urgente necessidade de recrutamento de mais  clínicos.
O responsável municipal revelou que esforços estão a ser feitos para mudar o actual quadro, mas recordou que a complexidade geográfica da região e o estado das vias de acesso às comunas condicionam o seu rápido desenvolvimento.
A par do único médico que trabalha no município da Kissama, quarenta enfermeiros dão o seu contributo para que o sector funcione e preste o necessário apoio aos pacientes.
O administrador municipal a­diantou que estão em curso projectos que visam a ampliação e apetrechamento do centro de saúde de Cabo Ledo, elevando-o à categoria de referência, pelo facto de estar localizado numa zona de ligação interprovincial.
"A melhoria das condições sanitárias nesta região é urgente e pode salvar muitas vidas,  pois têm sido freqüentes os acidentes de viação graves que ocorrem na estrada nacional que liga Luanda ao Kwanza-Sul", disse.
As principais doenças são a malária, a febre tifóide e infecções urinarias, e estas últimas são consequência do consumo da água bruta dos rios Longa e Kwanza e das lagoas sem o devido tratamento.

Energia hidoreléctrica

O responsável municipal acredita que a região vai desenvolver-se depois da construção da Basílica da Muxima, porque a instalação da energia eléctrica é uma priroridade das autoridades.
João Martins lembrou que as sedes comunais ainda são abastecidas por grupos geradores, que já não conseguem dar resposta ao actual nível de consumo das populações, devido ao elevado número de eletrodomésticos.
A vila da Muxima possui um grupo gerador, com uma capacidade de 600 KVA  que fornece corrente eléctrica domiciliar aos bairros que a circundam no período das 18 horas as 22 horas.
O gerador de Cabo Ledo tem uma capacidade de 135 KVA, que não corresponde às necessidades, devido à presença de alguns empreendimentos do ramo hoteleiros e similares.
João Martins reconhece ser dispendioso o fornecimento de energia através de fontes alternativas, apontando para breve, sem precisar uma data, a solução da actual situação da Kissama.

Consumo de água bruta

Grande parte do município da Kissama, apesar de ser banhado pelos rios Longa e Kwanza, ainda consome água bruta e as aldeias próximas são abastecidas por camiões cisternas.
O sistema de captação, tratamento e distribuição de água potável da Muxima, construído no âmbito do programa "Água para todos", pode bombear diariamente 50 mil litros cúbicos de água para a rede pública, que é insuficiente para o elevado número de consumidores.
O administrador municipal, João Martins, disse que existem estudos para a reabilitação e a construção de uma rede nova, que visa a  distribuição domiciliar de água potável às populações do casco urbano da sede municipal e a partir de chafarizes para as residentes nos arredores da vila.
As comunas de Kixinje, Demba Chio e Mumbondo continuam a utilizar água bruta dos rios, sondas e cacimbas, o que acarreta graves consequências à saúde da população.

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