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Lubango fomenta criação de gado de qualidade

Estanislau Costa| Lubango

A criação de gado bovino e caprino em quantidade e em qualidade, principalmente nas províncias da Huíla, Cunene e Namibe, começa a registar resultados satisfatórios, com a existência de um número considerável de animais nas zonas de reprodução surgidas há cerca de seis anos.

A comercialização de animais através de leilão em vários pontos do país acelera o repovoamento das espécies
Fotografia: Estanislau Costa| Lubango

A criação de gado bovino e caprino em quantidade e em qualidade, principalmente nas províncias da Huíla, Cunene e Namibe, começa a registar resultados satisfatórios, com a existência de um número considerável de animais nas zonas de reprodução surgidas há cerca de seis anos. A reportagem do Jornal de Angola apurou que nas novas zonas de criação de animais, os agropecuários nacionais já exibem gado bovino de raça com um peso equivalente a uma tonelada e meia, à semelhança do Brasil, Estados Unidos, Índia, Suíça, França e África do Sul.
Nos municípios dos Gambos, Quipungo, Chibia, Lubango e Cahama, já são visíveis dezenas de fazendas pecuárias com bovinos das raças brahman, guzerá, gir, nelore, bosmara, simbra, simmentaler, mix zebu e charoles, além do gado autóctone, conhecido por gentio.
Os bons resultados da aposta animal são confirmados pelo gerente da fazenda Maboqueiros, Edilson Figueiredo, ao adiantar que o seu espaço de criação, com seis mil hectares, possui 2.500 cabeças de gado bovino com qualidade melhorada. "Foi um pouco difícil no começo, porque implicava criar antes condições de água e pasto, adquirir animais e recrutar veterinários".
O pecuário recordou que foram registadas algumas contrariedades na adaptação do gado bovino. Mas, a experiência que os criadores da região sul levam e o empenho dos 45 trabalhadores permitiram dar "mais carinho, melhor ração, controlo sanitário e aplicação de técnicas de reprodução animal".
Para a instalação da fazenda, foi necessário realizar trabalhos de desmatação, vedação, montagem de sistema de captação e distribuição de água, construção de infra-estruturas diversas, recrutamento dos 45 trabalhadores, cuidados sanitários e compra de animais e meios de transportes no mercado nacional e internacional, o que custou seis milhões de dólares.
A fazenda Caimone, criada há quatro anos e com cinco mil hectares, dedica-se exclusivamente à criação animal, segundo o seu gerente, Michael Dias. Actualmente, o complexo produtivo possui 500 bovinos de várias raças, 100 caprinos e 50 ovinos. Asseguram o funcionamento da fazenda 40 trabalhadores, dos quais 12 tratadores de gado.
O surgimento de zonas agropecuárias produtivas é notável em vários pontos da Huíla, Namibe e Cunene, fruto das políticas de desenvolvimento económico do Executivo, cedência de créditos com juros bonificados, incentivo ao fomento animal de alta qualidade e melhorias substanciais no combate às doenças bovinas.
Os resultados do investimento de 120 milhões de dólares efectuado pelos empresários agropecuários do Cunene e Huíla contribuíram para o aumento da quantidade e qualidade de gado e outros animais, exibidos no mês de Agosto, na Feira Agropecuária da Huíla, promovida pela Cooperativa dos Criadores de Gado do Sul de Angola (CCGSA), no âmbito das festas da Nossa Senhora do Monte.
O ganadeiro Fernando Teles, que não perde um evento do género, considera a feira do Lubango a verdadeira prova dos feitos dos criadores, evolução do sector pecuário, empenho na diversidade e aumento de gado bovino, caprino, suínos e aves. "É importante a realização destes eventos para permitir mostrar aquilo que se está realmente a fazer no país".
"A comercialização de animais através do leilão, deve ser realizado em vários pontos do país, para acelerar o fomento e repovoamento das espécies de forma proporcional", disse, para explicar que o repovoamento do gado bovino em curso deve ser feito com maior rapidez, de modo a cobrir as necessidades de carne no país e reduzir as importações.
Fernando Teles elogiou o Executivo pela criação e concretização do Crédito de Campanha e Investimento, que está a apoiar pequenos e grandes agricultores, por reactivar a capacidade de produção, aumentar as áreas de cultivo, diversificar os produtos horto-frutícolas e os cereais em todo país.
Em relação à melhoria necessária do gado gentio ou autóctone, pertença dos criadores tradicionais, defendeu a criação de programas que visam adquirir bovinos melhorados para a promoção do cruzamento de animais. "É preciso apoiar os sobas e camponeses com gado de qualidade para fomentar o cruzamento, produzir bovinos com peso adequado e aproveitar-se muito mais a carne", afirmou.

Feira com saldo positivo

As 23 fazendas presentes, com destaque para a NNN, Caimone, Tchimbolelo, Pau Caçador, Tchimcombr, Jamba, Achor, Agro-sol, Angostrich, fecharam, na VIII Feira Agropecuária da Huíla/2011, realizada de 10 a 14 do corrente, negócios estimados em 800 mil dólares.
O director-geral da Cooperativa dos Criadores de Gado do Sul de Angola (CCGSA), Álvaro Fernandes, disse que os resultados atingidos nesta edição foram positivos, tendo sido exibidos 450 animais, com alguns bovinos a pesarem 1.500 quilos, a maioria dos quais vendida em leilão. "A participação de empresários pecuários apostados no fomento, repovoamento e melhoria da qualidade do gado, contribuiu para o sucesso da feira", disse.
Os associados da Cooperativa dos Criadores de Gado do Sul de Angola e ganadeiros de várias províncias, com vontade e gosto em criar gado, manifestaram o compromisso de aumentar e melhorar a criação de animais, de modo a corresponder ao programa da diversificação da economia nacional.
Os empresários do sector agropecuário da Huíla, Namibe e Cunene apresentaram os resultados do árduo trabalho, e encorajaram os demais a apostar na criação de animais em quantidade e qualidade, por "ser possível fazer mais e bem quando temos vontade, espírito de sacrifício e de aplicar convenientemente os financiamentos disponíveis".
Comparativamente à edição de 2010, houve o aumento de uma fazenda e do número e diversidade de animais.
Ouvidos pela nossa reportagem, os fazendeiros participantes no evento atestam que a região atingiu um milhão e meio de cabeças de gado bovino de alta qualidade. Por exemplo, o criador Sérgio Correia, que comercializou mais de 100 cabeças de gado para reprodução no leilão e através de contactos mantidos durante a feira, possui na sua fazenda dois mil bovinos de alta qualidade. "O meu gado é criado em grandes currais, e com esta técnica, tenho maior controlo".
Abordado sobre o destino dos seus animais vendidos, o criador expressou a sua satisfação pelo facto de os antigos e novos criadores das províncias do Huambo, Bié, Benguela e Luanda adquirirem a maior parte do seu gado para reprodução. "Tenho bons animais e rápidos em se adaptar ao clima, pasto e água de várias zonas do país".
Defendeu a necessidade de mais criadores em todas as províncias para aumentar a criação, diversificar o efectivo animal, para depois se atingir a fase de excedente de gado bovino, caprino, suíno e aves, capazes de suportar 90 por cento das necessidades de carne do mercado nacional.

Papel da cooperativa

O presidente da Cooperativa dos Criadores de Gado do Sul de Angola, Luís Nunes, considera que com a paz, começou a tarefa de combater a pobreza, assegurar a alimentação permanente e saudável da população. Logo, o incremento da produção nacional de carne e hortícolas favorece o abastecimento do mercado.
A reparação de infra-estruturas produtivas, promoção do desenvolvimento rural, investigação agronómica e veterinária e a reabilitação das vias, são fundamentais para a sustentabilidade económica. Tais acções, disse, são pressupostos para o desenvolvimento da economia que, através do relançamento da produção interna de bens e serviços, permite reduzir as importações e incrementar a riqueza nacional e o emprego.
Por sua vez, o engenheiro Zootécnico Fernando Assis, que durante a feira dissertou sobre o tema "A produção de carne", considerou premente envolver directamente os criadores tradicionais de gado, pastores e outras pessoas que lidam com animais, para junto das estruturas do Estado participar, planificar, gerir e comparticipar nas acções tendentes a solucionar os problemas técnicos.
Fernando Assis, que felicitou a promoção das III jornadas técnicas de bovinicultura de carne, enquadradas nas actividades da VIII Feira Agropecuária da Huíla, disse que urge fomentar o comércio permanente, através do abastecimento regular com produtos de interesse à população das zonas pastoris, para viabilizar a permuta de gado.
No dizer do orador, cria nova dinâmica, para os trabalhadores com formação em vários ramos, a utilização de silos, matadouros, unidades de transformação de produtos agropecuários e a necessária pesquisa. "Isto torna inevitável o desenvolvimento de determinadas áreas da região".
Por isso, afirmou, a assistência aos criadores de gado na identificação e preparação de projectos específicos de desenvolvimento e aumento da produção de carne na região sul constitui factor importante para contribuir nas acções do Executivo de combate à fome e à pobreza no meio rural.

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