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"Nada que é proibido passa pela nossa vistoria"

Béu Pombal |

Os atentados de 11 de Setembro 2011, registados nos Estados Unidos, deram lugar a uma mudança radical às políticas de segurança em todos os países do mundo.

Fotografia: Dombele Bernardo

Os atentados de 11 de Setembro 2011, registados nos Estados Unidos, deram lugar a uma mudança radical às políticas de segurança em todos os países do mundo. O director do Aeroporto Internacional 4 de Fevereiro, António Costa Lima, assegura em entrevista ao Jornal de Angola que quem embarca no aeroporto de Luanda não tem espaço para levar a bordo objectos ilícitos, ou produtos proibidos internacionalmente à luz das novas regras de navegação.

Os acontecimentos de 11 de Setembro originaram mudanças substanciais no sistema de segurança do aeroporto 4 de Fevereiro?

Certamente. Antes dos atentados de 11 de Setembro de 2001qualquer pessoa entrava na área pública do aeroporto internacional e não era revistada. A bagagem que ia para o avião não era filtrada com a rigorosidade que se impõe, havia algumas fragilidades. Depois dos atentados houve uma mudança radical nesta vertente. Adquirimos equipamentos de Raio X sofisticados que estão instalados nas áreas de pré-check-in e na de bagagem.

Os passageiros também são vistoriados?

Os passageiros antes de passarem pelos Serviços de Emigração são completamente rastreados para verificarmos se levam material proibido para bordo.

Os aparelhos instalados no aeroporto detectamuma agulha escondida no forro da mala?

Os nossos aparelhos são muitos sofisticados, fazem uma radiografia inequívoca do que está na mala do passageiro. Algumas pessoas já tentaram introduzir elevadas somas em malas que despacharam e o dinheiro foi visto através do Raio X e imediatamente apreendido. Tudo que entra no avião, desde os objectos que estão no corpo do passageiro até à mala que está na bagageira é do nosso conhecimento. Nada proibido passa despercebido à nossa vistoria.

Há pessoas e viaturas a circular na placa sem credenciais?

Na verdade, no passado viam-se viaturas sem qualquer credencial a circularem pela placa do aeroporto de um lado para outro. Face a esta anarquia, tivemos de accionar mecanismos para maior segurança das aeronaves, dos passageiros e dos funcionários. Os carros que hoje circulam pela placa são apenas os que apoiam as diversas companhias aéreas que operam no aeroporto. A Organização Internacional da Aviação Civil diz que a segurança deve estar a 50 por cento e a facilitação na mesma percentagem para que haja equilíbrio. Mas só há facilidades se tivermos realmente segurança.

Tem a parceria de entidades privadas para o reforço da segurança?

Aqui no aeroporto a segurança operacional é feita por funcionários da Enana, que foram devidamente treinados para o efeito. Temos a empresa de segurança WSS, que foi contratada para vigiar todos os acessos do aeroporto. Na área circundante do aeroporto a segurança é feita por agentes da Polícia Nacional. E dentro das instalações do aeroporto temos a operar as polícias Fiscal e a de Investigação Criminal, que respondem por eventuais incidentes nas suas áreas.

O check-in do voo que sai de Luanda para Houston, nos Estados Unidos, tem o mesmo tratamento dos voos das outras companhias?

O processo de embarque dos passageiros que saem de Angola para os Estados Unidos, por imposição de uma lei americana, passa por uma segurança redobrada. Além do rastreio habitual que fazemos, o processo de check-in é acompanhado também por uma empresa estrangeira.

Foi registado algum incidente com presumíveis terroristas?

Não tivemos até agora nenhum incidente de realce. Estamos fora dos grandes males que possam atrapalhar o nosso bom andamento.       

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