Dossier

Novas estruturas sociais em comunas da Huíla

Estanislau Costa| Chibia

Jovens com boas capacidades em várias áreas da construção civil, a maioria deles qualificados nos centros de formação técnico-profissional da Chibia, Lubango e Humpata, são, há quatro meses, os protagonistas da execução de obras realizadas no âmbito do Programa Municipal Integrado de Desenvolvimento Rural e Combate à Pobreza.

Várias localidades da Chibia passaram a dispor de melhores infra-estruturas como ruas asfaltadas e unidades hospitalares e escolares
Fotografia: Arimateia Baptista| Chibia

Jovens com boas capacidades em várias áreas da construção civil, a maioria deles qualificados nos centros de formação técnico-profissional da Chibia, Lubango e Humpata, são, há quatro meses, os protagonistas da execução de obras realizadas no âmbito do Programa Municipal Integrado de Desenvolvimento Rural e Combate à Pobreza.
O trabalho dos jovens, muitos deles empregados pela primeira vez com a reanimação das construtoras locais, impulsionou a dinâmica das sedes municipais, comunais e das povoações. Técnicos e máquinas entram em acção ao alvorecer e só terminam quando a fadiga doma tudo e todos.
A actividade de cada um é, de facto, um passo significativo na criação de alicerces para a implantação das bases e paredes para o surgimento de um novo empreendimento. As construtoras envolvidas nas obras de construção de empreendimentos públicos, para cumprirem os prazos, quase não interrompem os trabalhos.
A cada dia, nas comunas e povoações da província da Huíla, nascem empreendimentos socioeconómicos, como escolas, centros de saúde, casas para professores, mercados modernos, instalações para o funcionamento da administração do Estado, entre outros imóveis.
No município do Lubango, por exemplo, o Programa Municipal Integrado de Desenvolvimento Rural e Combate à Pobreza já utilizou fundos estimados em 270 milhões de kwanzas, na construção de infra-estruturas diversas e aquisição de equipamento informático e mobiliário para apetrecho.
Para justificar as áreas de utilização dos montantes, a responsável do Plano da Administração Municipal do Lubango, Margarida Acácio, explicou que os fundos foram investidos na construção de quatro escolas de seis salas, igual número de centros de saúde e casas para professores nas comunas da Huíla, Hoque, Arimba, Quilemba e na sede, Lubango.Constam ainda no pacote dos novos imóveis públicos, mercados comunais, reparação completa das vias secundárias e terciárias, um lar de terceira idade para acomodar os idosos com dignidade, e campos polivalentes para incentivar a prática do desporto nas comunas e povoações.

Comunas mudam de figurino

O soba grande da Huíla, Joaquim Huleipo, considerou inovadora a criação e execução do Programa Integrado do Executivo de Desenvolvimento Rural e Combate à Pobreza, por estar a mudar a vida das comunas e povoações de várias províncias do país. "O Governo fez bem em realizar obras nas comunas, porque a população vai ter agora muitos serviços mais próximos de si", disse.
Joaquim Huleipo acrescentou que o reforço, com novos e vários empreendimentos públicos e privados nas zonas mais recônditas das províncias, abre novas perspectivas para o desenvolvimento dessas localidades, onde em muitas existia apenas uma ou duas estruturas do Estado.
Várias localidades com poucos imóveis, afirmou, vão passar a dispor de melhores infra-estruturas para o funcionamento dos serviços administrativos, saúde, educação, energia e água, desportos, entre outros. "Estou satisfeito com as obras em curso e já concluídas em diversos pontos da província".
Ao referir-se às comunas e a algumas aldeias da Chibia, o soba grande disse que as mesmas estão a ficar mais bonitas com as infra-estruturas já concluídas e pintadas. Os novos empreendimentos das comunas do Jau, Capinda-Cavilongo, Quihita e nos sectores da Chibia vão incentivar o regresso de famílias aos seus campos de cultivo e produzir muita comida, acrescentou.
"As famílias que abandonaram as sanzalas por causa da guerra, insegurança e falta de oportunidades, vão agora poder voltar para as suas zonas de origem, porque já temos escolas, postos médicos, água e energia nas nossas comunas. Agora não é preciso ir à cidade para ver televisão. Aqui também há", disse, regozijado.
Na comuna do Calepi, no município de Caluquembe, as autoridades tradicionais elogiaram o Executivo, especialmente o Presidente da República, pela criação e concretização  do programa que está a dar um novo figurino às povoações e à vida da população rural. />O soba Manuel Casseve, num encontro com o governador da Huíla, Isaac dos Anjos, declarou que a população do Calepi está satisfeita com o facto de o programa levar os serviços sociais básicos à população, como escolas, postos médicos, água potável e outros de fundamental importância para a vida das famílias.

Aposta na agropecuária

O apoio aos pequenos e grandes agricultores associados em cooperativas agrícolas, com a execução do "Crédito Campanha", é encarado pelas autoridades tradicionais da província da Huíla como uma alavanca para envolver mais camponeses na lavoura, ampliar e diversificar os espaços produtivos e fortalecer a agropecuária na região.
Manuel Casseve considerou a estratégia de converter o empréstimo a cada contemplado em sementes, fertilizantes, instrumentos de trabalho, gado para tracção animal e outros bens, "como a melhor forma de se atribuir o crédito, porque faz com que o dinheiro seja empregue na acção definida".
"O camponês, quando recebe crédito, está moralizado que deve produzir, aumentar as terras de cultivo, preocupar-se com as plantas, porque tem à sua disposição aquilo que antes lhe faltava. Ninguém mais recebe dinheiro para depois investir noutras coisas que às vezes não dão lucro. Hoje, todos têm meios para apostar na terra", esclareceu.
Joaquim Huleipo referiu que na Chibia "temos a barragem das Ngangelas reabilitada e agora com muita água, que escorre ao longo do canal de irrigação. Muitos produtores já podem trabalhar tanto na época chuvosa como na seca, porque há água para irrigar todas as plantas quando for necessário".
Com o "Crédito de Campanha", mais de 120 agricultores das associações que exploram as terras do perímetro irrigado das Ngangelas receberam sementes, fertilizantes, catanas, enxadas e charruas, além de moagens, motobombas, carros de mão, pulverizadores e insecticidas.
O soba grande da Huíla referiu que cada produtor está empenhado no cultivo para cumprir os prazos de reembolso dos fundos. Importa realçar que os lotes de terras foram redimensionados nas Ngangelas, facto que permitiu abranger 77 beneficiários, dos quais 17 são camponeses.

Maior economia com educação e saúde

As autoridades tradicionais defendem que a economia só é possível crescer quando houver mais escolas e saúde. Por isso, os estabelecimentos de ensino e hospitais erguidos e em construção nas comunas e sectores de vários municípios representa uma acção segura para o efeito.
Os novos empreendimentos, sobretudo escolares, sublinharam, obrigam aos encarregados de educação e a sociedade civil a colaborar com o Executivo na melhoria da qualidade de ensino, tendo a coragem de "denunciar os professores que se recusam a cumprir os seus deveres".
Em relação ao sector da Saúde, o funcionamento de novas unidades nas comunas representa para os sobas "um grande alívio por estarem implantadas em locais muito próximos da população. Os primeiros socorros e assistência sanitária estão agora assegurados".
Na opinião dos sobas, as autoridades tradicionais devem também desenvolver pequenas acções para não esperar que seja só o Executivo a investir na construção de escolas e centros de saúde.
"Nos quimbos, onde há muitas crianças em idade escolar, é preciso fabricar adobes para a construção de escolas e só ir buscar ao Governo o professor", disse o soba Huleipo.
Defenderam igualmente que o mesmo deve ser feito com a higiene sanitária. "Nós é que produzimos o lixo e outros resíduos, nós também é que devemos criar condições para armazenar as sobras em locais apropriados, ao invés de deixar que passe a ser o governo a cuidar do lixo feito por nós".
O Programa Municipal Integrado de Desenvolvimento Rural e Combate à Pobreza financiou a construção de unidades hospitalares com bancos de urgência, consultas, serviços de clínica geral, Programa Alargado de Vacinação, pediatria, maternidade e farmácias, além da disponibilização de um fundo para aquisição de medicamentos e compra de produtos alimentares para os pacientes internados.

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