Dossier

Novos pólos industriais no Lucala e Dondo

Manuel Fontoura| Ndalatando

No quadro do projecto do Executivo que visa o relançamento da indústria transformadora, a província do Kwanza-Norte espera até finais do próximo ano, a entrada em funcionamento de dois novos pólos industriais no Dondo e Lucala. O director provincial do Kwanza-Norte da Indústria, Geologia e Minas, Emanuel Ferreira António de Sousa, em entrevista ao Jornal de Angola deu detalhes dos projectos.

Director provincial da Indústria do Kwanza-Norte fala dos projectos do sector
Fotografia: Nilo Mateus| Ndalatando

No quadro do projecto do Executivo que visa o relançamento da indústria transformadora, a província do Kwanza-Norte espera até finais do próximo ano, a entrada em funcionamento de dois novos pólos industriais no Dondo e Lucala. O director provincial do Kwanza-Norte da Indústria, Geologia e Minas, Emanuel Ferreira António de Sousa, em entrevista ao Jornal de Angola deu detalhes dos projectos.

Jornal de Angola (JA) – Em que ponto está a construção dos pólos industriais na província?

Emanuel Ferreira António de Sousa -
O Executivo, no âmbito da cooperação com a Índia, estabeleceu um contrato de financiamento com a empresa indiana Angelic International, para a criação de infra-estruturas no pólo industrial do Lucala. A empresa Angelic International neste momento já está no terreno a executar os trabalhos das infra-estruturas do pólo industrial do Lucala. Em relação ao pólo industrial do Dondo, continuamos à espera de directivas do Executivo. Segundo nos foi informado, está a ser seleccionado o investidor.

JA - O que podemos esperar dos dois pólos?

EFAS -
Segundo o contrato que a empresa assinou com o Executivo, o pólo industrial do Lucala tem 830 hectares e destes, 50 hectares são infra-estruturados. Nesses espaços podemos enquadrar as empresas angolanas que estiverem interessadas em instalar aí as suas indústrias.

JA - O que é criado na primeira fase?

EFAS -
São criados esgotos, captações de água, sistema de distribuição de energia eléctrica e meios de limpeza de resíduos industriais. Neste momento temos solicitações de alguns empresários interessados em instalar as suas indústrias no Lucala, logo que estejam concluídas as infra-estruturas.

JA - As solicitações enquadram-se em quê áreas da indústria?

EFAS -
Como o Lucala se encontra numa região com um pendor agrícola muito forte, nós temos solicitações de fazendeiros que querem instalar indústrias de aproveitamento de gordura animal, muito usada na indústria de detergentes, curtumes, com o aproveitamento das peles dos animais no fabrico couros e cabedais para pastas, calçado, cintos e outros produtos. Faz parte também do projecto uma fábrica de descasque e ensaque de arroz.

JA - Está prevista uma nova cerâmica?

EFAS -
A cerâmica é provável que não seja instalada dentro do pólo, porque as jazidas de barros e caulinos para o fabrico de tijolo, de telha e de outros produtos cerâmicos, encontram-se afastados da zona onde está a ser instalado o pólo industrial.

JA - Em que pé está a reconstrução da antiga cerâmica do Lucala?

EFAS -
Praticamente já nada existe da antiga cerâmica. Existe simplesmente a chaminé e o espaço. Penso que o programa não inclui a reconstrução da fábrica. O governo tem muitos espaços livres para construir uma cerâmica e vai fazê-lo noutro sitio.

JA - O que se passa com o pólo do Dondo?

EFAS -
O pólo do Dondo aguarda por investidores, mas a zona do Dondo já foi um dos grandes pólos industriais do país. Pensamos desenvolver na região indústrias para o fabrico de óleo de palma, óleo alimentar e óleo de amendoim. Esperamos instalar ainda as indústrias de aproveitamento de frutas: fábricas de sumos, fruta em calda, ácido cítricos, tal como fazia anteriormente a Banangola, embora esta se dedicasse mais à produção de farinha e doces.

JA - Qual vai ser o futuro da fábrica Satec?

EFAS -
A Satec está a beneficiar de um investimento de um banco Japonês integrado no relançamento em Angola da indústria têxtil. Muito brevemente a Satec vai voltar a ganhar aquela importância que já teve na economia angolana.

JA - Estão a ser criadas condições para a produção de algodão em grande escala?

EFAS -
A produção de algodão é algo que está acautelado e há explorações a produzir em vários pontos do país. A Satec, pelo que nos foi dado a conhecer, já não vai ter as linhas de produção de tecido e fio, mas vai usar o tecido para a produção de vestuário.

JA - Qual é o montante do financiamento para o pólo industrial do Lucala?

EFAS -
A empresa indiana, para construir as infra-estruturas em 50 hectares do pólo industrial está a investir mais de 30 milhões de dólares. O pólo industrial do Dondo vai ser instalado numa área de mais de mil hectares, mas ainda não há investidor.

JA - Como estão a funcionar as pequenas e médias empresas na província?

EFAS -
No Kwanza-Norte nós temos muitas pequenas empresas, são essencialmente pequenos produtores com moagens de transformação da mandioca em fuba, existem padarias em todos os municípios, carpintarias, serralharias, oficinas de mecânica e tantas outras. Todas estas empresas surgiram de uma forma de produção familiar e para que elas melhorem e se tornem mais produtivas e apresentem produtos de maior qualidade, precisam de empregar pessoas com mais de conhecimentos que só podem ser adquiridos nos centros de formação profissional.

JA - Em que pé está o projecto de uma oficina moderna de reparação de viaturas?

EFAS -
O Kwanza-Norte propôs ao Ministério da Indústriaprojectos relativos a recauchutagem e vulcanização de pneus, que já se encontram a ser analisados na Unidade Técnica do ministério e vão ser levados à banca para serem financiados. Temos outros projectos de empresas privadas que se candidataram no âmbito do programa de relançamento da indústria e que já estão na banca à espera de financiamento: duas fábricas de óleo de palma, uma cerâmica, uma metalo-mecânica, uma fábrica de amido a partir da mandioca, uma fábrica de chapas de zinco, uma serração e carpintaria, uma fábrica de água de mesa, duas de materiais de construção, uma de papel e outra para a produção de bens alimentares.

JA - Dado o potencial agrícola da província, estão previstas fábricas ligadas ao ramo da agro-indústria?

EFAS -
O Kwanza-Norte tem um grande potencial agrícola e há projectos para plantar novos palmares e renovar os antigos. Os municípios de Cambambe, Golungo Alto, Ngonguembo e Samba Cajú devem ter no mínimo uma fábrica de óleo de palma. O óleo de palma está a ser muito procurado nos mercados internacionais, além de servir de alimentação para s populações, também podemos vendê-lo para o fabrico de biodiesel. Em Ndalatando, Golungo Alto, Lu­cala e Camabatela temos de garantir a existência de fábricas de secagem, moagem e torrefacção de café. Temos de fomentar a plantação de árvores para termos aqui uma fábrica de pasta de papel.

JA - Quantas empresas estão licenciadas para a exploração de inertes?

EFAS -
Neste momento temos 23 empresas a funcionar na província. Algumas são privadas, mas grande parte está sob égide do Gabinete de Reconstrução Nacional. Os inertes retirados estão a ser usados na construção da nova centralidade do Kilamba-kiaxi em Luanda. Também foram usados na construção da estrada entre Catete e o Dondo.

JA - Para além dos inertes, abundam na província minerais como ferro, prata e cobre. Em que zonas vão ser explorados?

EFAS -
Este é outro projecto do Executivo e para o Kwanza-Norte está projectada a exploração de ferro e manganés nos morros de Cassala e Kitungo (Cambambe), que já na época colonial foram feitos testes de prospecção. Este projecto está agora com a empresa Angola Exploration Mining Resources (AEMR), que é um con­sórcio que engloba a Ferrangol pela parte do Estado, o grupo Geniuse e outras empresas privadas. No passado, houve igualmente exploração nas minas do Saia mas é preciso desminar a zoina e reconstruir aos acessos. Havia a zona de exploração de mármore no Zanga, que também está atribuída à Ferrangol.

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