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Obras da auto-estrada do Zaire foram pagas

João Mavinga e Fernando Neto| Mbanza Congo

As verbas destinadas à execução da auto-estrada que liga o município do Nzeto, na província do Zaire, ao Caxito, no Bengo, já foram pagas pelo Executivo às empresas de obras públicas a quem foram consignadas as empreitadas, garantiu esta semana na cidade de Mbanza Congo o secretário de Estado da Construção.

Está projectada uma auto-estrada que liga Caxito ao Nzeto e Soyo com uma faixa de rodagem de doze metros em cada sentido
Fotografia: Jaquelino Figueiredo

As verbas destinadas à execução da auto-estrada que liga o município do Nzeto, na província do Zaire, ao Caxito, no Bengo, já foram pagas pelo Executivo às empresas de obras públicas a quem foram consignadas as empreitadas, garantiu esta semana na cidade de Mbanza Congo o secretário de Estado da Construção.
Joanes André assegurou que o arranque da empreitada está condicionado à conclusão dos trabalhos de desminagem em. "No troço que liga o município do Nzeto ao Caxito, o empreiteiro está mobilizado e a concentrar os materiais necessários, para a execução da obra. O início da empreitada depende da entrega da área desminada, para que os trabalhos decorram em segurança", afirmou Joanes André, pedindo calma à população do Zaire porque o Executivo é o primeiro interessado em ver as obras concluídas.
Joanes André, que falava durante a apresentação dos planos directores das infra-estruturas urbanas integradas dos municípios do Tomboco, Nóqui e Cuimba, assegurou que as dificuldades por que passa a população do Zaire para chegar a Luanda e outros pontos do país são ultrapassadas com a conclusão da auto-estrada entre o Nzeto e o Caxito.
Joanes André informou que está projectada uma auto-estrada que liga Caxito ao Nzeto e Soyo com 250 quilómetros e uma faixa de rodagem de 12 metros em cada sentido, bermas de estacionamento e equipamentos de drenagem das águas pluviais.
O secretário de Estado da Construção garantiu que a sua deslocação a Mbanza Congo, na companhia de projectistas e construtores, se enquadra na nova filosofia de trabalho do sector, que visa promover um debate conjunto que permita colher das autoridades provinciais subsídios de quem vive no terreno sobre a realidade local.
"Acabamos de apresentar um programa, cujos estudos iniciais começaram em 2008, tendo em conta a actualização que se impunha, e hoje viemos trabalhar com as áreas técnicas locais, porque os projectos são para dar solução aos problemas e os que vivem as dificuldades devem participar directamente na sua solução", disse o secretário de Estado.
Joanes André esclareceu durante o fórum, que decorreu na sala de conferências do Governo Provincial do Zaire, o quadro de execução das infra-estruturas integradas dos municípios de Mbanza Congo, Nzeto e Soyo, cujas obras foram anunciadas no ano passado. Referiu que já foram ultrapassadas as fases de mobilização de meios e sondagens que culminaram com a elaboração dos projectos que vão ser executados nos municípios da província do Zaire.
"Os empreiteiros estão mobilizados para a execução das obras. Já ultrapassámos também a fase administrativa e financeira. Agora, após o pagamento do adiantamento aos empreiteiros, temos apenas que continuar o trabalho. Precisamos de decidir em conjunto sobre a prioridade de execução da primeira etapa nos três municípios", disse Joanes André.
As obras de infra-estruturas integradas, explicou o secretário de Estado, são acções de carácter urbanístico elaboradas de forma coordenada com todas as instituições envolvidas, para acautelar o pleno funcionamento das redes técnicas e evitar a duplicação de projectos e investimentos.
"Este novo mecanismo de trabalho permite evitar erros do passado, em que o Executivo fazia a reconstrução de uma via rodoviária e uma instituição especializada na aplicação de esgotos ou cablagem de telecomunicações vinha a seguir e destruía o trabalho. Para evitarmos isso, o Ministério de Urbanismo e Construção orienta e executa todas as obras em coordenação com os vários serviços a instalar", explicou Joanes André.

Prioridade absoluta

O responsável de desminagem da estrada entre o Nzeto e o Caxito, coronel Sebastião Manuel, da Casa Militar, explicou que entre as várias frentes em que as brigadas estão a trabalhar, a via Nzeto/Caxito "é prioridade das prioridades absolutas" do plano do Executivo, tendo em linha de conta as dificuldades que as chuvas que se avizinham provocam às populações para se deslocarem do Zaire a Luanda.
"Reforçámos, recentemente, o perímetro Caxito-Nzeto com mais três brigadas de desminagem, cada uma com a incumbência de libertar de minas 69,3 quilómetros de solo, dada a urgência e a necessidade que se impõe para o começo das obras de asfaltagem nesta via e movimentámos duas máquinas de desminagem para o apoio a essas brigadas e acelerarmos o processo", disse o coronel Sebastião Manuel.

Governo do Zaire

O governador do Zaire, Pedro Sebastião, defendeu a necessidade da equipa técnica do Ministério do Urbanismo e Construção asfaltar as ruas da cidade de Mbanza Congo, no quadro das infra-estruturas integradas que vão ser erguidas na região. "Preferimos, muito sinceramente, que a capital da província do Zaire receba a devida atenção dos executores deste programa. Refiro-me à colocação do asfalto nas ruas da cidade e arredores", disse o governador do Zaire.

Ruas por asfaltar

Mbanza Congo tem 19 quilómetros de ruas urbanas e suburbanas desprovidas de asfalto, o que tem, segundo o governador Pedro Sebastião, descaracterizado a cidade e prejudicado a saúde dos moradores, devido às nuvens de poeira no período de cacimbo e o estado calamitoso das ruas na época das chuvas.  
Pedro Sebastião pediu ainda à equipa de projectistas que se deslocou a Mbanza Congo para reavaliar as dimensões das ruas planificadas para as centralidades dos municípios da província do Zaire, de modo a evitar futuros engarrafamentos de trânsito, uma vez que a asfaltagem das vias que ligam Luanda ao Soyo e Cuimba vai provocar um crescimento demográfico acentuado.

A voz do povo

À saída do encontro, Ediverges Bernarda, enfermeira, disse que o arranque das obras na auto-estrada até ao Caxito, "traduz o reconhecimento da importância do Zaire no todo nacional". Ediverges Bernarda pediu que seja levado em conta o problema da poeira na cidade de Mbanza Congo no tempo seco e a lama na época das chuvas.
"Em Mbanza Congo, as pessoas ficam muito doentes no tempo seco, as casas ficam cheias de poeira e agudizam-se os problemas das doenças respiratórias e visuais devido à poeira", disse a enfermeira.
Ediverges Bernarda declarou que a solução do problema passa pelo asfalto nas ruas da cidade, a desobstrução dos esgotos e a construção de novas redes técnicas: "o bairro Madungo, onde vivo, é uma zona montanhosa, desprovida de asfalto e localizada no centro da cidade. Para me deslocar ao serviço, tenho encontrado sérias dificuldades. Muitas vezes sou obrigada a calçar botas de chuva devido à lama nas ruas e levo mais um par de sapatos na pasta para  calçar no local de trabalho".

Outras reacções

O assunto da poeira tem criado polémica na cidade. António Tomás Miqueas, responsável da empresa de autocarros públicos, Transcin, disse estar cansado de ver empresas a efectuar trabalhos topográficos todos os anos, sem que se concretize "o que o povo quer, que é ver as ruas asfaltadas".
Em relação às vias de acesso às zonas periféricas, António Tomás Miqueas disse que deviam ser asfaltadas para evitar a lama e a poeira.
Tomás Miqueas disse que as chuvas provocam graves problemas nas ruas da cidade de Mbanza Congo, impedindo os autocarros de circular. "Estamos confiantes que o programa do Executivo relativamente às obras das infra-estruturas integradas, que também beneficiam Mbanza Congo, tenha êxito para alterarmos este triste cenário que vivemos", sublinhou.

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