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Obras na estrada encurtam viagens

Fula Martins| Ndalatando

Num passado recente, os automobilistas que saíssem de Luanda para Ndalatando, capital da província do Kwanza-Norte, levavam cerca de quatro horas. Hoje, com a reabilitação do troço Zenza do Itombe/Ndalantando, na Estrada Nacional 230, numa extensão de 91 quilómetros, os automobilistas passam a faze-los em apenas duas horas.

Troço Zenza do Itombe/Ndalatando regista agora grande circulação de automobilistas que evitam circular no Morro do Binda
Fotografia: Fula Martins

Num passado recente, os automobilistas que saíssem de Luanda para Ndalatando, capital da província do Kwanza-Norte, levavam cerca de quatro horas. Hoje, com a reabilitação do troço Zenza do Itombe/Ndalantando, na Estrada Nacional 230, numa extensão de 91 quilómetros, os automobilistas passam a faze-los em apenas duas horas.
As obras de reabilitação do troço, que inclui as localidades de Triângulo, desvio do Golungo Alto e Luínha, já estão em fase de conclusão e vão permitir que a circulação rodoviária seja mais fluida. A reportagem do Jornal de Angola percorreu os 91 quilómetros e constatou que os trabalhos decorrem de forma acelerada, estando parte do troço a receber tapete asfáltico, faltando apenas poucos quilómetros para ligar à estrada que passa pelo Morro do Binda.
Para isso, as construtoras responsáveis pela obra trabalham 24 horas por dia, sem paragens, havendo mais de cem homens apoiados por camiões e mais de uma centena de outras máquinas.
Os trabalhos consistem na reconstrução geral da estrada, colocação de pavimento de betão betuminoso, aplicação de 34 passagens hidráulicas para escoamento de água no período chuvoso, construção de rotunda no desvio para o Golungo Alto e sinalização.
Em algumas áreas, o troço está a receber sinalização vertical, protecção das curvas e contra curvas, valas de drenagem para escoamento das águas e reflectores nocturnos para facilitar a condução dos automobilistas durante o trajecto.
A reabilitação do troço Zenza do Itombe/Ndalatando  vai fazer com que muitos condutores, principalmente camionistas, circulem na no­va estrada, evitando, desta forma os constrangimentos do famoso Morro do Binda.

Automobilistas satisfeitos

Mário Gonçalves, motorista de uma empresa privada de transporte de combustível para a região Nordeste do país, afirmou que a reabilitação daquele troço vai facilitar o trânsito no Morro do Binda, onde se verificavam vários acidentes, que resultaram na morte de centenas de pessoas e  ferimentos a milhares de outras. Para ele, a nova estrada vai ajudar, não só os automobilistas, mas também os cidadãos que vivem ao longo do troço Zenza do Itombe/Ndalantando.
"Hoje, com a reabilitação da via, já viajamos à vontade, ao contrário do que acontecia anteriormente, uma vez que, devido ao mau estado da estrada, tínhamos muitos problemas com as nossas viaturas", explicou, reconhecendo o empenho do Executivo na reabilitação e construção de novas estradas que vão ligar todo o país.
"Para que haja crescimento e desenvolvimento num país são necessárias estradas que permitam ligar o litoral ao interior, possibilitando assim a circulação de pessoas e bens, a reabilitação e construção de novas escolas, hospitais e outras infra-estruturas que concorrem para o bem-estar das populações", afirmou Mário Gonçalves.
Caetano Lourenço, outro camionista, que faz com regularidade o trajecto Luanda-Ndalatando-Ma­lan­ge, disse estar satisfeito com a o­bra de reabilitação daquele troço, por ser, neste momento, a via que maior segurança oferece aos veículos ligeiros e pesados.
"Começam a ser visíveis sistemas de drenagem das águas das chuvas, pontes pequenas, protecção das curvas e contra curvas e reflectores no pavimento", observou.
Celestina Augusto, outra jovem negociante do mercado do triângulo, pediu às empresas encarregues da obra para acelerarem o processo de reconstrução do troço e afirmou acreditar que, com a estrada reabilitada, o preço da viagem possa ser reduzido, uma vez que os taxistas deixarão de ter a desculpa de cobrar muito por causa do mau estado da via. "Se o preço vai baixar, ou não, depende dos próprios taxistas, mas acho que terão de baixar", explicou Celestina Augusto.
Mário Gonçalves e Caetano Lourenço, ambos camionistas da empresa 5M, disseram ao Jornal de Angola que, com a conclusão do novo troço, vai acabar o calvário do Morro do Binda que, durante décadas, viu milhares de pessoas perderem as suas vidas e outras a ficaram deficientes, em consequência de várias viaturas de transporte de carga e passageiros que ali capotavam.
Mário Gonçalves referiu que circular sobre o Morro do Binda vai ser coisa do passado, apenas os curiosos e turistas que pretenderem conhecer o vão fazer.
Depois de concluídas as obras, a circulação de pessoas e mercadorias nas povoações Cahoca, Tombo-Tombó, Triangulo Caxilo e Zenza Itombe vai melhorar.
Os camponeses e criadores de animais dessas zonas elogiaram as autoridades pela reabilitação da estrada que vai facilitar o acesso à sede da província e impulsionar os investidores interessados a comprarem os produtos do campo.

Novos ventos

Marcelo Kiala, camponês da região do Tombo-Tombó, com a sua enxada ao ombro vindo da lavra, disse ao Jornal de Angola que a nova via vai trazer desenvolvimento às populações que vivem em zonas à beira daquela estrada.
"Vai ajudar os camponeses a escoar os seus produtos, que muitas vezes acabam por apodrecer no campo por falta de transporte", explicou, acrescentando que antigamente, por falta de estrada e meios de transportes, os camponeses tinham a vida muito dificultada.
"Com o novo troço, a produção vai aumentar e vamos poder escoar rapidamente os nossos produtos em grande escala, porque já não vão estragar-se no campo", concluiu Marcelo Kiala.
Marcolino Semedo, outro camponês da área da Trompeta, considerou a construção da estrada como sendo a mola impulsionadora para o desenvolvimento social e económico da região e o incentivo para potenciais investidores na região rica em agricultura.
O camponês pediu àqueles que têm capacidade financeira para investirem na região, salientando que as autoridades estão abertas a apoiá-los com os meios ao seu alcance, no sentido de melhorar as condições das pessoas do interior.

Comércio na estrada

Ao longo da estrada é notório o comércio dos produtos do campo, com realce para a banana, laranja, mandioca, fuba de bombo, dendém, carvão, só para referir alguns. A carne de caça também é comercializada, mas de forma tímida, devido aos fiscais do Instituto de Desenvolvimento Florestal.
Ao fim-de-semana, o local é percorrido por muitos clientes e turistas que aproveitam para fazer as suas compras aos fins-de-semana.
Marcelina José, proprietária de um restaurante em Luanda, disse que aos fins-de-semana se desloca a essas paragens com o intuito de fazer compras.
"Aqui, os produtos são baratos em relação à praça do Casualala e Dondo, onde as coisas são caras", explicou Marcelina.
Dona Marcelina, conforme estava a ser tratada pelas suas fornecedoras, afirmou que prefere fazer as compras de carvão, couve, batata, mandioca, hortaliças e carne de caça aqui por serem acessíveis.

Paragem obrigatória

A praça do triângulo, localizada no entroncamento entre Golungo Alto e Ndalatando, é paragem obrigatória para todos aqueles que circulam naquele troço, para saborearem as comidas típicas, como carne de cambuge, veado, javali, vinho, cerveja e um bom maruvo, bebida típica da região.
O mercado local é convidativo, sendo possível comprar de tudo um pouco, tudo dependendo do bolso e gosto de cada um.
Conceição dos Santos, vendedora de comida no triângulo, disse que uma das vantagens é as pessoas já poderem viajar para Luanda em menos de três horas, o que antes era impensável, na medida em que anteriormente a viagem duravam mais de quatro horas.
"É bom ver, que o Executivo está preocupado em aproximar a cidade do campo, porque com estrada reabilitada será mais fácil chegar a cidade e vice-versa", disse.

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