Dossier

Peregrinação leva jovens católicos a Madrid

Adalberto Ceito

A Jornada Mundial da Juventude reúne católicos em Madrid e Angola marca presença com uma delegação de 520 jovens. O Papa Bento XVI é o “inscrito número um” entre mais de 370 mil crentes que confirmaram presença. A organização espera receber um milhão e meio de participantes.

Delegação que em Madrid representa Angola na Jornada Mundial da Juventude durante o encontro com o ministro Muandumba
Fotografia: Mota Ambrósio

A Jornada Mundial da Juventude reúne católicos em Madrid e Angola marca presença com uma delegação de 520 jovens. O Papa Bento XVI é o “inscrito número um” entre mais de 370 mil crentes que confirmaram presença. A organização espera receber um milhão e meio de participantes.
A oportunidade de ver e ouvir o Papa Bento XVI, no decorrer da 26ª Jornada Mundial da Juventude, que decorre de 16 a 21 de Agosto, em Madrid, tem sido motivo de júbilo para Agostinho Calonda. Aos 28 anos, integra a delegação angolana que naquela cidade europeia participa no encontro.
Agostinho Calonda nasceu e cresceu no seio da Igreja Católica. Proveniente da diocese de Luanda, desde tenra idade que ouvia falar
dos benefícios que a jornada proporciona no diálogo e na busca de soluções para os problemas que afectam a juventude no mundo. Admite que o sonho de participar vem de longe e desta vez não quis perder a oportunidade: “não hesitei em aderir e fiz logo a inscrição”.
Agostinho Calonda explica que não foi fácil preencher os requisitos, mas está ansioso por interagir com jovens vindos de outras partes do mundo: “a expectativa é grande e sinceramente espero que a delegação angolana possa corresponder de forma positiva”.
O mesmo pensamento é partilhado pela maioria dos integrantes da comitiva. Oriunda da diocese de Benguela, Vanuza Caetano não escondeu a satiasfação por fazer parte da delegação angolana: “confiem em nós, porque vamos representar o país condignamente, com o espírito de união e irmandade”.
Vanuza Caetano já esteve noutros encontros internacionais e faz parte de um grupo de 34 jovens em representação de Benguela. Antes esteve na jornada realizada na Austrália. Desta actividade guarda na memória a boa imagem deixada pelos angolanos, devido aos dotes artísticos evidenciados.
Entre promessas e desejos que espera ver concretizados, Vanuza Caetano vê no encontro com o Papa Bento XVI a possibilidade de “rezar a favor da juventude angolana que está diante de desafios difíceis e que muito necessita de apoio para encontrar novos rumos de vida”.  Madalena Tchissambwe é uma jovem crente da diocese do Luena. Os momentos que antecedem o início do encontro são vividos com ansiedade. “Nós que teremos o privilégio de marcar presença nesta manifestação de fé, vamos para lá viver momentos de grande reflexão, e após o regresso transmitir as orientações do Santo Padre e tudo aquilo que possa ser útil para a juventude angolana”, salienta.


Anos de preparativos


Os preparativos para a participação da delegação angolana começaram há três anos com a apresentação de temas e recolha de fundos.
O Director Nacional da Pastoral Juvenil, padre Armando Alberto, disse à nossa reportagem que foi necessário agrupar as dioceses para informar sobre os objectivos da peregrinação. Depois do envio do nome dos candidatos, a Pastoral Juvenil passou a informar com regularidade os caminhos que as dioceses deviam a seguir.
“A responsabilidade na escolha dos participantes foi das dioceses. São jovens com maior protagonismo no exercício da acção juvenil nas respectivas províncias”, disse.
O padre Armando Alberto recorda que Angola leva a Madrid 520 jovens dos quais 115 são fiéis da Universidade Católica de Angola e dos padres salesianos, 156 da Comissão Episcopal da Juventude, dez da Congregação das Irmãs Mercedárias e 25 jovens provenientes da zona de Calumbo.
Além das experiências religiosas e cristãs, o padre Armando Alberto disse que a caravana angolana leva na bagagem alguns traços culturais do país. Se não houver alterações no programa de actividades, as danças tradicionais da região Leste, Centro-Sul e Norte, podem ser apreciadas em Madrid. Algumas estatuetas para presentear os jovens de outros países com os quais surja a possibilidade de interagir também constam das bagagens.


Educação para a cidadania


Criar consciência religiosa entre jovens de diferentes culturas é o objectivo fundamental para a realização das jornadas. O padre Armando Alberto realça que “sem a presença de Deus inclinamo-nos para o egoísmo e isso tem criado situações desastrosas no mundo. Essa visão profética anunciada pelo Papa João Paulo II tornou possível a reunião de milhares de jovens para reflectirem sobre os problemas actuais” procurar as melhores soluções. A jornada inclui uma passagem pelo Santuário de Fátima, em Portugal. O padre Armando Alberto diz que, oficialmente, o encontro começa no próximo dia 16, e aponta a presença do Papa Bento XVI, a 19 de Agosto, como o ponto mais alto do evento.
O Director Nacional da Pastoral Juvenil enaltece a participação angolana com a tarefa atribuída ao chefe da delegação, o bispo da diocese de Ndalatando, D. Almeida Canda. Em representação da comunidade lusófona, o prelado tem a incumbência de proferir três palestras, enquanto para a comunidade angolana o comité organizador atribui a coordenação de um centro lusófono de aproximadamente seis mil jovens.


Apelo à solidariedade


Aos participantes à 26ª Jornada Mundial da Juventude, em Madrid, o ministro da Juventude e Desportos lançou o apelo da solidariedade, honestidade e companheirismo, de modo a dignificar o nome do país.
Gonçalves Muandumba teve um encontro com os jovens das diferentes dioceses católicas do país e lembrou que é sempre uma honra representar o país, mas alertou para a necessidade de fazê-lo com espírito de responsabilidade e de missão. “Não adianta representar Angola e deixar ficar mal a sua imagem, com práticas desleais. É fundamental enaltecer as cores da nação com uma boa representação”, disse o ministro.


Historial da Jornada


Também chamada “Encontro de Fé”, a primeira “Jornada Mundial da Juventude” foi proposta pela primeira vez, em 1985, pelo Papa João Paulo II, que pretendia obter um amplo movimento da juventude católica a nível mundial. Desde então, os encontros acontecem de três em três anos, sob o signo de uma temática de orientação. A primeira experiência foi realizada em 1986, nas Filipinas. Estados Unidos, França, Canadá, Itália, Alemanha e Austrália constam do roteiro.
Durante o encontro, a logística é da responsabilidade do comité organizador. O padre Armando Alberto diz que estão criadas as condições para uma boa representação e elogia o apoio dado à delegação angolana pelo Executivo e por algumas instituições privadas.

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