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Pólo industrial da Catumbela começa e emergir

António Gonçalves | Benguela

O Pólo de Desenvolvimento Industrial da Catumbela (PDIC), localizado entre as cidades de Benguela e Lobito, conta actualmente com 100 projectos empresariais.

 

 

Fábrica de emulsões e betumes modificados está instalada há cerca de três anos no Pólo de Desenvolvimento da Catumbela
Fotografia: António Gonçalves | Benguela

O Pólo de Desenvolvimento Industrial da Catumbela (PDIC), localizado entre as cidades de Benguela e Lobito, conta actualmente com 100 projectos empresariais.
De acordo com o responsável daquela instituição, engenheiro agrónomo Samuel Amaral, a situação geográfica da região e a rede rodoviária, que parte da cidade do Lobito em direcção ao Centro, Sul e Norte de Angola, constitui a condição que incentiva os empresários a apostarem na indústria naquela localidade, recentemente elevada à categoria de município da província de Benguela.
A perspectiva da abertura do Caminho-de-ferro de Benguela, que facilitará o escoamento de mercadorias do litoral para as províncias do Huambo, Bié e Moxico, até aos países vizinhos, é outra vantagem oferecida pela região.
Entre as diversas condições que levam os empresários a apostarem na industrialização da Catumbela destaca-se, também, o facto do governo provincial estar apostado na produção e fornecimento de energia eléctrica às indústrias e às comunidades, com a recuperação da barragem do Lomaun, até ao final deste ano, para produzir 60 megawatts, a montagem de uma central térmica com capacidade para produzir 50 megawatts, e o desenvolvimento do projecto de águas, com capacidade para fornecer um metro cúbico por segundo, como forma de viabilizar os projectos dos investidores.
Assim, e como resultado de um investimento avaliado em 1,5 milhões de dólares, foi erguida no Pólo de Desenvolvimento Industrial da
Catumbela uma fábrica de fraldas descartáveis, que entrou em funcionamento em Julho.
Concebida para produzir 250 fraldas descartáveis da marca “Neonatal” por minuto, tendo em conta a força de trabalho, numa primeira fase composta por apenas 40 pessoas e a funcionar em turnos de seis horas cada, a fábrica contribui para a economia da província e do país, pelo facto de prever como mercado, além de Benguela, as províncias do Huambo, Huíla, Namibe e Luanda.
De acordo como José Lourenço, sócio-gerente da referida empresa, a concorrência com os produtos da mesma espécie provenientes do exterior será salutar, pois serão confeccionados com matéria-prima oriunda de países como a Turquia, Itália e Estados Unidos, o que garante qualidade e um preço acessível.
 

Televisão a cabo

A TV-Cabo, instalada na província de Benguela desde 2009, continua a sua fase de expansão pela zona litoral da província, onde já presta serviço a cerca de 10 mil clientes.
“O nosso objectivo é expandir. Actualmente estamos a actuar mais na zona do Lobito e a próxima etapa será a zona de Benguela, para podermos expandir a rede existente”, garantiu ao Jornal de Angola Arlindo Fernandes, director técnico da empresa em Benguela.
Segundo ele, a relação entre a empresa que representa e os clientes tende a ser muito próxima, uma vez que, além das duas lojas que possuem, prestam apoio técnico telefónico até às 22 horas e sempre que há qualquer problema com o cliente e o mesmo entra em contacto com a sua direcção técnica, tudo é feito para que num prazo máximo de 24 horas o problema seja resolvido.
“Na cidade do Lobito fornecemos actualmente serviços de TV cabo a cerca de 10 mil clientes, cobrindo desde o bairro da Luz até à Bela Vista, e no bairro do Liro devemos chegar ainda este ano”, assegurou.  Para Benguela, o responsável revelou estarem actualmente a procurar cobrir a zona do aeroporto, numa altura em que o trabalho no centro da cidade de Benguela está prestes a ser concluído.
Relativamente aos bairros da orla marítima, como Massangarala, Casseque e Navegantes, Arlindo Fernandes garante que, apesar de não constar ainda no plano da empresa, os trabalhos aguardam por uma delegação técnica da empresa, para que uma avaliação seja feita para a elaboração de um plano de trabalho para o efeito.
A TV-Cabo está a utilizar a tecnologia japonesa FTH nas cidades de Benguela e Lobito, que consiste na ligação directa em fibra óptica, desde a central da empresa até casa do cliente, sem qualquer possibilidade de provocar falhas por falta de energia ou outros problemas de avaria de equipamento.
De acordo com o director técnico da TV-Cabo, para o arranque do projecto nas cidades de Benguela e Lobito foram necessários 12 milhões de dólares, com uma perspectiva de rentabilidade de dois anos.
Dos serviços que a TV-Cabo presta nestas duas cidades, a Internet de banda larga é a que menos reclamações tem originado à empresa, por constituir um serviço estável, que apresenta poucas falhas e é fornecido por operadores como a Angola-Telecom e uma sociedade de “Backup” a nível de INTELSAT.
Quanto aos programas de televisão, alguns clientes não se mostram muito satisfeitos, mas o serviço é equiparado ao de outras operadoras, como a Multichoice, Zap e UAU-TV, onde a diferença reside apenas na tecnologia utilizada.
 

Emulsões betuminosas
 

Uma fábrica de emulsões e betumes modificados, com capacidade para produzir 25 mil toneladas de derivados asfálticos por ano, está instalada há cerca de três anos no Pólo de Desenvolvimento da Catumbela.
De acordo com Juan Flores, director-geral da EBM, a fábrica produz actualmente apenas 50 por cento de emulsões betuminosas, 25 por cento de betumes cortados e outros 25 por cento em betumes qualificados.
Juan Flores acrescentou que em 2007, a empresa apresentou quotas de produção altas, mas tiveram uma baixa em 2010, em consequência da crise financeira que abalou o mundo, embora tenha assegurado que os níveis de produção estão a ser recuperados durante o presente ano. Os produtos da EBM têm como destino fundamental os empreiteiros de obras públicas e administrações municipais, para as tarefas de conservação e construção de estradas.
“Produzimos de acordo com as normas internacionais todo o tipo de derivados para aplicar em obras rodoviárias e aeroportuárias, tanto para construção como para conservação”, sublinhou o director-geral.
Uma outra fábrica de derivados asfálticos está igualmente a funcionar desde Junho em Luanda e, com o surgimento dessa nova fábrica, Juan Flores garante que a EBM, a primeira no fabrico de derivados asfálticos em Angola, vai poder produzir cerca de 45 mil toneladas.
Para o apoio social aos trabalhadores, a empresa destina uma percentagem específica para o fundo social, além do seguro de vida e outros benefícios. São igualmente garantidos aos trabalhadores e aos seus familiares directos outros apoios, como o acesso aos serviços de saúde, enquanto em matéria de segurança são cumpridas as normas internacionais, o que permitiu que durante os quatro anos de existência da fábrica não se tenha registado um único acidente de trabalho.
 

Mais empresas até ao fim do ano
 

De acordo com a directora provincial da Indústria, Augusta Pinto, está previsto para este ano a inauguração no Pólo de Desenvolvimento Industrial da Catumbela (PDIC) de 19 empresas de vários ramos de actividade.
Além de potenciar o sector, garante ser uma demonstração de que Benguela está a crescer, porque se junta a esse esforço o surgimento de outras indústrias que estão a nascer nos pólos industriais de Benguela e Lobito, sem contar com a pequena actividade económica ligada à indústria de panificação instalada em quase todas as zonas das duas cidades.
Para a responsável pelo sector da indústria na província, a reabilitação do Caminho-de-ferro de Benguela (CFB) vai garantir o crescimento das indústrias que necessitarão de áreas transversais, como a dos transportes, particularmente para o ferroviário.
Augusta Pinto anunciou que um outro pólo industrial está igualmente a surgir na localidade do Biópio, município do Lobito, onde já se movimentam as parcerias público-privadas. Acrescentou que, quando a sua transformação em reserva fundiária do Estado for um facto, os incentivos do governo se resumirão à criação de condições de instalação da energia eléctrica, água e a à construção de estradas.

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