Dossier

Programas sociais tiram Ganda da pobreza

Sampaio Júnior | Ganda

O administrador municipal da Ganda, Caetano Lopes, assegurou ao Jornal de Angola que no município existe um trabalho árduo, com políticas sérias de desenvolvimento voltadas, principalmente, para o aumento da produção de bens e serviços.

Autoridades locais asseguram que estão em curso uma série de projectos sociais que visam dar à Ganda uma nova imagem
Fotografia: Jornal de Angola

O administrador municipal da Ganda, Caetano Lopes, assegurou ao Jornal de Angola que no município existe um trabalho árduo, com políticas sérias de desenvolvimento voltadas, principalmente, para o aumento da produção de bens e serviços, no quadro do Programa do Executivo de Combate à Fome e à Pobreza no meio rural.
Para Caetano Lopes, é possível, em pouco tempo, encontrar soluções uniformes para se combater a pobreza. “O que temos feito para erradicar este mal está a dar resultados positivos nas aldeias e povoações recônditas, que têm novas escolas, postos de saúde e vias terciárias melhoradas, permitindo a evacuação da produção agrícola dos camponeses para os grandes centros de consumo”, afirmou.
Do seu ponto de vista, a erradicação da pobreza e da fome passa, também, pela equidade na distribuição do rendimento e por se desenvolverem os recursos humanos. “Esses vectores, que temos procurado atingir, são importantes na resolução dos problemas e, entre nós, estão a criar impacto na melhoria da qualidade de vida da comunidade”, referiu.
No município, vão ser construídas 200 casas para dar dignidade às pessoas e as reservas fundiárias estão já identificadas, pelo que a administração local tem todos os mecanismos prontos para o arranque das obras.
“Temos em curso uma série de projectos que visam dar à Ganda uma nova imagem, acções incluídas no programa prioritário da administração local, aprovado pelo governo de Benguela”, explicou, assegurando que até final de 2011, a Ganda terá mais de 90 por cento das obras públicas em execução concluídas.

Bem-estar da comunidade

Entre os projectos importantes em execução, que vão proporcionar o bem-estar à comunidade, Caetano Lopes realça a reabilitação urbana, a prestação de um serviço de qualidade no fornecimento de água potável, electricidade e telecomunicações e a criação de espaços verdes.
“Tudo isso está a ser feito para recuperar o atraso verificado no ano passado no programa de construção de novas infra-estruturas sociais”, afirmou, adiantando que “vamos avançar com a reabilitação do parque escolar e de mais centros de saúde nas aldeias e povoações, para prestar um serviço de proximidade, evitando que as populações andem dezenas de quilómetros para receberem tratamento médico ou terem aulas”.
Para já, o ensino primário é uma realidade em todas as localidades do município e só o ensino médio continua a ser, por enquanto, ministrado apenas na sede municipal.
No âmbito do programa de investimentos públicos para 2011, vão ser erguidas novas instalações escolares para reduzir o número de crianças que continuam sem estudar, apesar de muitas delas se deslocarem de uma povoação a outra e frequentarem aulas nas escolas mais próximas das suas aldeias.
“Devo esclarecer que não há ainda escolas que cheguem para esgotar o número de crianças fora do sistema de ensino. É preciso acreditar que o Executivo tudo está a fazer para pôr o maior número de crianças a estudar, construindo mais estabelecimentos escolares”, declarou o administrador.

Água já é para todos

O Programa “Água para Todos”, de iniciativa presidencial, é uma realidade no município, onde milhares de pessoas já beneficiam de água potável, com a instalação de sistemas de captação, tratamento e conservação do produto em todas as sedes comunais.
Por isso, Caetano Lopes assegura que o governo da província cumpriu o seu programa, que era levar água a todas as sedes comunais e a um grande número de aldeias.
Com algum desagrado, reconheceu, no entanto, que a sede do município ainda vive alguns problemas na distribuição da água, mas assegurou que está em curso um programa de reabilitação do sistema de captação e tratamento, que servirá toda a sede municipal e arredores.
“Nesta fase, temos estado a remediar com o velho sistema, que apresenta muitas limitações”, explicou. Para a normalização da situação, o programa de reabilitação do sistema prevê a instalação de uma nova rede de distribuição para substituir a antiga, que se encontra obsoleta devido ao período em que ficou sem funcionar.
“Quanto à energia eléctrica, enfrentamos ainda muitos problemas. O fornecimento é feito com muitas restrições, porque as fontes geradoras não são suficientemente potentes para fazer face à procura. A única fonte que a sede tem é um gerador que produz e distribui para um número limitado de casas. A nossa esperança passa pela barragem do Lumaum, que já se encontra a trabalhar em fase experimental”.     

Hectares de terras sem aproveitamento

O administrador municipal preferiu não falar em progressos na produção agrícola, que ainda é tímida. As pessoas dedicam-se mais a uma agricultura familiar de subsistência, como de resto acontece um pouco por todo o país. “É uma cultura de subsistência onde o camponês produz para comer e vende o excedente”.
Para que os níveis de produção cresçam, considerou ser necessário apetrechar os camponeses com tractores, charruas e outros inputs agrícolas importantes para a lavoura.
“Estão em curso vários programas que trarão a solução para o problema. Um deles passa pelo apoio e outros incentivos às famílias no meio rural. Temos técnicos agrónomos do Instituto de Desenvolvimento Agrário (IDA) a trabalhar junto dos camponeses, auxiliando-os pedagogicamente. Mas esses técnicos sentem-se, por vezes, limitados no desempenho das suas funções, porque não têm meios de transporte para se deslocarem às povoações mais distantes da sede municipal”, lamentou.
Caetano Lopes recordou que existem orientações do Ministério da Agricultura - saídas do primeiro encontro de produtores, realizado na cidade Benguela – determinando que todos os lavradores que sejam detentores de vastos hectares de terra cedidos pelas autoridades e que não a trabalhem têm um período de tempo para reactivarem os campos. Caso não o façam, é-lhes retirada a titularidade da concessão. Este esclarecimento foi dado durante um encontro presidido pelo director provincial da Agricultura em Benguela, Carlos Abrantes Sequesseke, ao qual estiveram presentes líderes de vários grupos sociais e agricultores.
Os proprietários de fazendas agrícolas que ocuparam largas extensões de terra e que continuem a revelar incapacidade para o exercício da actividade poderão, assim, perder essas propriedades, que serão entregues a quem queira e tenha capacidade para desenvolver a produção agrícola na província.
No município da Ganda, das 280 fazendas existentes, das quais 193 foram cedidas a agricultores, somente 12 estão reactivadas, revelou o administrador municipal.
“As fazendas têm de funcionar para criar postos de trabalho e aumentar a produção e a qualidade da dieta alimentar das famílias”, afirmou, peremptório.“Aqui na região não temos empresários agroindustriais. Aparecem muitos elementos com boas intenções, mas que não passam de meros curiosos, sem dinheiro para investir a sério na agricultura”, acrescentou.
O administrador defendeu, por isso, a criação de pequenas e médias empresas, associações e cooperativas agrícolas, com a participação massiva das famílias do meio rural, para se evitar o êxodo das pessoas para os grandes centros urbanos.

Alto Catumbela

Durante um certo período de tempo, registou-se o abate indiscriminado de eucaliptos no polígono florestal do Alto Catumbela.
Para diminuir as perturbações que isso estava a provocar no ecossistema, o governo provincial proibiu o abate de eucaliptos dentro do polígono.
“Com o embargo ordenado pelas autoridades, os argumentos que muitos exploradores ilegais desses recursos apresentam estão relacionados com a pobreza.
Dizem que a lenha e o carvão eram a única fonte de rendimento para as suas famílias, mas esquecem-se que o corte sem limites força o desequilíbrio ecológico”, disse.
As populações estão cientes do perigo que constitui a desmatação e o governo vai conceber programas para que haja outra forma de rendimento sem prejudicar as matas.
“Todos os cidadãos têm o direito a viver num ambiente sadio e com benefícios da utilização racional dos recursos naturais, cujos valores não devem ser subestimados em relação a interesses meramente utilitários”, esclareceu.
Acrescentou que o mau estado da ponte e a suspensão dos trabalhos no troço de terra batida com 18 quilómetros que liga a Ganda ao Alto da Catumbela têm criado um certo embaraço às populações.
Mas as obras para a sua conclusão recomeçaram e, no caso da ponte, cuja estrutura metálica apresenta um certo desgaste e esteve interditada à circulação de meios pesados, a empreiteira já foi mobilizada e está a executar os trabalhos.

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